The Beatles: Sam Mendes revela primeiras imagens do quarteto

The Beatles: Sam Mendes revela primeiras imagens do quarteto

A Sony aposta alto em estrutura narrativa que Hollywood nunca ousou replicar nessa escala. as primeiras imagens sugerem que Mendes sabe o que está fazendo.

Há uma lógica emocional por trás de como a Sony escolheu revelar as primeiras imagens dos quatros filmes sobre os Beatles. Não foi um trailer. Não foi um press release. Foi um conjunto de postais escondidos dentro das dependências do Liverpool Institute for Performing Arts — a escola de artes dramáticas que Paul McCartney cofundou — que estudantes tiveram que encontrar, fotografar e compartilhar manualmente nas redes sociais.

A revelação foi um ato de caça ao tesouro, uma experiência participativa, um convite para que a audiência se tornasse parte da narrativa desde o momento mais anterior possível. Isso não é marketing por acidente. Isso é a tonalidade do projeto inteiro numa ação.

O que nós vemos, pela primeira vez, são os quatro protagonistas: Paul Mescal como Paul McCartney, Harris Dickinson como John Lennon, Barry Keoghan como Ringo Starr e Joseph Quinn como George Harrison.

Cada postal captura um ator em um registro visual diferente, espelhando diferentes eras da banda. Mescal aparece como um McCartney jovem, situado no ambiente do Cavern Club — o berço mítico onde os Beatles começaram.

Dickinson encarna Lennon em um estilo que remete à segunda metade dos anos 1960, já com a gravidade intelectual que definiu a fase mais madura do grupo. As imagens são sóbrias, compostas com restrição.

Isso importa agora por uma razão muito direta: esta é a primeira vez que a Apple Corps Ltd. concedeu direitos completos de vida e de música para um filme com roteiro baseado nas histórias dos Beatles.

Décadas de tentativas foram barradas pela guarda ciumada que o herdeiro da marca manteve. Peter Jackson conseguiu fazer Get Back porque trabalhou com arquivo real. Mendes está fazendo o que ninguém fez antes: ficção. E a Sony está pagando por isso.

Os números são impressionantes. Cada filme custa aproximadamente US$100 milhões, totalizando mais de US$400 milhões na produção. Todos os quatros filmes estreiam no mesmo mês — abril de 2028 — em uma estratégia que Tom Rothman, presidente da Sony Pictures, descreveu como a primeira “experiência de maratona dos cinemas.”

Quinze meses de filmagem, três a quatro meses por filme, todos realizados consecutivamente em Londres. A logística é absurda. A ambição, mais ainda.

Mas o que realmente distingue este projeto não é o orçamento. É a estrutura.

Quatro filmes serão feitos em projeto ambicioso de Sam Mendes (Foto: Sony)

Mendes concebeu os quatros filmes como um sistema narrativo no estilo de Rashomon — o clássico de Akira Kurosawa de 1950 que mostrou o mesmo evento através de perspectivas contraditórias. Aqui, a aplicação é mais radical: não é um crime visto de ângulos diferentes. É a vida inteira de um grupo narrada quatro vezes, cada vez por um narrador diferente.

Cada filme é completo em si mesmo, mas os quatro juntos formam um retrato que nenhum deles sozinho poderia oferecer. É a forma mais honesta que o cinema já tentou usar para representar uma banda: o reconhecimento de que não existe uma versão da história. Existem quatro.

Mendes não é um diretor que comete erros de escala. Formado em Cambridge, ele construiu uma carreira brilhante no teatro antes de rumar para o cinema. Sua estreia foi o lendário Beleza Americana (1999), que ganhou cinco Oscars incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor.

Mais tarde fez 1917 — que parece ter sido feito em um único plano-sequência de 110 minutos. A marca de Mendes não é um estilo fixo. É uma atenção meticulosa à composição, a longos planos, a enquadramentos que carregam o peso do teatro na mise-en-scène.

Para os Beatles, ele recrutou Greig Fraser como cinematógrafo — o nome que transformou Duna em uma experiência visual que redefiniu a expressividade da luz no cinema e que foi responsável pela fotografia de Batman, um filme que usou sombras com a precisão de um quadro noir.

Fraser não acredita em composições complexas, ele simplifica os enquadramentos para criar imersão.


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Os roteiristas formam um trio que reflete a mesma lógica de excelência. Peter Straughan ganhou o Oscar pelo roteiro de Conclave. Jack Thorne é o responsável pela série Adolescência — que se tornou uma sensação absoluta por sua capacidade de capturar o comportamento humano em tempo real. E Jez Butterworth, que já colaborou com Mendes em Ford vs Ferrari, completa o quadro.

O que as primeiras imagens nos dizem, além do óbvio — que a produção está em andamento e que os atores parecem críveis nas caracterizações — é sobre a intenção tonal do projeto.

Não há excessoa, só uma contenção que sugere que Mendes está mais interessado em humanizar do que em monumentalizar. Os Beatles não são tratados como ícones, mas como pessoas dentro de um momento histórico espetacular.

A pergunta que vale fazer, é se essa contenção vai se sustentar ao longo de quatro filmes. Biopics tendem a se perder na grandiosidade quando o material já é grandioso o suficiente por conta própria.

O risco real para Mendes não é falhar tecnicamente — sua capacidade técnica está além de qualquer suspeita. O risco é sucumbir à narrativa que já existe, convertendo cinema em documentário emocional, e perdendo a oportunidade de mostrar o que ficção pode fazer com material que documentários não conseguem: inventar o interior.

Se Mendes conseguir isso, o que chega aos cinemas em 2028 não é apenas um projeto ambicioso. É uma redefinição de como o cinema conta a história de pessoas reais. E as primeiras imagens, humildes como postais perdidos em um corredor, já mostram que ele está olhando na direção certa.

Paul Mescal vive Paul McCartney em projeto ambicioso de Sam Mendes (Foto: Sony)

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1 comentário em “The Beatles: Sam Mendes revela primeiras imagens do quarteto”

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