Os 5 melhores filmes de Paul Thomas Anderson

Os 5 melhores filmes de Paul Thomas Anderson

Paul Thomas Anderson é um diretor que transforma personagens em ruínas habitadas (e faz isso melhor do que qualquer outro cineasta em atividade)

Paul Thomas Anderson é o único cineasta da história a vencer o prêmio de Melhor Diretor no Festival de Cannes, o Leão de Prata em Veneza e os Ursos de Prata e Ouro em Berlim.

Acrescente 14 indicações ao Oscar ao seu currículo e a pergunta muda de direção: não se trata mais de saber se ele é grande, mas de entender por que ainda não é tão popular quanto poderia. A resposta está em suas obras. Anderson não filma histórias de conforto, ele faz filmes estranhos, caóticos, para desestabilizar as certezas do espectador. E faz isso dando vida a personagens que querem desesperadamente algo que não está ao alcance deles.

Nesta lista, separei cinco trabalhos em que esse projeto de cinema funciona com mais força.

5.

Boogie Nights: Prazer sem Limites (1997)

Juliane Moore e Mark Wahlberg estrelam o segundo filme de Paul Thomas Anderson.

O filme começa com um plano-sequência de três minutos dentro de uma boate em 1977. A câmera atravessa a pista de dança, passa por garçons, apresenta uma dúzia de personagens, para num rosto jovem de Mark Wahlberg, e não corta.

Anderson tinha 27 anos e estava fazendo seu segundo longa-metragem, expandindo um curta documental que havia dirigido aos 18, The Dirk Diggler Story (1988).

A história se passa em Los Angeles e gira em torno de um jovem lavador de pratos que se torna uma estrela de filmes adultos, narrando sua ascensão na Era Dourada da Pornografia dos anos de 1970 até sua queda durante os excessos dos anos de 1980.

O que ele demonstra nessa abertura não é exibicionismo, é um compromisso: este filme vai tratar a indústria pornográfica dos anos 70 com a mesma seriedade com que outros diretores tratam Wall Street ou a Segunda Guerra.

Dirk Diggler é um homem que quer ser grande em alguma coisa e escolheu o único território que o aceitou. E isso é político.

4.

Embriagado de Amor (2002)

Adam Sandler e Luis Guzmán estrelam “Embriagado de Amor”, de Paul Thomas Anderson.

Barry Egan vende desentupidores de pia num galpão industrial no Vale de San Fernando. Tem sete irmãs que o humilham constantemente, uma raiva que não consegue controlar e uma obsessão com uma promoção de pudim que oferece milhas aéreas infinitas a quem comprar caixas suficientes.

Anderson filma Barry numa série de planos abertos demais para um único personagem — o espaço vazio ao redor dele não é acidental: é o isolamento traduzido nos enquadramentos.

O terno azul que Barry usa foi inspirado no personagem de Jean-Paul Belmondo em O Demônio das Onze Horas (1965) de Godard — um homem deslocado dentro mundo que habita, incapaz de se encaixar nas regras que todos os outros parecem seguir sem esforço.

Anderson venceu o prêmio de Melhor Diretor em Cannes 2002 com este filme — o mesmo festival que já premiou Bergman, Bresson e Tarkovsky.

O feito é mais revelador quando se sabe que o ator principal é Adam Sandler. Anderson descreveu o projeto como “um filme de arte do Adam Sandler” — e essa definição é mais séria do que parece: Embriagado de Amor usa o vocabulário físico e cômico que Sandler construiu em vinte comédias descartáveis e o redireciona para um personagem que genuinamente não sabe como existir.

O resultado é um filme sobre o amor como desorientação — uma condição que Barry não escolhe, que simplesmente o atropela.

3.

Uma Batalha Após a Outra (2025)

Leonardo DiCaprio é o protagonista caótico de “Uma Batalha Após a Outra”, de Paul Thomas Anderson.

Bob Ferguson é um revolucionário fracassado que vive chapado e em estado de paranoia, sobrevivendo isolado com Willa, sua filha adolescente. Quando seu arqui-inimigo ressurge depois de 16 anos e a sequestra, Bob precisa reagrupar ex-guerrilheiros que abandonou décadas atrás.

O roteiro é inspirado livremente em Vineland, o romance de Thomas Pynchon — um dos escritores americanos mais refratários à adaptação cinematográfica. E Anderson não tenta fidelidade: usa o livro como ponto de partida para uma sátira sobre polarização política onde nenhum lado está certo, nenhum líder é confiável, e o único personagem com clareza moral é uma adolescente que ainda não aprendeu a mentir.

