Em “Uma Aventura Até a Lua”, uma menina convencida de que uma pedra mágica pode curá-la cruza com um adolescente em fuga numa estação de trem.
Alguns filmes acabam sumindo dos streamings antes de encontrar seu público. Uma Aventura Até a Lua (Moon Rock for Monday, no original) é um deles. O drama australiano estreou em 2021, colecionou prêmios em festivais e, mesmo assim, segue quase invisível por aqui — pouquíssimas pessoas o assistiram, tirando como base o baixíssimo número de votos no IMDb. Agora ele está no streaming, e é o tipo de descoberta que vale ouro.
A história se passa em Sydney, em 1999. Monday (Ashlyn Louden-Gamble) é uma menina de nove anos com uma doença gravíssima, criada longe do mundo e educada em casa. Em vez de se entregar ao tratamento, ela alimenta uma obsessão particular: Uluru, a imensa formação rochosa no coração da Austrália, que a menina apelida de “pedra da Lua”. Está convencida de que chegar até lá e tocá-la pode curá-la da doença. O detalhe inconveniente é a distância — Uluru fica a milhares de quilômetros.

A virada acontece num encontro improvável numa estação de trem. Tyler (George Pullar) é um garoto de rua em fuga da polícia que, a princípio, usa Monday apenas como disfarce para escapar. Aos poucos, a farsa vai dando lugar a uma amizade verdadeira, e os dois caem na estrada rumo ao deserto — enquanto Bob (Aaron Jeffery), o pai de Monday, tenta desesperadamente alcançá-la antes que seja tarde. No papel, a sinopse pode até parecer um road movie de perseguição. Na tela, o diretor Kurt Martin faz outra coisa: enxerga tudo pelos olhos da menina, com a lógica encantada de quem ainda acredita em milagres.
Apesar do tema pesado, o tom do filme surpreende pela leveza. Até os palavrões são substituídos por invenções verbais inofensivas, um detalhe pequeno que reforça uma escolha grande: estamos vendo o mundo filtrado pela imaginação de Monday, e o filme protege essa inocência do começo ao fim.
Este é o longa de estreia de Martin, roteirista e diretor australiano que levou anos para tirar o projeto do papel, filmou na imensidão árida do interior da Austrália e transformou um road movie sobre uma criança doente em algo mais próximo de uma fábula — vários críticos compararam o resultado a uma Alice no País das Maravilhas ambientada no deserto australiano.
Seu talento e esforço foram reconhecidos: o filme passou por festivais como Adelaide, Busan e Schlingel, onde levou o prêmio da crítica internacional (FIPRESCI), foi indicado a Melhor Filme Independente no AACTA — o principal prêmio do cinema australiano — e ainda faturou troféus de roteiro e atuação no circuito local. Os 80% de aprovação no Rotten Tomatoes ajudam a explicar por que quase todo mundo que viu o filme o amou.
O coração de Uma Aventura Até a Lua está na forma como o longa leva a sério a fé de uma criança. Monday nunca pede para ser salva; ela só quer chegar à sua pedra, e a história acompanha esse desejo com uma seriedade que é comovente, sem transformar a esperança dela em piada de qualquer tipo. Para quem topa pegar essa estrada, a recompensa é uma das histórias mais singelas que o cinema independente entregou nos últimos anos.
Uma Aventura Até a Lua está disponível no Prime Video sem custo adicional. Assista antes que saia do catálogo.
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Confira o trailer dublado do filme:
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