Supergirl

Depois de fracassar nos cinemas, ‘Supergirl’ estreia na HBO Max: o que esperar do filme

Em Supergirl, Kara Zor-El cruza a galáxia para salvar seu cão Krypto e se une a uma garota em busca de vingança. Veja se compensa no streaming e o que observar.

Supergirl já está disponível na HBO Max, sem custo adicional para assinantes. O filme norte-americano de ficção científica e aventura é o segundo longa-metragem do novo Universo DC comandado por James Gunn e Peter Safran, e chega ao streaming depois de uma passagem pelos cinemas que a Warner preferiria esquecer: US$ 126 milhões de bilheteria mundial contra um orçamento estimado em US$ 170 milhões. Um prejuízo imenso.

A boa notícia é que o streaming muda o cálculo para o espectador. Sem ingresso a pagar e sem a expectativa de blockbuster, sobra a pergunta que importa: o filme se sustenta como história?

Baseado na minissérie em quadrinhos Supergirl: Mulher do Amanhã, escrita por Tom King e ilustrada pela brasileira Bilquis Evely, o longa acompanha Kara Zor-El (Milly Alcock), prima de Superman (David Corenswet). Kara nasceu em Argo City, um fragmento de Krypton que sobreviveu à destruição do planeta, e cresceu cercada por perda. Aos 23 anos, bebe em planetas com sol vermelho (onde seus poderes kryptonianos enfraquecem), mantém distância da Terra e atende as ligações do primo com visível má vontade.

No dia de seu aniversário, Krypto, seu cão e companheiro de longa data, é envenenado por Krem das Colinas Amarelas (Matthias Schoenaerts), mercenário que lidera um bando de saqueadores chamados Brigands. O veneno dá a Kara três dias para encontrar o antídoto. Ao mesmo tempo, ela cruza o caminho de Ruthye Marye Knoll (Eve Ridley), adolescente alienígena cuja família foi assassinada pelo mesmo Krem. Kara aceita Ruthye como companheira de viagem a contragosto, e as duas partem numa caçada intergaláctica. Pelo caminho, encontram Lobo (Jason Momoa), caçador de recompensas com interesses próprios no bando.

Quem assistiu a Superman (2025) encontrou Kara brevemente no final daquele filme, bêbada e irritadiça. Aqui ela ganha a tela inteira, e sua história funciona sem exigir lição de casa.

Onde se encaixa

Craig Gillespie dirigiu Eu, Tonya (2017) e Cruella (2021), dois filmes sobre mulheres intensas que desafiam os enquadramentos que o mundo reserva para elas. O padrão se repete em Supergirl, ao menos na intenção. O roteiro é de Ana Nogueira, atriz e roteirista conhecida por The Vampire Diaries e The Blacklist, em seu primeiro trabalho para cinema.

Supergirl é o primeiro projeto do DCU que James Gunn não escreveu nem dirigiu pessoalmente. O dado importa porque testa a promessa central da nova DC: a de ser uma franquia guiada por cineastas com visão própria, e não por um comitê de estúdio. Na bilheteria, o teste falhou. Comparado a Superman, que faturou US$ 618 milhões mundiais e carrega 83% no Rotten Tomatoes, o tropeço é evidente. Mas a pergunta para quem vai assistir agora, no sofá, é outra: sem o peso comercial, o que sobra?

Como foi a recepção

A crítica ficou dividida. No Rotten Tomatoes, Supergirl tem 57% de aprovação (com nota de público em 77%). No Metacritic, a média dos críticos é 50/100. O CinemaScore, pesquisa feita na saída dos cinemas nos Estados Unidos, ficou em B-, nota morna para um filme de franquia.

A divisão segue um padrão claro: quem elogia o filme, elogia Milly Alcock. A australiana, conhecida como a jovem Rhaenyra Targaryen na primeira temporada de A Casa do Dragão, entrega uma Kara impulsiva, ferida e carismática. Brian Truitt, do USA Today, destacou a capacidade da atriz de dar profundidade à personagem sem perder a imprevisibilidade.

Allison Willmore, da New York Magazine, reconheceu Alcock como protagonista cativante, mas considerou o filme incapaz de oferecer a ela uma história à altura. David Rooney, do The Hollywood Reporter, apontou a falta de profundidade emocional na relação entre Kara e Ruthye como uma falha sensível (considerando que Gillespie já provou saber construir protagonistas femininas complexas). A atuação rendeu a Alcock o Critics’ Choice Super Award de Melhor Atriz em Filme de Super-Herói.

Do lado negativo, o vilão Krem foi o alvo mais frequente: genérico, funcional apenas como motor de perseguição. O visual do filme, descrito por mais de um crítico como monocromático e acinzentado, também decepcionou para uma aventura que se passa em planetas diferentes.

O que esperar

O que faz Supergirl funcionar, quando funciona, é a maneira como Milly Alcock usa o corpo para contar o que o roteiro não verbaliza. Kara oscila entre agressividade defensiva e gentileza relutante, e Alcock constrói essas transições com micromovimentos: um franzir de testa antes de ceder, um recuo no ombro quando a culpa chega antes da fala, um olhar que desvia no meio de uma bravata. Nos momentos de confronto com Ruthye, a protagonista revela o que sente antes de reconhecer em voz alta. A atuação é mais eficiente que o diálogo, e observar isso é o caminho para extrair do filme mais do que o roteiro promete.

Preste atenção também na sequência em que Kara perde os poderes num planeta com sol verde. É o trecho em que o filme abandona, por alguns minutos, a estrutura de perseguição e se concentra na vulnerabilidade da personagem. Sem poderes e sem controle, Kara depende de Ruthye, e a relação entre as duas ganha o peso que o resto do filme distribui de forma desigual. Ali, Gillespie dirige com a atenção ao gesto pequeno que fez Eu, Tonya funcionar. O problema de Supergirl é que esses momentos são exceção, quando deveriam ser regra.

Veja o trailer:

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