O Drama: Filme com Zendaya e Robert Pattinson ganha sessões antecipadas

O Drama: Filme com Zendaya e Robert Pattinson ganha sessões antecipadas

Comédia romântica sombria da A24 já pode ser vista nos cinemas e promete dividir o público com reviravolta polêmica.

A distribuidora Diamond Films confirmou que O Drama, estrelado por Zendaya e Robert Pattinson, terá sessões antecipadas nos cinemas brasileiros a partir deste final de semana.

A estreia oficial acontece em 9 de abril, mas quem não quiser esperar pode conferir o filme durante todo o final de semana em salas selecionadas.

O timing é calculado: O Drama é um dos lançamentos mais comentados do primeiro semestre de 2026, alimentado por uma campanha de marketing que tratou seu segredo central como informação sigilosa. Nos últimos dias, porém, o sigilo foi quebrado por veículos internacionais, gerando debates acalorados nas redes sociais. A polêmica parece ter funcionado como combustível: o filme alcançou 83% de aprovação no Rotten Tomatoes (com base em 86 críticas) e foi certificado como “Fresh”.

Na trama, Emma (Zendaya) e Charlie (Robert Pattinson) formam um casal apaixonado às vésperas do casamento. Durante uma reunião com os padrinhos Rachel (Alana Haim) e Mike (Mamoudou Athie), os quatro decidem brincar de revelar “a pior coisa que cada um já fez na vida”.

O jogo começa despretensioso, mas quando chega a vez de Emma, sua confissão transforma o que seria uma celebração em um campo minado emocional. A partir daí, o filme abandona qualquer pretensão de comédia romântica tradicional e mergulha em terreno desconfortável, esfregando na nossa cara a incômoda pergunta: até onde conhecemos as pessoas com quem escolhemos dividir a vida?

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Um diretor que faz do desconforto seu método

O Drama é o terceiro longa-metragem de Kristoffer Borgli, cineasta norueguês de 40 anos que vem construindo uma filmografia dedicada a cutucar feridas sociais. Nascido em Oslo em 1985, Borgli trabalhou numa videolocadora durante a adolescência, onde descobriu David Lynch e desenvolveu o que chama de "fascínio pelo desconforto como ferramenta narrativa".

Seu primeiro filme de ficção, Doente de Mim Mesma (2022), acompanhava uma mulher que se mutila deliberadamente para ganhar atenção nas redes sociais. O longa estreou na mostra Un Certain Regard em Cannes e recebeu elogios da crítica. Em seguida veio O Homem dos Sonhos (2023), protagonizado por Nicolas Cage, sobre um professor universitário que começa a aparecer nos sonhos de milhões de desconhecidos.

O filme rendeu a Cage uma indicação ao Globo de Ouro e consolidou Borgli como um dos diretores mais interessantes do cinema independente norte-americano (ainda que norueguês de nascimento).

A parceria com a A24 e com a Square Peg (produtora de Ari Aster e Lars Knudsen, responsáveis por Hereditário e Midsommar) se repete em O Drama. O orçamento foi estimado em US$ 28 milhões, modesto para os padrões de Hollywood, mas coerente com a escala intimista da produção.

O Drama é o terceiro longa-metragem do norueguês Kristoffer Borgli.

As sessões de pré-estreia nos Estados Unidos arrecadaram US$ 1,7 milhão na quinta-feira, um resultado considerado sólido para um filme de nicho. As projeções apontam para uma abertura entre US$ 10 e US$ 12 milhões no fim de semana, competindo diretamente com o fenômeno The Super Mario Galaxy, que deve ultrapassar US$ 180 milhões no mesmo período.

Para a A24, cujo modelo de negócios depende de filmes de baixo custo com alto retorno proporcional, qualquer resultado acima de US$ 10 milhões será considerado vitória.

O elenco ajuda a explicar o interesse. Zendaya, que vem de Rivais (2024) e se prepara para Duna: Parte 3 ainda este ano, encontra em Emma um papel que exige nuances incomuns para uma estrela de seu calibre. Robert Pattinson, que construiu uma carreira profícua trabalhando com autores como os irmãos Safdie, Cronenberg e Eggers após a saga Crepúsculo, entrega um Charlie à beira do colapso emocional.

Uma curiosidade é que os dois atores voltarão a contracenar em A Odisseia, de Christopher Nolan, e em Duna: Parte 3, ambos previstos para o segundo semestre. Zendaya revelou em entrevistas que assistiu à saga Crepúsculo pela primeira vez especificamente para se preparar para contracenar com Pattinson.



O Drama não é um filme fácil.

Borgli aposta no desconforto como estratégia central, forçando o espectador a se posicionar diante de dilemas morais que não têm resposta correta. A revelação de Emma (que não detalharei aqui, respeitando quem prefere chegar à sessão sem spoilers) já gerou críticas de grupos nos Estados Unidos, incluindo familiares de vítimas de tragédias reais que consideram a abordagem do filme irresponsável. Outros argumentam que é justamente o olhar estrangeiro de Borgli que permite fazer perguntas que cineastas norte-americanos evitariam.

É um filme que exige muita conversa depois da sessão. Concordar ou discordar de suas escolhas faz parte da experiência. A crítica Clarisse Loughrey, do Independent, resumiu:

"É provocativo e compulsivamente assistível — uma comédia romântica que oblitera o próprio significado do termo ao colocar o amor sob o microscópio do psicanalista."

Para quem busca cinema que incomoda, que não oferece respostas prontas, O Drama merece ser visto. Para quem prefere conforto, talvez seja melhor esperar o filme dos irmãos Mario.

O Drama, com Robert Pattinson, é o terceiro longa-metragem do norueguês Kristoffer Borgli.

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