O filme de terror japonês “A Saída 8”, baseado no jogo viral de 2023, estreia no Brasil com 93% de aprovação no Rotten Tomatoes, algo raro para o gênero.
Em maio de 2025, A Saída 8 estreou no Festival de Cannes e saiu de lá com oito minutos de aplausos de pé. Isso já diz alguma coisa. Não sobre a euforia que o filme provocava — que era imensa — mas sobre a capacidade do jovem diretor Genki Kawamura de transformar um conceito de videogame minimalista em algo que realmente funciona numa sala escura diante de mais de 2.500 espectadores.
A Saída 8 chega aos cinemas brasileiros distribuído pela Paris Filmes.
O JOGO, O LOOP, A REGRA
Para entender o filme, é preciso entender o que o originou. The Exit 8, o jogo indie desenvolvido por Kotake Create em 2023, tem uma premissa de uma brutalidade elegante: um homem está preso num corredor interminável de metrô. Seu objetivo é encontrar a Saída 8.
As regras são simples — se perceber alguma anomalia, volte imediatamente; caso contrário, continue andando. Um único erro e o corredor recomeça do zero.
O jogo virou fenômeno entre streamers e jogadores do mundo inteiro porque capturou algo que poucos jogos conseguem: a paranoia de olhar para uma cena cotidiana e não confiar nos próprios olhos. Cada detalhe pode ser a diferença entre avançar ou começar tudo de novo. O corredor é sempre o mesmo — e nunca é exatamente o mesmo.
Quando Kawamura descobriu o jogo, declarou que ficou empolgado por se tratar de uma “invenção japonesa capaz de competir no cenário mundial” — e admitiu que nunca havia feito um filme tão incerto em 40 produções anteriores.

QUEM É O DIRETOR
O nome de Genki Kawamura não é novo para quem acompanha o cinema japonês contemporâneo. Nascido em Yokohama em 1979, Kawamura começou sua carreira na Toho, onde foi identificado cedo como talento promissor.
Sua função como produtor em Seu Nome, que arrecadou mais de 350 milhões de dólares globalmente, projetou seu nome internacionalmente. De lá para cá, produziu O Tempo com Você, Suzume e Monster — este último premiado em Cannes com o prêmio de Melhor Roteiro.
A Saída 8 é sua segunda direção. A primeira, A Hundred Flowers, lhe rendeu o Prêmio Silver Shell de Melhor Diretor no Festival de San Sebastián. Kawamura não é um diretor de horror. E isso, paradoxalmente, pode ser exatamente o que o filme precisava.
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SOBRE O FILME
A Saída 8 acompanha um homem — creditado apenas como The Lost Man — preso num corredor de metrô em loop infinito, obrigado a identificar anomalias em cada passagem para conseguir escapar. O protagonista é vivido por Kazunari Ninomiya, ator conhecido no Japão por seus trabalhos com Clint Eastwood em Cartas de Iwo Jima.
A estética construída por Kawamura e pela diretora de fotografia Akiko Ashizawa é de um minimalismo calculado: grading de cores severo, tomadas longas sem cortes, e design de som que ergue o desconforto de dentro para fora. O corredor frio e fluorescente se torna, progressivamente, um personagem.
O resultado é um tipo de terror raramente visto em adaptações de games: no Rotten Tomatoes, 93% dos críticos aprovam o filme, e o consenso do site o descreve como um labirinto inquietante percorrido com destreza pelo diretor Kawamura, com terror existencial e sofisticação estilística.
É o filme baseado em videogame com as melhores avaliações tanto no Rotten Tomatoes quanto no Metacritic.

O QUE O TERROR TEM DE DIFERENTE
A Saída 8 não se limita a reproduzir a experiência do jogo para as telas. O filme expande o universo do corredor com novos personagens e uma reviravolta narrativa que não existia no game original.
A câmera alterna entre uma perspectiva em primeira pessoa — que imita o ponto de vista do jogador — e a câmera tradicional que acompanha o protagonista. É uma escolha de linguagem que faz sentido: o espectador é convidado a jogar junto, varrendo cada quadro em busca do detalhe errado.
Isso coloca A Saída 8 numa posição singular dentro do gênero. Não é um filme de horror que usa um jogo como pretexto.
É uma adaptação que entende por que o jogo funcionou e constrói sua experiência cinematográfica a partir dessa lógica — a paranoia como motor dramático, a repetição como forma de tensão, o cotidiano como território de ameaça.
SUCESSO DE BILHETERIA
Lançado no Japão em agosto de 2025, o filme registrou a maior abertura de três dias para um longa-metragem live-action japonês, vendendo 672.000 ingressos e arrecadando mais de 960 milhões de ienes (R$ 30 milhões) no fim de semana de estreia. O total de bilheteria japonesa ultrapassou 5,2 bilhões de ienes.
Após Cannes, o filme foi selecionado para o Festival de Toronto, de Melbourne e de Busan. Em agosto de 2025, a distribuidora norte-americana Neon adquiriu os direitos de distribuição para a América do Norte, com estreia em abril de 2026.
FICHA TÉCNICA
Direção: Genki Kawamura
Origem: Japão
Ano: 2025
Gênero: Terror, Suspense
Duração: 95 minutos
Distribuição: Paris Filmes
Onde assistir: Nos cinemas
Confira o trailer do filme:

Formada em Sociologia, Maisa Gebara exerce a função de redatora no site do Cinema Guiado desde 2026.
