Lista: Os 5 melhores filmes de 2026 até agora

cinco filmes que passaram meio despercebidos no Brasil e mereciam muito mais reconhecimento

O ano tem apenas quatro meses e cinco filmes que já honram o cinema em 2026. A verdade é que os primeiros meses do ano costumam ser a lixeira de Hollywood (estúdios despejam ali o que sabem que vai afundar), mas este ano podemos dizer que o padrão foi quebrado.

Temos terror autoral, ficção científica com ar de obra-prima, e um docudrama que calou Veneza. Cinema vivo, diverso, com opinião.

Vamos aos melhores filmes de 2026 até agora.

5.

Socorro!

Direção: Sam Raimi
Ano:
2025 (mas lançado em 2026)
Gênero: Terror
Duração: 1h53min
Origem: Estados Unidos
Onde assistir: Nos Cinemas

Um Sam Raimi de 67 anos fez um filme de terror original, proibido para menores, sem franquia, sem sequência. Só por isso já mereceria menção. Mas Socorro! entrega mais. 

Rachel McAdams interpreta Linda Liddle, funcionária exemplar preterida por seu chefe herdeiro Bradley Preston (Dylan O’Brien). Quando o avião cai numa ilha deserta, a hierarquia do escritório se dissolve no sal e na lama. 

Raimi transforma a premissa (um Triângulo da Tristeza reescrito por um fã de A Noite dos Mortos-Vivos) em sátira sangrenta sobre poder e classe. McAdams oscila entre o sutil e o feroz, e os crash zooms com a trilha de Danny Elfman confirmam: o diretor dos planos impossíveis continua afiado.

4.

 Extermínio: O Templo dos Ossos

Direção: Nia DaCosta
Ano: 2026
Gênero: Terror, Ficção Científica
Duração: 1h49min
Origem: Reino Unido / Estados Unidos
Onde Assistir: HBO Max

Nia DaCosta herdou uma franquia espinhosa (Extermínio 3: A Evolução) e fez o que poucos diretores teriam coragem: ignorou a fórmula. 

O Templo dos Ossos acompanha dois núcleos paralelos (Spike, preso na seita satânica de Jimmy Crystal, e o Dr. Kelson, que tenta devolver humanidade a um infectado batizado de Sansão), mas o horror aqui vem menos dos zumbis e mais da crueldade organizada dos sobreviventes. 

Ralph Fiennes mistura compaixão científica e desespero contido numa das performances mais empolgantes de sua longa carreira. 

Jack O’Connell compõe um vilão carismático e repulsivo em doses iguais. A fotografia é sombria a ponto de claustrofóbica, e DaCosta dirige com liberdade autoral rara em continuações de franquia. 

Há quem considere o ritmo arrastado. Há quem veja nisso a recusa em alimentar a ansiedade do espectador moderno.

3.

Dead Man’s Wire

Direção: Gus Van Sant
Ano: 2025 (lançamento em janeiro de 2026)
Gênero: Drama, Suspense
Duração: 2h19min
Origem: Estados Unidos
Onde Assistir: Nos Cinemas

Em 1977, Tony Kiritsis entrou no escritório de uma financeira em Indianápolis, amarrou uma espingarda ao pescoço do filho do dono e manteve o homem refém por 63 horas, ao vivo pela televisão. 

Gus Van Sant (que já havia filmado algo semelhante em Elefante) transforma esse episódio em um thriller que avança devagar e aperta o coração sem avisar. 

Bill Skarsgård entrega uma das melhores atuações de sua carreira: um homem furioso, articulado, instável, que fala rápido demais e faz piada no meio do sequestro.

Van Sant filma como se fosse uma mosca na parede (planos longos, cortes secos, recusa do espetáculo), e o roteiro evita a armadilha de transformar Kiritsis em um herói populista. 

O filme traça uma linha clara entre a recessão dos anos 1970 e o capitalismo predatório atual sem sublinhar nada. Com 92% de aprovação no Rotten Tomatoes, o suspense vem agradando público e crítica.

