8 Filmes Imperdíveis Para Ver em Abril no Prime Video

8 Filmes Imperdíveis Para Ver em Abril no Prime Video

O catálogo de abril do Prime Video mistura thrillers com elenco estelar, terror sobrenatural, cinema coreano e uma das melhores adaptações de Stephen King em anos.

Abril chegou ao Prime Video como um mês de extremos. De um lado, produções que custaram US$ 90 milhões e tropeçaram nas bilheterias. Do outro, filmes independentes que arrecadaram quase o dobro do orçamento com metade do elenco. Há terror produzido por Jordan Peele, a comédia romântica mais inusitada do ano e nada menos que a obra que se tornou a maior bilheteria da história da A24. Oito títulos que, juntos, desenham um retrato do cinema contemporâneo.

Vamos a eles.

Caminhos do Crime (1º de abril)

O thriller de Bart Layton adapta um conto de Don Winslow e escala Chris Hemsworth, Mark Ruffalo e Halle Berry para uma Los Angeles noturna onde ladrões de joias operam na rodovia 101 sem deixar rastros.

Hemsworth interpreta Mike Davis, um criminoso metódico que planeja seu último grande golpe. Ruffalo encarna o detetive Lou Lubesnick, obstinado e avesso a atalhos. Berry completa o triângulo como Sharon, uma corretora de seguros desiludida que se envolve com o lado errado da lei.

As comparações com Fogo Contra Fogo, de Michael Mann, eram inevitáveis. E o filme as abraça sem vergonha. O problema é que abraçar referências e honrá-las são coisas diferentes. Com 89% de aprovação no Rotten Tomatoes, mas apenas US$ 71,8 milhões arrecadados contra um orçamento de US$ 90 milhões, Caminhos do Crime é o tipo de produção que funciona muito bem como experiência de cinema para ver no sofá.

A Amazon MGM Studios venceu uma disputa milionária com a Netflix pelos direitos do projeto, e agora colhe os frutos: um catálogo reforçado com um título que, no streaming, encontra seu público natural. Layton (de Animais Americanos) constrói sequências de perseguição eficientes e uma atmosfera neo-noir convincente.

GOAT (2 de abril)

Se o marketing vendia um filme de esportes, o que chega à tela é outra coisa. GOAT é um terror psicológico ambientado no universo do futebol americano, dirigido por Justin Tipping e produzido por Jordan Peele.

Tyriq Withers interpreta Cameron Cade, um quarterback promissor que sofre um trauma craniano na véspera do recrutamento profissional. Seu ídolo, o lendário Isaiah White (Marlon Wayans), oferece treiná-lo em um retiro isolado. Julia Fox completa o elenco como a esposa influenciadora de White.

O roteiro de Zack Akers e Skip Bronkie tem uma premissa forte: a idolatria esportiva como portal para o horror, o corpo do atleta como moeda de troca descartável. Tipping filma com uma estética psicodélica, quase publicitária, que evoca Cisne Negro no universo dos vestiários. Wayans entrega uma performance dramática que faz esquecer As Branquelas (ou melhor, que lembra o ator de Réquiem para um Sonho).

Mas o filme vacila na execução.

A crítica se dividiu e a indecisão do roteiro entre sátira social, misticismo e terror elevado nunca se resolve por completo. O terceiro ato, sangrento e barroco, vai dividir quem assiste entre entusiasmo e perplexidade.

Entre Nós – Uma Dose Extra de Amor (3 de abril)

O título brasileiro é constrangedor, mas o filme surpreende.

The Threesome (o original, que diz muito mais) é uma comédia romântica dirigida por Chad Hartigan que parte de uma premissa deliberadamente escandalosa (um ménage à trois que resulta em duas gravidezes simultâneas) para chegar a um território emocional inesperadamente maduro.

Zoey Deutch, Jonah Hauer-King e Ruby Cruz formam o triângulo central, com Jaboukie Young-White como o amigo engraçado. O roteiro de Ethan Ogilby (veterano de mais de 150 episódios de Os Simpsons) trata aborto, paternidade e amadurecimento com humor seco e zero moralismo.

Acumula 82% no Rotten Tomatoes e o Guardian chamou o filme de comédia que entrega em todos os níveis. É uma descrição justa, com a ressalva de que o filme funciona melhor quando abandona o registro de farsa e mergulha na bagunça emocional real de três pessoas forçadas a crescer em tempo recorde.

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A Menina dos Meus Olhos (9 de abril)

O cinema coreano voltou à fórmula do primeiro amor adolescente com este remake de um filme taiwanês de 2011.

O trunfo comercial é evidente: a cantora Dahyun, do grupo TWICE, faz sua estreia como atriz no papel de Seon-ah, a aluna modelo por quem todos os garotos da escola se apaixonam. Jung Jin-young (do B1A4) interpreta o rebelde que finge ser imune ao encanto dela.

A direção estreante de Cho Young-myoung reconstrói o universo escolar dos anos 2000 com competência e uma trilha que acerta no tom nostálgico.

O filme estreou no Festival de Busan e foi vendido para oito países. Dahyun demonstra presença de tela que vai além do capital de fama. Se você gosta do gênero, vai encontrar aqui boas doses de melancolia juvenil. Se não gosta, nada aqui vai convertê-lo.

O Telefone Preto 2 (16 de abril)

Daniel Day-Lewis é a alma de "Sangue Negro", melhor filme de Paul Thomas Anderson.

