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A Última Casa — Wagner Moura é a única razão para ver o thriller sem graça da Netflix

Depois de vencer o Globo de Ouro por sua atuação em ‘O Agente Secreto’, Wagner Moura vive pai de família preso em casa em filme com boa premissa, mas péssima execução.

A Última Casa, o mais recente filme de terror da Netflix que provavelmente será o número 1 por uma semana e depois será esquecido para sempre, tem uma premissa hipotética tão intrigante que suas falhas se tornam significativamente mais decepcionantes.

É um filme que funciona no papel, mas seus criadores estavam tão satisfeitos em imitar filmes superiores com conceitos semelhantes durante a produção, em vez de arriscar algo próprio, que o resultado final ficou superficial e raso demais para que o espectador se importe com qualquer coisa que aconteça. Com pouco desenvolvimento de personagens e nada a dizer sobre sua premissa ousada, A Última Casa é muito frustrante.

Mais uma vez, o conceito é envolvente (o que já é meio caminho andado no mundo saturado de produções originais em streaming): E se você simplesmente não pudesse sair de casa? A alegoria do confinamento da COVID é forte, mostrando os pais Riley (Greta Lee) e Jason (Wagner Moura) descobrindo um dia que nenhuma das portas de sua casa abre.

O mesmo acontece com as janelas e todas as tentativas de Jason de derrubar a porta para sair. Os cacos simplesmente se reformam, quase como se a umidade da tempestade tivesse criado uma barreira ao redor da casa que Riley e Jason dividem com seus dois filhos (Riley Chung e Noah Alexander Sosnowski).

Através da janela, eles percebem que não estão sozinhos nessa situação. Não se trata apenas dos subúrbios vazios, mas também do vizinho do outro lado da rua, com quem Jason se comunica por meio de sinais que deixam isso claro. Todos podem estar presos dentro de casa, mas há algo lá fora, nos quintais abandonados, algo que parece não ser exatamente humano.

Para ser justo, o roteirista Matthew Robinson e o diretor Louis Leterrier (de Velozes e Furiosos 4) respondem a algumas das perguntas difíceis, como onde o cachorro fará suas necessidades e até mesmo como a família lidará com seu amado animal de estimação à medida que os suprimentos diminuírem. Naturalmente, essa se torna a principal preocupação de Riley, Jason e seus filhos: o que acontece quando a comida acabar? Eles começam racionando o que tinham em casa naquele dia, mas montagens eventualmente revelam que eles conseguem cultivar algum alimento para sobreviver.

O roteiro, compreensivelmente, omite diversas preocupações práticas, como a falta de remédios e papel higiênico, mas também é uma defesa irônica da mídia física, já que a família é forçada a assistir repetidamente aos dois únicos DVDs que possuem. Pois é, a Netflix não funciona durante o apocalipse, pessoal. Mas seus Blu-rays ainda funcionarão, fiquem tranquilos.

Wagner Moura se destaca em novo terror da Netflix

O filme nunca atinge o nível adequado de claustrofobia em sua parte central, que deveria ser um estudo contundente sobre como ficar preso com pessoas, mesmo aquelas que você ama, pode levar alguém lentamente à loucura. A tensão nunca parece ser alta o suficiente no que deveria ser a parte de terror psicológico da obra — fica claro que o roteiro está apenas enrolando até chegar à ação frenética do ato final.

Isso resulta em um filme tedioso, especialmente considerando o talento de seus dois protagonistas. Moura se destaca como o melhor ator, já que o indicado ao Oscar por O Agente Secreto encontra uma urgência que falta ao resto do filme, mas Lee está mal escalada e nunca deixa a impressão de que se trata de uma família de verdade.

Não há absolutamente nenhum senso de uma história compartilhada, como se Leterrier e sua equipe não tivessem tido tempo ou interesse em desenvolver o passado necessário para que isso acontecesse. Para que o filme funcione, precisamos realmente acreditar que os únicos quatro personagens com quem passaremos tempo não apenas estão presos juntos, mas também trazem consigo o peso de suas vidas até aquele momento para essa situação difícil — algo que a influência óbvia deste filme, Um Lugar Silencioso, fez muito melhor. Nesse caso, tudo se resume a um experimento hipotético em vez de um filme com personagens tridimensionais críveis. Pense no conceito, feche os olhos e provavelmente você conseguirá imaginar um filme melhor.

Em última análise, A Última Casa é mais uma das muitas alegorias óbvias sobre o confinamento da COVID-19 que surgiram recentemente no gênero de terror, sem realmente dizer nada sobre aqueles dias históricos, ou sequer apresentar uma visão de um horror inimaginável dissociada de sua inspiração óbvia. Se não vai proporcionar emoções fortes, ao menos ofereça aos espectadores algo tematicamente interessante para refletir. A Última Casa não faz nem uma coisa nem outra.

Confira o trailer do filme:

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