Vencedor do Oscar de Melhor Animação, a obra-prima de Hayao Miyazaki ‘A Viagem de Chihiro’ é uma fábula inesquecível sobre o apagamento do indivíduo e a destruição sistemática do meio ambiente.
A Viagem de Chihiro
Direção: Hayao Miyazaki
Ano: 2001
Avaliação: ★ ★ ★ ★ ★ (5/5)
Em 2002, A Viagem de Chihiro varreu a bilheteria japonesa, conquistou o Urso de Ouro em Berlim e levou o Oscar de Melhor Animação. Até hoje, sustenta impressionantes 96% de aprovação tanto da crítica quanto do público no Rotten Tomatoes. É o ápice absoluto do Studio Ghibli.
Mas o fascínio duradouro do filme não vem apenas da excelência da animação tradicional feita à mão. Muitas mãos. Vem do sistema burocrático que rege aquele universo de espíritos.
Neste vídeo, eu vou destrinchar a mecânica visual, os temas e o simbolismo de A Viagem de Chihiro. Para entender o filme, vamos partir da ideia de que a jornada de Chihiro não é uma simples transição da infância para a vida adulta, mas um manual de sobrevivência de como preservar a identidade num sistema projetado para explorar o seu tempo e apagar a sua memória.
No Tema 1, “O Sistema Que Te Apaga”, vou falar sobre os pais transformados em porcos, o contrato de Yubaba que rouba os ideogramas do nome de Chihiro, o simbolismo do ouro falso do Sem Rosto e a função da salamandra assada como moeda de suborno entre os trabalhadores da casa de banhos.
No Tema 2, “O Rio Enterrado Sob o Asfalto”, vou falar sobre a bicicleta extraída de dentro do Espírito do Rio, a revelação do nome verdadeiro de Haku, os feitiços de Zeniba e a decisão de Hayao Miyazaki de fazer a viagem de trem ocorrer inteiramente sobre a água.
No final, vamos entender por que a última instrução que Chihiro recebe — a regra de não olhar para trás — é a única conclusão possível para a tese do filme. E vou falar também do único objeto que Chihiro trouxe do mundo dos espíritos — e o que esse detalhe diz sobre tudo que o filme apresenta.
E um aviso: a análise tem spoilers do começo ao fim. Se você ainda não viu o A Viagem de Chihiro, vai assistir e volta em seguida. Vai valer a pena.
Confira todos os detalhes da análise no vídeo abaixo:
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Herbert Bianchi é diretor e roteirista formado em Cinema pela FAAP, mas foi morando na Hungria — perto do cinema de Béla Tarr e das paisagens de Tarkovsky — que aprendeu a ler o que os filmes comunicam sem dizer. Em 2023, criou o Cinema Guiado, plataforma editorial independente dedicada à análise, curadoria e reflexão sobre cinema.