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2.

Devoradores de Estrelas

Direção: Phil Lord e Christopher Miller
Ano: 2026
Gênero: Ficção Científica, Drama
Duração: 2h36min
Origem: Estados Unidos
Onde assistir: Nos Cinemas

Ryan Gosling acorda sozinho numa nave a anos-luz da Terra. Não sabe quem é. Não sabe como chegou ali. Aos poucos, descobre que é a última chance da humanidade contra um microrganismo que devora o Sol. 

Phil Lord e Christopher Miller (de Homem-Aranha no Aranhaverso) adaptam o romance de Andy Weir com ambição visual à altura, mas a alma do filme está em outro lugar: na amizade entre Gosling e Rocky, um alienígena rochoso de cinco patas que se comunica por acordes musicais. 

A relação entre os dois é genuinamente comovente (e engraçada), e Gosling encontra aqui o equilíbrio perfeito entre vulnerabilidade e carisma. Com mais de 500 milhões de dólares em bilheteria mundial, Devoradores de Estrelas prova que existe espaço para blockbusters originais que tratam o espectador como ser pensante.

1.

 A Voz de Hind Rajab

Direção: Kaouther Ben Hania
Ano: 2025 (mas lançado em 2026)
Gênero: Drama, Documentário, Guerra
Duração: 1h29min
Origem: Tunísia / França
Onde Assistir: Filmelier+

Em 29 de janeiro de 2024, uma menina de seis anos chamada Hind Rajab ligou para o Crescente Vermelho palestino de dentro de um carro sob fogo israelense em Gaza. A ligação durou horas. Os voluntários tentaram coordenar uma ambulância. A ambulância foi autorizada. Mas nem tudo saiu como o planejado.

Kaouther Ben Hania (de Quatro Filhas e O Homem que Vendeu sua Pele) constrói o filme inteiro dentro da central de atendimento. A câmera nunca sai dali. A voz de Hind é real (a gravação original, cedida pela família). Mas o rosto dela nunca aparece. É uma escolha estética devastadora: ao negar a imagem, Ben Hania nos obriga a ouvir. E os áudios são pesados. 

Ben Hania recusa a reconstrução da violência, ignora o bombardeio, nega ao espectador qualquer catarse. O filme mostra a burocracia do horror (autorizações que não chegam, telefonemas que se perdem, militares que não respondem) e transporta a impotência dos voluntários para a tela. 

No Festival de Veneza, a ovação durou 23 minutos, batendo o recorde de qualquer festival de cinema da história. Em vários países, a exibição foi proibida ou dificultada. Alguns filmes entretêm, outros provocam e alguns exigem posição. A Voz de Hind Rajab é desta última categoria.

o Caminho Mais Arriscado

O que une esses cinco filmes é a recusa ao piloto automático. Raimi poderia ter feito mais um trabalho de encomenda. DaCosta poderia ter copiado Boyle plano a plano. Van Sant poderia ter entregue um manifesto mastigado sobre desigualdade. Lord e Miller poderiam ter feito mais uma animação segura. Ben Hania poderia ter filmado o bombardeio e colhido o choque fácil. 

Todos escolheram o caminho mais arriscado. 

E é isso que separa um bom ano de cinema de um ano qualquer: cineastas de origens, gêneros e orçamentos radicalmente diferentes convergindo na mesma convicção de que o espectador é inteligente e merece mais do que cenas mastigadas e escolhas fáceis. 

QUER IR ALÉM DA HISTÓRIA?

Os filmes comunicam o tempo todo — na imagem, na cor, no som, na forma como uma cena é construída. Quando você aprende a enxergar isso, sua experiência muda completamente. Você começa a perceber símbolos, mensagens e intenções por trás das cenas.

No curso Uma Luz no Fim do Filme, eu te ensino a enxergar tudo o que os filmes comunicam sem dizer — mesmo que você nunca tenha estudado cinema.

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1 comentário em “Lista: Os 5 melhores filmes de 2026 até agora”

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