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6 filmes bizarros para quem acha que já viu de tudo

De um cordeiro criado como filho a uma substância que promete rejuvenescer 30 anos, seis filmes viram do avesso a ideia de corpo normal.

Os seis filmes desta lista atravessam décadas, países e gêneros bem diferentes, mas voltam sempre ao mesmo lugar: o corpo que já não obedece às regras esperadas. Nestas obras disruptivas, o corpo humano muda de um jeito que ninguém esperava, e nunca volta a ser como era. Ganha uma prótese, um focinho, uma placa de metal, uma versão mais jovem de si mesmo.

É a transformação física, mais do que qualquer enredo, que carrega o peso emocional de cada história, a ferramenta que cada diretor escolhe para falar de identidade, aceitação e desejo.

E um aviso: nenhum destes filmes promete conforto, tudo o que oferecem são visões novas e distorcidas da realidade, que sempre valem conferir.

6.

O Homem Elefante (1980)


O drama biográfico britânico-estadunidense é o mais antigo e o mais premiado da lista, e ainda assim guarda uma das imagens mais perturbadoras já postas em tela grande. O Homem Elefante narra a história real de um homem com uma deformação óssea e cutânea severa na Inglaterra vitoriana, explorado como atração de circo antes de ser resgatado pelo médico Frederick Treves (Anthony Hopkins). John Hurt vive o protagonista, tratado no filme pelo nome de John Merrick, embora registros históricos apontem seu nome verdadeiro como Joseph Merrick.

David Lynch, em apenas seu segundo longa, filma em preto e branco e ecoa o expressionismo alemão, mas guarda para os filmes seguintes os exageros que se tornariam sua marca registrada. O resultado rendeu 8 indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor, um feito e tanto para o segundo filme de um diretor, ainda que nenhuma indicação tenha virado troféu. Tem 90% de aprovação no Rotten Tomatoes e nota 8,1 no IMDb. Não está em nenhum streaming por assinatura no Brasil no momento.

Está disponível para aluguel na Apple TV, Prime Video e Google Play.

5.

Lamb (2021)

Lamb

O terror folk islandês estreou em Cannes dividindo a plateia entre fascínio e desconforto, e segue essa linha desde a primeira cena. Em Lamb, um casal que acaba de perder a filha encontra um recém-nascido híbrido, metade humano, metade cordeiro, em sua propriedade rural. Decide criá-lo como se fosse deles.

É a estreia em longas de Valdimar Jóhannsson, que venceu o Prêmio de Originalidade na mostra Un Certain Regard de Cannes 2021. Noomi Rapace estrela e fala islandês pela primeira vez numa produção, língua que aprendeu quando morou no país na infância. A crítica reagiu bem ao tom entre fábula sombria e drama familiar: 86% de aprovação no Rotten Tomatoes, nota 6,3 no IMDb.

Está disponível na MUBI.

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4.

Titane (2021)

Titane


O terror corporal francês é o mais premiado dos seis filmes no circuito de festivais, e talvez o mais difícil de resumir sem spoiler. Em Titane, uma mulher que carrega uma placa de titânio na cabeça desde a infância desenvolve uma atração por automóveis que a leva a um caminho de violência e, depois, a uma reviravolta de identidade que muda o rumo do filme inteiro.

Julia Ducournau venceu a Palma de Ouro em Cannes 2021, tornando-se apenas a segunda mulher na história do festival a levar o prêmio máximo, quase trinta anos depois de Jane Campion por O Piano. Vincent Lindon, no papel de um bombeiro em busca do filho desaparecido, levou o prêmio de Melhor Ator na mesma edição. O filme tem 90% no Rotten Tomatoes e nota 6,4 no IMDb, com opiniões mais divididas entre o público do que entre a crítica especializada.

Está disponível na MUBI.

3.

Beau Tem Medo (2023)

Beau Tem Medo


A tragicomédia surreal estadunidense é a mais longa e a mais cara da lista, quase três horas de pesadelo desdobrado em capítulos. Em Beau Tem Medo, um homem ansioso e paranoico enfrenta uma jornada kafkiana rumo à casa da mãe depois de receber uma notícia que muda tudo.

Joaquin Phoenix, vencedor do Oscar por Coringa, carrega o filme sozinho na maior parte do tempo, dirigido por Ari Aster, o mesmo nome de Hereditário e Midsommar. Foi o orçamento mais alto já investido pela A24 até então, 35 milhões de dólares, e a recepção ficou dividida: 67% no Rotten Tomatoes e nota 6,6 no IMDb, distante do consenso quase unânime dos dois filmes anteriores do diretor.

Está disponível no Prime Video.

2.

Um Homem Diferente (2024)

Um Homem Diferente


O drama psicológico estadunidense parte de uma premissa simples e vai ficando mais incômodo a cada cena. Em Um Homem Diferente, um aspirante a ator com uma condição que desfigura seu rosto se submete a um procedimento experimental para mudar sua aparência. O novo rosto, porém, vira um pesadelo quando ele perde justamente o papel que dizia ter nascido para interpretar, sobretudo depois que Oswald, um outro homem com a mesma condição, entra em sua vida.

Sebastian Stan venceu o Globo de Ouro de Melhor Ator em Comédia ou musical pelo papel, além do Urso de Prata de Melhor Ator no Festival de Berlim. Adam Pearson, ator que vive com neurofibromatose na vida real, dá ao filme uma camada de autenticidade que o texto não abre mão de explorar. A crítica aprovou em peso: 92% no Rotten Tomatoes, 83% de aprovação do público.

Está disponível na MUBI e também para aluguel no Prime Video.

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1.

A Substância (2024)

A Substância

O horror corporal francês, ambientado nos Estados Unidos, fecha a lista como o mais decorado dos seis filmes na temporada de premiações mais recente. Em A Substância, uma apresentadora de TV é demitida do próprio programa de ginástica ao completar 50 anos, sob a justificativa de que está “velha demais”. Ela decide então recorrer a uma substância clandestina capaz de gerar uma versão mais jovem de si mesma, com uma regra que não pode ser quebrada.

Coralie Fargeat venceu o prêmio de Melhor Roteiro em Cannes 2024 e levou o filme a 5 indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretora, com vitória na categoria de Melhor Maquiagem e Penteados. Demi Moore, no papel principal, venceu o Globo de Ouro, o Critics Choice e o SAG de Melhor Atriz pela atuação. O filme tem 89% de aprovação no Rotten Tomatoes e nota 7,2 no IMDb.

Está disponível na HBO Max.

A estranheza, nesses seis filmes, nunca é o destino final, é o caminho. Cada um encontra, na deformação ou na transformação do corpo, uma forma mais honesta de falar sobre o que dói: envelhecer, ser visto como monstro, perder o controle sobre a própria imagem. É esse fio que os une, mais do que qualquer rótulo de gênero. A ordem é sua. O incômodo, garanto, vem em qualquer uma delas.

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