Disque Jane Filme Prime Video

Drama emocionante sobre mulher que luta para interromper gravidez de risco chegou no streaming

Em ‘Disque Jane’ (2022), Joy Griffin descobre que a gravidez que ela tanto queria pode matá-la, e um panfleto num ponto de ônibus a leva até um grupo que opera fora da lei.

Alguns filmes que fazem barulho lá fora e chegam ao Brasil sem aviso. Disque Jane (2022) é um deles. O drama sobre uma gravidez de risco disputou o Urso de Ouro na competição oficial do Festival de Berlim de 2022, tem 82% de aprovação no Rotten Tomatoes e traz Elizabeth Banks e Sigourney Weaver nos dois papéis centrais. Ainda assim, ele chegou direto ao Prime Video sem alarde nenhum.

A história começa em Chicago, em 1968. Joy Griffin, vivida por Elizabeth Banks, é casada com Will (Chris Messina), um advogado em ascensão, e mãe de Charlotte (Grace Edwards), uma adolescente de quinze anos. A segunda gravidez vem depois de muito tempo de espera e é recebida como boa notícia. Mas Joy começa a desmaiar. O diagnóstico é um problema no coração que transforma a gestação num risco real para ela. Seu médico recomenda interromper a gravidez. Mas em 1968, no estado de Illinois, o procedimento era crime, com uma exceção para casos de risco real de vida. Quem julgava o pedido era uma junta do hospital formada só por homens. Joy e Will levam o caso até eles, e a resposta é não: os médicos calculam que ela tem chance de sobreviver à gravidez, e isso basta para eles. No lugar da autorização, ela recebe duas sugestões: alegar insanidade, ou cair de uma escada.

O filme poderia parar aí, mas vai além. Joy procura alguém que possa realizar um aborto clandestino por conta própria e chega até o apartamento imundo de um homem que faz esse serviço, mas vai embora antes de começar. Depois, encontra num ponto de ônibus um panfleto endereçado a mulheres grávidas e aflitas, com um nome e um telefone. Ela liga.

Quem aparece é Gwen (Wunmi Mosaku), que a venda e a leva de carro até um endereço que Joy não pode saber. O procedimento custa seiscentos dólares. O médico, Dean (Cory Michael Smith), tem fama de tratar mal as pacientes e é o único disponível. Só depois, já cuidada e alimentada, Joy conhece o resto do grupo e a mulher que o organiza: Virginia, papel de Sigourney Weaver. O que era para ser uma passagem única vira um pedido de carona para outra paciente, depois outro, e Joy acaba do outro lado da operação.

Confira o trailer dublado de Disque Jane:


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O tom é mais quente do que o assunto sugere. Rodado em película de 16mm por Greta Zozula, o filme tem uma textura granulada que combina com a época e evita o clima de reconstituição envernizada. E há espaço para humor: numa das melhores cenas, Virginia negocia o preço do procedimento com Dean entre doses de vodca, e a conversa vale tanto pela barganha quanto pelo que os dois deixam de dizer.

Phyllis Nagy dirige. O nome dela talvez seja mais familiar pelos créditos de roteiro: foi Nagy quem adaptou o romance de Patricia Highsmith que virou Carol (2015), trabalho que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Roteiro Adaptado. Disque Jane é sua estreia na direção de longas, depois de ter escrito e dirigido o telefilme Mrs. Harris (2005).

Seu esforço foi reconhecido no circuito internacional. O filme estreou no Festival de Sundance em janeiro de 2022 e, no mês seguinte, entrou na competição principal de Berlim. O roteiro é de Hayley Schore e Roshan Sethi, e passou pela Black List, a lista anual de roteiros bem avaliados que ainda não tinham sido produzidos.

A crítica internacional foi majoritariamente positiva, mas vale registrar o desconforto que apareceu em parte das resenhas. Alguns críticos apontaram que a história escolhe como porta de entrada uma protagonista branca, casada com um advogado e com dinheiro em casa, o que suaviza o retrato de quem mais sofria com a proibição. O próprio filme encara essa questão numa discussão entre Gwen, a única integrante negra do grupo, e Virginia, sobre quem consegue chegar até eles e quem fica de fora. É uma cena curta para o tamanho do problema, e a maior parte da crítica que gostou do filme reconhece isso.

O que sustenta as duas horas é o par central. Weaver não recebia um papel dessa densidade havia algum tempo, e ela constrói Virginia com autoridade e ternura ao mesmo tempo. Banks conduz a virada de Joy sem sublinhados, de mulher que pede autorização a mulher que decide. É uma história sobre alguém que descobre, já adulta, que pode ser útil a estranhas.

Disque Jane está disponível no Prime Video, incluído na assinatura, e também no plano com anúncios e no canal Diamond Films dentro da Amazon. Para quem não assina, o aluguel sai a partir de R$ 6,90 no Prime Video e na Claro Video.

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