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Não sabe o que assistir? 5 filmes novos e empolgantes para ver no streaming

Tem indicado ao Oscar, tem o primeiro filme nigeriano da seleção oficial de Cannes e tem o maior lançamento em espanhol da Netflix do ano. Todos disponíveis em cinco plataformas diferentes para ver agora.

Em seu primeiro fim de semana na Netflix, La Captura somou 18 milhões de visualizações e apareceu entre os filmes mais vistos em 90 países, segundo dados divulgados pela própria plataforma. Poucas semanas depois, A Sombra do Meu Pai, vencedor do Bafta de melhor estreia britânica, entrou no catálogo da MUBI após uma passagem curta pelos cinemas brasileiros.

Os dois filmes ocupam agora o mesmo endereço na vida de quem assiste: a tela de casa, a dois cliques um do outro. Um deles saiu de um estúdio mexicano e alcançou o primeiro lugar do top 10 global. O outro passou por Cannes antes de encontrar um público maior no streaming.

A lista abaixo reúne cinco filmes que chegaram ao catálogo brasileiro nas últimas semanas, cada um em uma plataforma diferente. Um thriller policial mexicano baseado na recaptura de El Chapo, um drama musical que rendeu indicação ao Oscar para Kate Hudson, uma comédia de ação ambientada na Guerra Fria, um filme de sobrevivência australiano com um tubarão de meia tonelada e um drama nigeriano rodado em 16mm nas ruas de Lagos.

5.


La Captura (2026)

thriller policial mexicano dirigido por Chava Cartas, La Captura parte de um dos episódios mais conhecidos da história recente do país e o conta pelo ângulo menos explorado.

Arturo Carmona (Alfonso Herrera) e Héctor Rosales (Noé Hernández) são dois policiais federais em patrulhamento de rotina nas estradas de Sinaloa. Eles interceptam um carro com queixa de roubo e descobrem, dentro dele, Joaquín “El Chapo” Guzmán (Héctor Kotsifakis) e Jorge Iván “El Cholo” Gastélum, em fuga após a Operação Cisne Negro, em Los Mochis. A partir daí, a tarefa dos dois é segurar os dois homens até a chegada de reforços, enquanto pesam sobre eles a possibilidade de um resgate do Cartel de Sinaloa e uma oferta em dinheiro para deixar os prisioneiros escapar.

O roteiro se apoia em crônicas do jornalista Héctor de Mauleón e o filme se apresenta como ficção baseada em fatos reais. O produtor Francisco González Compeán resumiu a origem do projeto numa pergunta: por que ninguém havia contado essa história pelo lado dos agentes? A escolha muda o centro de gravidade do gênero, porque o traficante aparece como obstáculo e não como protagonista.

O filme está disponível na Netflix.

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4.


Song Sung Blue: Um Sonho a Dois (2025)

drama musical norte-americano escrito e dirigido por Craig Brewer (o mesmo de Ritmo de um Sonho), Song Sung Blue: Um Sonho a Dois conta a história real de Mike e Claire Sardina, um casal de Milwaukee que montou uma banda tributo a Neil Diamond chamada Lightning & Thunder.

Mike (Hugh Jackman) trabalha como imitador do cantor Don Ho quando conhece Claire (Kate Hudson), cabeleireira da cidade. Os dois se juntam no palco, depois na vida, e constroem um sucesso de escala local que sustenta a casa e enche salões do Meio-Oeste. O filme acompanha essa subida e as dificuldades que vêm junto, sem tratar a subcultura dos imitadores como piada.

Hudson recebeu por esse trabalho a indicação ao Oscar de melhor atriz na 98ª edição da Academia, sua primeira desde Quase Famosos, em 2001. Ela ganhou ainda o Icon Award no Palm Springs International Film Festival e dividiu com Jackman o musical Tribute Award no Gotham Awards. No Rotten Tomatoes, o filme tem 77% de aprovação da crítica.

Há um detalhe bonito na origem do elenco. Jackman já estava no projeto quando viu Hudson cantando e falando sobre música no programa CBS Sunday Morning, e mandou uma mensagem ao diretor recomendando o nome dela. Hudson contou à NPR que leu o roteiro e quis entrar na hora, e que a experiência da segunda indicação chegou diferente: ela comparou a ter o terceiro filho, quando se absorve tudo de outro jeito.

O filme está disponível no Prime Video.

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3.