O primeiro Telefone Preto, de 2022, custou US$ 18 milhões e arrecadou US$ 161 milhões.

A sequência de Scott Derrickson dobra a aposta: Finney Shaw (Mason Thames), agora com 17 anos, tenta reconstruir a vida quatro anos após escapar do Pegador. Mas sua irmã Gwen (Madeleine McGraw) começa a receber chamadas do telefone preto em seus sonhos, com visões de três garotos perseguidos em um acampamento de inverno.

Ethan Hawke retorna como o vilão mascarado, desta vez operando do além-túmulo.

A Blumhouse manteve o orçamento modesto e priorizou efeitos práticos, decisão que preserva a atmosfera claustrofóbica do original. A sequência arrecadou US$ 132 milhões globalmente, confirmando a franquia como um dos ativos mais rentáveis do estúdio.

Derrickson citou a Divina Comédia de Dante como inspiração para a jornada sobrenatural do segundo filme, o que explica o tom mais grandioso. Thames e McGraw demonstraram amadurecimento perceptível em tela, e a evolução de Finney de vítima para protagonista atormentado dá ao terror uma espinha dorsal dramática que muitas sequências do gênero desperdiçam.

Marty Supreme (22 de abril)

O peso-pesado do mês.

Josh Safdie dirige Timothée Chalamet como Marty Mauser, um vendedor de sapatos na Nova York dos anos 1950 que sonha em se tornar campeão mundial de tênis de mesa.

Inspirado livremente na vida de Marty Reisman, o filme custou US$ 70 milhões (o projeto mais caro da história da A24) e arrecadou US$ 179,3 milhões globalmente, tornando-se a maior bilheteria do estúdio, superando Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo.

Recebeu nove indicações ao Oscar®, incluindo Melhor Filme, Diretor, Roteiro Original e Ator para Chalamet (que levou o Globo de Ouro e o Critics' Choice pelo papel). Gwyneth Paltrow, Tyler the Creator, Abel Ferrara e Fran Drescher compõem um elenco que mistura estrelas e não-atores com a ousadia típica de Josh Safdie.

Darius Khondji filmou em 35mm. O resultado é um filme que engana por 30 minutos, fingindo ser um drama esportivo convencional, antes de se transformar na coisa mais frenética que Josh Safdie já dirigiu.

Chalamet usa o corpo com uma fisicalidade nervosa que lembra De Niro no auge, enquanto o roteiro (co-escrito com Ronald Bronstein) transforma a obsessão pelo pingue-pongue em um estudo sobre ambição, classe e identidade nos Estados Unidos do pós-guerra.

A Vida de Chuck (23 de abril)

Daniel Day-Lewis é a alma de "Sangue Negro", melhor filme de Paul Thomas Anderson.

Mike Flanagan adapta uma novela de Stephen King e entrega algo que ninguém esperava: um filme sem horror.

Baseado no conto publicado em Com Sangue (2020), A Vida de Chuck narra a trajetória de Charles "Chuck" Krantz (Tom Hiddleston) em ordem cronológica invertida, da morte aos 39 anos por tumor cerebral até a infância. Mark Hamill interpreta o avô paterno. Mia Sara (de Curtindo a Vida Adoidado) volta a atuar depois de mais de uma década.

O filme venceu o Prêmio do Público no Festival de Toronto em 2024, passou discretamente pelos cinemas norte-americanos (arrecadou US$ 19,7 milhões) e agora encontra seu destino natural no streaming.

Flanagan, que já provou sua afinidade com King em Jogo Perigoso e Doutor Sono, aposta tudo na emoção contemplativa. A sequência central, em que Hiddleston dança espontaneamente nas ruas ao som de um baterista, é das mais belas que o cinema norte-americano produziu recentemente.

O Rotten Tomatoes marca 80% de aprovação. É um filme sobre a grandiosidade escondida nas vidas comuns, contado com a delicadeza de quem entende que Stephen King sempre foi, acima de tudo, um cara que escreve sobre pessoas.

Monster Summer (30 de abril)

Daniel Day-Lewis é a alma de "Sangue Negro", melhor filme de Paul Thomas Anderson.

David Henrie dirige esta aventura de terror juvenil ambientada no verão de 1997. Mason Thames (de O Telefone Preto) lidera um grupo de adolescentes que investigam desaparecimentos misteriosos em uma ilha com a ajuda de um detetive aposentado vivido por Mel Gibson. Lorraine Bracco completa o elenco. O filme bebe abertamente de Os Goonies, Stranger Things e It (2017), sem esconder suas referências nem tentar superá-las.

Com 59% no Rotten Tomatoes e nota 5.7 no IMDb, Monster Summer funciona como sessão da tarde generosa: nada revolucionário, mas divertido para quem procura nostalgia sem pretensão. A presença de Gibson divide o público por razões que transcendem o filme, mas seu carisma ainda funciona na tela.

O mês de Abril no Prime Video recompensa quem procura boas aventuras.

Marty Supreme e A Vida de Chuck são os títulos que justificam a assinatura sozinhos, cada um ao seu modo: o primeiro pela energia bruta, o segundo pela delicadeza. O Telefone Preto 2 satisfaz quem gosta de um terror bem executado. GOAT intriga, pra dizer o mínimo. E Caminhos do Crime, apesar dos tropeços, entrega o tipo de thriller que funciona bem.

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