Após anos de hiato, Brett Ratner prepara o terreno na China para o retorno de Lee e Carter em uma sequência que testa o fôlego da comédia de ação física no cenário atual.
O movimento nos bastidores de Hollywood confirma o que muitos consideravam um projeto engavetado: a pré-produção de A Hora do Rush 4 saiu da inércia. O diretor Brett Ratner foi avistado recentemente em solo chinês, mapeando locações que devem servir de cenário para o quarto capítulo da saga protagonizada por Jackie Chan e Chris Tucker. A viagem sinaliza um retorno às raízes estéticas da franquia, priorizando o contraste visual entre a modernidade frenética de Pequim e a coreografia urbana que definiu o gênero buddy cop no final dos anos 90.
Brett Ratner, hoje aos 57 anos, consolidou sua carreira como um operário eficiente do entretenimento de grande escala. Responsável por sucessos como Dragão Vermelho (2002) e X-Men: O Confronto Final (2006), o cineasta construiu em A Hora do Rush (1998) uma gramática visual baseada na montagem ágil e no uso de planos abertos para valorizar as acrobacias sem dublês de Chan. Sua direção não busca a profundidade existencial, mas a precisão técnica no timing cômico — um equilíbrio entre o enquadramento estático que permite a piada física e o corte rápido que sustenta a tensão do combate.

A escolha de retornar à China para as filmagens não é apenas uma decisão logística, mas uma estratégia narrativa evidente. Analisando a fase atual da carreira de Ratner, o projeto surge como uma tentativa de resgatar uma organicidade que se perdeu em meio ao excesso de efeitos digitais da última década. Em A Hora do Rush 4, a expectativa técnica recai sobre como a fotografia irá capturar o envelhecimento dos protagonistas sem sacrificar a luz vibrante e saturada que é marca registrada da série. É um exercício de nostalgia que precisa se justificar através de uma luz menos artificial e uma decupagem que respeite o ritmo físico, agora mais cadenciado, dos atores.
A produção deve enfrentar o desafio de adaptar o humor de Carter (Chris Tucker) a uma sensibilidade contemporânea, sem esvaziar a acidez que o tornou icônico. Do ponto de vista da indústria, a insistência de Ratner nesta sequência revela uma aposta segura em Propriedades Intelectuais (IPs) estabelecidas, em um momento onde o público brasileiro, tradicionalmente fiel a este tipo de comédia de ação, demonstra sinais de fadiga com fórmulas puramente genéricas. A busca por locações reais em vez de estúdios de chroma key sugere um compromisso com a concretude material do cenário.
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Historicamente, a franquia sempre operou na fenda entre o cinema de Hong Kong e o blockbuster americano. Ao levar a produção de volta ao Oriente, Ratner parece buscar a autenticidade dos planos de fundo que ajudaram o primeiro filme a arrecadar mais de US$ 240 milhões. O sucesso desta nova empreitada dependerá da capacidade da montagem em manter a fluidez entre o diálogo metralhado de Tucker e a engenhosidade marcial de Chan, elementos que definiram o padrão de qualidade da trilogia original.
Até o momento, A Hora do Rush 4 encontra-se em estágio de pré-produção e não possui data de estreia confirmada para o Brasil. Dada a magnitude do título, espera-se um lançamento prioritário nos Cinemas, com posterior distribuição em plataformas como HBO Max ou Prime Video. Por ora, o espectador brasileiro deve aguardar o anúncio oficial do início das filmagens, previsto para o segundo semestre de 2026.
Fonte: Variety
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Formada em Sociologia, Maisa Gebara exerce a função de redatora no site do Cinema Guiado desde 2026.




