Dia D Steven Spielberg

Novo filme de Steven Spielberg estreia com aclamação da crítica

Segundo a crítica, ​’Dia D’ marca o retorno triunfal de Spielberg às suas raízes, com a sombra de seus primeiros filmes em cada fotograma.

Steven Spielberg voltou à ficção científica extraterrestre. Aos ovnis, orgãos governamentais secretos e perguntas que plantam uma grande dúvida na nossa cabeça. ‘Dia D‘ estreia com a maioria dos críticos afirmando que é o melhor Spielberg em pelo menos duas décadas. A Amblin Entertainment entregou um thriller de perseguição com alma, elenco afiado e trilha contundente de John Williams. A comparação que domina as análises é (adivinhe) com E.T. O Extraterrestre (1982).

Spielberg escreveu o argumento de Dia D no aplicativo de notas do celular. David Koepp, parceiro do diretor em Jurassic Park (1993) e guerra dos Mundos (2005), transformou o argumento em roteiro. A ideia para o maior thriller de ficção científica de 2026 nasceu num bloco de notas.

O filme abre com o que seria o final do primeiro ato em qualquer outro thriller. Josh O’Connor aparece como o Dr. Daniel Kellner já sendo ativamente caçado por uma organização de homens de preto chamada Wardex, chefiada pelo sórdido Noah Scanlon (Colin Firth). Sem apresentar nada, nem dar contexto. É a lógica do Spielberg clássico: entrar acelerando, explicar pelo caminho, nunca perder o ritmo.

Emily Blunt interpreta Margaret Fairchild, uma meteorologista que começa a experimentar o mundo de formas impossíveis — ela passa a falar russo fluente, enxergar a história de vida das pessoas nos olhos e, durante uma transmissão ao vivo, começa a falar numa linguagem alienígena.

A crítica já elegeu a sua performance como a melhor da carreira (incluindo Oppenheimer e Um Lugar Silencioso). Colman Domingo lidera o núcleo como Hugo Wakefield, à frente de uma equipe de desertores da Wardex tentando liberar as provas ao mundo.

— Emily Blunt conta que morre de medo da IA e decidiu não usá-la em ‘Dia D’

A premissa ganhou ainda mais relevância quando o governo Trump liberou um arquivo de documentos sobre OVNIS semanas antes da estreia. Dia D chega num momento em que a ficção e o noticiário parecem, de alguma forma, se alinhar.

O roteiro trata como registro histórico praticamente toda a mitologia ufológica das últimas sete décadas: o acidente de Roswell, os círculos nas plantações e até a lenda de que o presidente Richard Nixon teria mostrado corpos extraterrestres ao comediante Jackie Gleason. É Arquivo X com orçamento de US$ 115 milhões e a seriedade de quem acredita na própria história.

A recepção crítica tem sido calorosa, com 87% de aprovação no Rotten Tomatoes e apenas algumas ressalvas pontuais. O SlashFilm deu 9 de 10 e descreveu o filme como a tentativa de Spielberg de oferecer esperança num mundo sem esperança. O RogerEbert.com destacou que o roteiro às vezes tropeça no próprio peso (há muita coisa acontecendo ao mesmo tempo), mas Spielberg e o elenco estão sempre ali para garantir o bom o andamento.

As primeiras reações incluíram declarações como “o melhor Spielberg em 20 anos” (Gizmodo) e elogios à trilha de John Williams como a mais memorável do compositor em anos (Deadline).

A Variety foi mais sóbria: “onde as visões de Spielberg antes pareciam guiar a cultura, aqui ele segue décadas de mitologia acumulados”. É uma observação honesta. Dia D revisita mitos que já existem há muito tempo em vez de tentar criar novos, mas isso não muda o tipo de assombro que o filme consegue provocar.

Spielberg criou a linguagem do cinema de alienígenas antes de tantas histórias existirem. Agora ele retorna com 2h 25min de material, elenco estelar e um roteiro que abraça cada detalhe dessa mitologia. É muito bom. Mas ainda não bate seus primeiros filmes.

Dia D está em cartaz nos cinemas.

Veja o trailer do filme:


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