Variety entrevistou o ator sobre uma fase de estreias: primeiro filme hollywoodiano, primeiro em espanhol e, agora, primeiro Cannes — tudo ao mesmo tempo.
Quarenta anos de carreira e Selton Mello nunca tinha pisado no tapete vermelho de Cannes. Essa lacuna se encerra agora: o ator brasileiro está no Festival de Cannes 2026 como parte do elenco de La Perra, da diretora chilena Dominga Sotomayor, selecionado para a Quinzena dos Cineastas. É também seu primeiro filme em espanhol.
A agenda comprimida não é peso, é combustível. Em entrevista à Variety, Mello disse que poderia ter fechado vários projetos no Brasil logo após Ainda Estou Aqui — mas escolheu não fazer isso. “Quero ter a chance de entrar em outros projetos e viver novas experiências, conhecer outras formas de trabalhar”, afirmou. O Oscar de Walter Salles abriu portas que ele quer manter abertas.

A lista do que Mello chama de “muitas primeiras vezes” é longa para quem começou nas novelas ainda criança. Em 2025, estrelou Anaconda ao lado de Jack Black e Paul Rudd — sua estreia em grande produção de Hollywood. Depois gravou em Paris o longa I Don’t Even Know Who I Was, do brasileiro João Paulo Miranda Maria, seu primeiro filme falado em francês. Agora, Cannes. “Me sinto como uma criança indo ao parque de diversões”, disse ele à Variety. “Todos os meus ídolos passaram por Cannes. Nunca andei pelo tapete, nunca entrei no Palácio dos Festivais.”
Enquanto isso, São Paulo virou set de ficção científica. Mello está gravando Zero K, adaptação do romance de Don DeLillo dirigida por Michael Almereyda (do Hamlet com Ethan Hawke), com produção da RT Features, de Rodrigo Teixeira. O elenco reúne Peter Sarsgaard, Caleb Landry Jones e Britt Lower (de Ruptura) e Inga Ibsdotter Lilleaas (de Valor Sentimental). No filme, Mello interpreta gêmeos — um desafio inédito em sua trajetória. “É um excelente exercício de criatividade, e eu sempre recebo isso bem”, comentou.
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Na direção, o próximo passo é O Alienista, adaptação do conto de Machado de Assis, projeto que Mello carrega desde os vinte anos. Ele vai protagonizar o longa como Doutor Simão Bacamarte e dirigir, em coprodução com a Conspiração. A empresa também desenvolve com ele um projeto ainda não anunciado “a ser rodado em múltiplas línguas”. O momento, segundo o próprio ator, não é de freio: “Estou vivendo uma fase muito rica de criatividade pessoal, onde tenho a chance de ver o cinema em suas múltiplas formas.”
Fonte: Variety — Leia o texto original aqui
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