Sinfonia de Guerra Ralph Fiennes HBO

Drama com Ralph Fiennes sobre coral que perde todos os seus cantores na guerra chegou no streaming

Em ‘Sinfonia de Guerra’, um coral do interior da Inglaterra perde seus homens para as trincheiras da Primeira Guerra Mundial e recruta um regente exigente para manter o grupo vivo.

Sinfonia de Guerra (2025) chegou à HBO Max. É o quarto filme da parceria entre o diretor britânico Nicholas Hytner e o dramaturgo Alan Bennett, e traz Ralph Fiennes no papel principal. O drama estreou no Festival de Toronto em setembro de 2025, passou pelos cinemas do Reino Unido em novembro e chegou aos Estados Unidos no Natal do mesmo ano, distribuído pela Sony Pictures Classics, arrecadando cerca de dez milhões de dólares em bilheteria mundial.

A ação começa em 1916, em Ramsden, uma cidade têxtil fictícia do interior de Yorkshire. A Primeira Guerra Mundial já consumiu boa parte dos homens da comunidade, e a Sociedade Coral local acaba de perder o próprio regente, convocado para o front. Para manter o grupo em atividade, o comitê presidido pelo vereador Bernard Duxbury (Roger Allam) contrata o Dr. Henry Guthrie (Fiennes), um regente exigente que acaba de voltar de uma longa temporada de trabalho na Alemanha.

As desconfianças, claro, pesam sobre ele. Guthrie é ateu e solteiro convicto, e passou os últimos anos vivendo e trabalhando na Alemanha, em plena guerra contra o país inimigo. Precisa recrutar rapazes ainda não convocados para preencher as vozes masculinas do coral, enquanto as ordens de mobilização continuam chegando pelas mãos do carteiro. O coral vai se tornando uma das poucas âncoras de vida coletiva que a cidade ainda mantém em pé.

Sinfonia de Guerra é o quarto encontro da dupla Hytner e Bennett no cinema. O trabalho mais celebrado da parceria é A Loucura do Rei George (1994), vencedor do Bafta de Melhor Filme Britânico e indicado a quatro Oscars. Depois vieram Fazendo História (2006), adaptação da peça premiada com o Tony de Melhor Peça, e A Senhora da Van (2015), com Maggie Smith. Este é também o primeiro roteiro original de Bennett para o cinema, sem partir de peça anterior. Hytner, além de cineasta, dirigiu o National Theatre de Londres entre 2003 e 2015, e volta agora ao registro em que se sente em casa. Comédia dramática britânica de ambientação histórica, com elenco calibrado em atores veteranos de palco.

A recepção se dividiu. No Rotten Tomatoes o filme registra 66% de aprovação em 104 críticas contabilizadas, e o consenso da plataforma sintetiza a divisão. Apesar do roteiro afiado e da atuação de Fiennes, o longa tem dificuldade de harmonizar tantos personagens e temas ao mesmo tempo.

O público reagiu com mais entusiasmo, com 78% de aprovação no Popcornmeter. No IMDb, a nota fica em 6.4. O Guardian, na crítica de Peter Bradshaw, deu quatro estrelas de cinco e chamou o filme de “um prazer discreto e consistente”, elogiando a decisão de deixar a música de Elgar carregar as emoções maiores enquanto o roteiro se equilibra com humor e comoção.

Do outro lado, o Time Out foi mais reservado, com três estrelas, e descreveu o filme como “Brassed Off em tom menor”, referência ao Um Toque de Esperança (1996), elegante mas sem o crescendo emocional que o gênero pede. E o Hollywood Reporter apontou o principal reparo dos críticos frios. Um trabalho britânico bem escrito e bem interpretado, com sensação de peça filmada mais do que de cinema propriamente dito.

O filme se apoia em muitos personagens ao mesmo tempo, e a maioria dos críticos com ressalvas apontou a dispersão como problema. Mas essa mesma escolha permite alguns momentos que valem a atenção. O Dr. Guthrie de Fiennes é um homem cujo passado alemão e cujo laço afetivo com o pianista do coral são tratados com a discrição típica do decoro britânico da época.

O filme sugere sem declarar, e Fiennes sustenta essa camada quase inteira no olhar. A aparição de Simon Russell Beale como Elgar, no terceiro ato, desestabiliza a expectativa de um encerramento heróico e ancora o filme mais na dor do que na celebração. Vale também a atenção à trilha de George Fenton, colaborador habitual de Hytner desde A Loucura do Rei George, que sustenta a passagem entre o coral e a partitura de Elgar.

Para quem gosta do casamento entre humor britânico melancólico e drama de época, Sinfonia de Guerra oferece um artesanato conhecido, servido por um elenco britânico veterano. Para quem espera um filme de guerra no sentido épico, o registro é outro. Mais quieto e mais irônico, com o foco no cotidiano interrompido pela mobilização em vez da batalha propriamente dita.

Sinfonia de Guerra está disponível na HBO Max.

Confira o trailer:

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