O filme estreou com 95% de aprovação no Rotten Tomatoes, venceu o Critics Choice Awards de Melhor Filme, o Globo de Ouro de Melhor Diretor para Anderson, e acumulou 12 indicações ao Oscar 2026.

Foi também a maior bilheteria de estreia de Anderson no Brasil, arrecadando R$ 3,1 milhões no primeiro fim de semana. DiCaprio constrói Bob com o corpo antes do texto: a paranoia aparece nos ombros curvados e nos olhos que varrem qualquer ambiente antes de qualquer diálogo. Sean Penn, como o vilão Lockjaw, opera no registro oposto com movimentos calculados, intencionalmente caricatos, e pausas deliberadas.

2.

MAGNÓLIA (1999)

Tom Cruise estrela “Magnólia”, de Paul Thomas Anderson.

Um dia em San Fernando Valley, na Califórnia, nos arredores da rua Magnólia, as vidas de nove personagens são interligadas através de um programa de televisão onde um grupo de três crianças desafia três adultos, cujas histórias se cruzam por coincidências do destino. Todos carregam a mesma pergunta sem nunca conseguir formulá-la: o que fazer com o pai que os abandonou?

Tom Cruise interpreta Frank T.J. Mackey, um guru de sedução que ensina homens a manipular mulheres em seminários. Na cena em que um jornalista revela que encontrou seu pai moribundo, Cruise passa de predador a presa em 40 segundos de close-up, sem corte, sem música de apoio, com a câmera parada na frente do rosto dele.

O filme tem três horas e dez minutos e termina com sapos caindo do céu. Anderson filma a chuva de sapos como um evento meteorológico, não como metáfora: os personagens reagem com espanto físico, tentam se proteger, e a vida continua depois. A cena existe porque o roteiro chegou num ponto onde nenhuma resolução dramática convencional daria conta do peso acumulado.

Anderson, então, decidiu que só um evento bíblico poderia resolver.

1.

SANGUE NEGRO (2007)

Daniel Day-Lewis é a alma de “Sangue Negro”, melhor filme de Paul Thomas Anderson.

Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis) abre o filme sozinho por quinze minutos. Ele cava um poço, quebra a perna numa queda, arrasta o próprio corpo pela terra ressecada até a cidade mais próxima, e deposita uma amostra de prata no balcão de uma repartição pública.

Anderson filma tudo isso sem diálogos, sem música e sem narração. O espectador aprende quem é Plainview observando o que ele faz com o corpo quando está sozinho — e o que ele faz é continuar, independente do custo físico.

O filme foi indicado a sete Oscars, com Day-Lewis vencendo Melhor Ator. É baseado livremente no romance Oil!, de Upton Sinclair, publicado em 1927.

A cena final, numa sala de boliche particular numa mansão vazia, dura seis minutos e termina com Plainview dizendo uma frase que resume trinta anos de cinema americano sobre capitalismo: “Estou acabado.” É o melhor final de um filme americano do século XXI.

Paul Thomas Anderson coleciona 14 indicações ao Oscar ao longo da carreira, com filmes que vão de comédias românticas a épicos históricos — uma amplitude que poucos diretores de sua geração conseguiram manter sem perder a identidade.

O denominador comum em toda a filmografia do diretor americano é o mesmo: personagens que constroem identidades forjadas para sobreviver e passam o filme inteiro sendo confrontados com o custo dessa escolha.

Quase nunca há redenção. Há somente consequência — e Anderson filma as consequências com mais atrevimento do que qualquer outra coisa.

ONDE ASSISTIR AO OSCAR 2026

Oficialmente, o evento começa às 20h, no horário de Brasília. Mas o tapete vermelho oficial será exibido ao vivo a partir das 18h30. A última categoria, a de Melhor Filme, deve ser transmitida apenas depois da meia-noite.

No Brasil, a transmissão ao vivo será dividida entre TV Globo, TNT e HBO Max. A cobertura do tapete vermelho começa às 18h30 somente pela TNT e HBO Max.

Você pode assistir à cobertura completa assinando a HBO Max pelo UOL Play e ainda ter acesso aos benefícios do Clube UOL.

Assista ao vídeo oficial do Oscar com os indicados a Melhor Filme:

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