O romance cyberpunk de William Gibson — vencedor dos prêmios Hugo, Nebula e Philip K. Dick — vira série com Callum Turner no papel do hacker Case.
O romance Neuromancer, de William Gibson, publicado em 1984 e considerado o texto fundador do cyberpunk, está sendo adaptado para a televisão pela Apple TV+. A série tem 10 episódios, produção iniciada em 1º de julho de 2025 — exatamente no 41º aniversário do livro — e gravações confirmadas em Tóquio, Los Angeles, Istambul, Canadá e Londres.
A estreia está prevista para o segundo semestre de 2026, sem data oficial ainda definida.
O elenco é liderado por Callum Turner (Mestres do Ar) no papel do hacker Henry Case, ao lado de Briana Middleton como Molly, assassina com implantes cibernéticos e olhos espelhados. Completam o elenco Mark Strong, Clémence Poésy, Dane DeHaan, Peter Sarsgaard e Joseph Lee.
A série é uma co-produção da Apple Studios, Skydance Television e Anonymous Content, com participação da produtora DreamCrew Entertainment, do músico Drake.
William Gibson estreou na literatura com Neuromancer em 1984. O livro foi o único da história a vencer a chamada tríplice coroa da ficção científica: os prêmios Hugo, Nebula e Philip K. Dick no mesmo ano.
O termo “ciberespaço”, cunhado por Gibson na obra, entrou para o vocabulário global décadas antes de a internet se tornar rotina. A trilogia Sprawl — composta ainda por Count Zero e Mona Lisa Overdrive — é referência direta para produções como Matrix e Blade Runner 2049.
A adaptação está nas mãos do showrunner Graham Roland (Jack Ryan, Dark Winds) e do diretor JD Dillard (Devotion), responsável ao menos pelo episódio piloto.
Segundo a Apple TV+, a série evitará referências visuais diretas a Matrix — a representação do ciberespaço usará imagens abstratas e multicoloridas em vez da estética de códigos verdes já associada ao filme das Wachowski. William Gibson participa ativamente do desenvolvimento da produção.

A série chega à Apple TV+ depois de décadas de tentativas frustradas de adaptar o romance para o cinema. O desafio é estrutural: Neuromancer constrói seu universo sem explicações, jogando o leitor direto no caos do ciberespaço.
Se a série conseguir reproduzir essa densidade sem afastar o público do streaming, a Apple TV+ terá seu projeto de ficção científica mais ambicioso desde Fundação, de Isaac Asimov.
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Formado em Cinema pela FAAP, Herbert Bianchi é um fervoroso defensor de filmes lentos. Sua experiência morando em Budapeste — perto do cinema de Béla Tarr e das paisagens de Tarkovsky — o levou a fundar o Cinema Guiado em 2023, plataforma onde exerce a nobre função de tradutor do que os filmes comunicam sem dizer.
