“Me arrependo todos os dias de não ter paralisado essa produção e exigido o sindicato”, diz Sally Choi.
A diretora de arte de “Obsessão“, Sally Choi, tornou públicas suas queixas sobre a produção, que ela havia hesitado em compartilhar “por muito tempo”. Enquanto o filme de terror independente da Focus Features, dirigido por Curry Barker, se aproxima de US$ 175 milhões em bilheteria mundial, ela lamentou ter recebido apenas US$ 300 por dia pelo que descreveu como um trabalho pesado e que envolveu diversos departamentos.
“Tenho debatido isso há muito tempo”, escreveu Choi no Instagram . “Tenho carregado um grande fardo nos últimos dois anos desde a produção do filme, então vou dizer as coisas como elas são.”
Ela explicou que o filme foi feito com um orçamento minúsculo, de apenas US$ 750 mil, e a previsão agora é a de que arrecade US$ 250 milhões. “Quanto eu ganhei? US$ 300 por dia como diretora de arte, num total de US$ 6.741,36 após os impostos. Sem reembolso de gasolina.”
Admitindo que sabia e concordou com o cachê da produção independente de antemão e que vivia de salário em salário na época, ela explicou: “Essa é a realidade da maioria dos trabalhadores do cinema, especialmente aqueles que trabalham nos bastidores. Nós nos tornamos apenas uma linha na planilha de orçamento para manter o valor o mais baixo possível”, disse ela.
Mais adiante em sua publicação, ela fez um apelo para que outros membros da produção que pudessem se identificar com sua situação se manifestassem. “Talvez possamos mudar o rumo da indústria cinematográfica”, escreveu ela.
Em outra parte da publicação, ela detalhou que outros membros da equipe de “Obsessão” eram voluntários que recebiam pagamento em gasolina. “E nem sequer recebiam em dia, então, para fazer um filme que arrecadará US$ 250 milhões, algumas dessas pessoas incríveis tiveram que tirar dinheiro do próprio bolso para trabalhar no set.”
“Me arrependo todos os dias de não ter paralisado essa produção e exigir a entrada do sindicato. Fui aconselhada a não fazer isso e, ingenuamente, dei ouvidos”, disse ela.
Confira o post no Instagram da artista:
Um representante de Barker não respondeu ao pedido de comentário.
A repercussão online foi intensa, com a publicação ganhando força na sexta-feira. Muitos nos comentários da postagem de Choi compartilharam suas próprias histórias de produção independente e se solidarizaram com a experiência dela de baixos salários e pouca recompensa.
“Uma coisa que as pessoas não entendem sobre a indústria cinematográfica é que ela é feita de altos e baixos. Você pode ficar sem trabalho por semanas ou meses, então esse dinheiro precisa ser economizado e amortizado”, enfatizou o diretor de cinema Joseph Kahn no X.
Outros, por sua vez, acreditam que, em casos de sucesso estrondoso como esse, os estúdios por trás de filmes independentes como “Obsessão” deveriam ter um sistema de recompensas para os artistas de baixa renda que o tornaram realidade.
“Acredito piamente que este os estúdios e produtores deveriam dar um bônus a todas as pessoas que trabalharam no set do filme, já que ele arrecadou literalmente 250 vezes o seu orçamento”, escreveu um trabalhador do cinema.
“Obsessão” se tornou uma das grandes sensações das bilheterias de 2026 ao conseguir aumentar seu público semana a semana — algo raro na indústria. No total, já soma US$ 175 milhões ao redor do mundo.
Dirigido por Curry Baker, “Obsessão” é um conto sobre o que acontece quando um jovem tem o desejo atendido e passa a ser alvo da paixão incontrolável de sua crush.
Veja o trailer de “Obsessão” abaixo:
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