A nona edição do Festival Internacional de Cinema de Brasília (BIFF) ocupa o Cine Brasília de 29 de abril a 3 de maio. O evento retorna ao formato presencial com um movimento prático: acesso irrestrito. Todas as sessões são gratuitas. A decisão ancora-se na defesa do cinema como direito cultural e no fomento imediato à economia criativa local.
A curadoria filtrou mais de 800 inscrições globais. O resultado é um diagnóstico preciso do cinema autoral contemporâneo. Na mostra competitiva, a produção brasileira desponta com títulos de gênero e documentais, como “Revoada – Versão Steampunk”, de Ducca Rios, “Veias Abertas”, de Fernando Mamari, e “Hungria, A Escolha de Um Sonho”, que acompanha a trajetória do rapper nascido na periferia do Distrito Federal.
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O eixo internacional recusa o óbvio e equilibra cineastas premiados e estreantes. A seleção traz “Alpha”, o novo projeto da vencedora da Palma de Ouro Julia Ducournau; “A Sombra do Meu Pai”, do diretor nigeriano Akinola Davies Jr; e o documentário canadense “O Roubo”, que investiga a complexa rota de artefatos afegãos saqueados ao longo de décadas de conflitos e levados a museus ocidentais.
A programação reconhece também as engrenagens do mercado. A Gullane, produtora responsável por mais de 80 obras, recebe homenagem com projeções de “Que Horas Ela Volta?”, “O Ano Que Meus Pais Saíram de Férias” e a animação “Arca de Noé”.
Este último integra o BIFF Junior, seção focada na formação de novos públicos, liderada pela curadoria do ator Théo Medon. Em movimento semelhante de resgate, o festival revisita o catálogo da cineasta brasiliense Cibele Amaral, exibindo produções como “Por que você não chora?” e “O Socorro Não Virá”.

A representatividade também estrutura o evento. Uma parceria com a Mostra de Cinema Negro Adélia Sampaio amplia a presença de realizadores frequentemente à margem do circuito.
Já nas sessões especiais, a urgência dita o tom: “Encruzilhada Sonora” mapeia a resistência de onze artistas independentes de Brasília, enquanto “Doval: O Gringo Mais Carioca do Futebol” arquiva a história do argentino que, de forma inédita, virou ídolo das torcidas rivais do Flamengo e do Fluminense.
Festivais superam a função de vitrine. Eles movimentam a cadeia produtiva, empregam profissionais e impõem na tela as narrativas que as grandes redes comerciais ignoram. O BIFF 2026 materializa essa lógica. O cinema, aqui, é coletivo e tangível.
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Formada em Sociologia, Maisa Gebara exerce a função de redatora no site do Cinema Guiado desde 2026.