Mayday (2026)

Comédia de ação norte-americana dirigida por John Francis Daley e Jonathan Goldstein, a dupla de Jogos Mortais na Vizinhança e Dungeons & Dragons: Honra Entre Rebeldes, Mayday pega a estrutura do filme de espionagem e a vira do avesso.

No auge da Guerra Fria, o tenente Troy “Assassin” Kelly (Ryan Reynolds), piloto da Marinha dos Estados Unidos, é enviado a uma missão secreta em território soviético. A operação fracassa, ele é abatido e se ejeta no meio do inverno russo. Quem o encontra é Nikolai Ustinov (Kenneth Branagh), ex-agente da KGB que vive isolado numa cabana e nutre um fascínio declarado pela cultura pop dos Estados Unidos. A dupla improvável precisa atravessar o país em direção a alguma chance de resgate.

Branagh é o elemento mais elogiado do filme, e com razão: o consenso da crítica no Rotten Tomatoes credita a ele boa parte do que funciona ali. Todd Gilchrist, na Variety, escreveu que chamar Mayday de releitura tardia de Top Gun é um elogio, porque o filme entrega o que aquele público quer.

O filme está disponível no Apple TV.

2.


Tubarão de Guerra (2025)

thriller de sobrevivência australiano escrito e dirigido por Kiah Roache-Turner (Sting: Aranha Assassina), Tubarão de Guerra se passa em 1942, no Mar de Timor.

Um grupo de soldados australianos recém-saídos do treinamento tem a embarcação destruída por caças japoneses e termina à deriva numa jangada improvisada com os destroços do navio, a centenas de quilômetros da costa. Leo (Mark Coles Smith), soldado indígena que carrega uma história pesada envolvendo o irmão, vira o centro moral do grupo. Fome, ferimentos, hostilidade racial entre os próprios companheiros e um tubarão-branco enorme rondando a jangada compõem o quadro.

Roache-Turner contou em entrevistas que se inspirou de longe no afundamento do HMAS Armidale, atacado por aviões japoneses em 1942, embora não tenha baseado o roteiro diretamente no episódio. A decisão de produção que sustenta o filme é outra: o tubarão é um animatrônico de meia tonelada construído por Steve Boyle e a equipe da Formation Effects, operado sobre trilhos submersos para explodir na superfície diante dos atores. Para isso, a produção ergueu um tanque de 40 metros em Brisbane, e o diretor citou Um Barco e Nove Destinos, de Hitchcock, como referência de como filmar mar aberto dentro de um estúdio com neblina.

Funcionou. No Rotten Tomatoes, o filme tem 90% de aprovação da crítica, com 39 resenhas, e John Anderson escreveu no Wall Street Journal que o maior efeito do longa está em fazer o espectador imaginar a si mesmo naquela jangada.

O filme está disponível na HBO Max.

1.


A Sombra do Meu Pai (2025)

drama britânico-nigeriano de estreia de Akinola Davies Jr., A Sombra do Meu Pai se passa num único dia: 12 de junho de 1993, data da eleição presidencial nigeriana que os militares anulariam em seguida.

Remi e Akin (os irmãos Chibuike Marvellous Egbo e Godwin Egbo) vivem com a mãe fora de Lagos e quase não convivem com o pai. Folarin (Ṣọpẹ́ Dìrísù) aparece e aceita levá-los consigo até a capital, onde trabalha. O ônibus fica sem combustível no caminho, os três pegam carona, e na chegada os meninos descobrem que o pai está há seis meses sem receber salário. O dia se estende enquanto ele espera o gerente aparecer, e a cidade vai se fechando em torno deles conforme o resultado da eleição é apagado da televisão.

O filme é semiautobiográfico e Davies trata isso com franqueza. Em entrevista a Bruno Carmelo, do portal Meio Amargo, ele contou que perdeu o pai muito cedo: “Meu pai morreu quando eu tinha 1 ano e oito meses”. Os meninos do filme têm 8 e 12 anos, e boa parte das histórias veio do que a família contava sobre ele, e de como essas histórias mudaram com o tempo.

O filme está disponível na MUBI.

Os cinco filmes chegaram ao Brasil num intervalo de sete semanas, em cinco serviços diferentes, e cada um carrega um tamanho de atenção muito distinto. La Captura entrou com 18 milhões de visualizações no primeiro fim de semana. A Sombra do Meu Pai passou por Cannes, pelo Bafta e por uma temporada curta nas salas brasileiras antes de chegar ao streaming. Tubarão de Guerra estreou em poucos cinemas nos Estados Unidos em outubro do ano passado e só agora aparece por aqui.

No catálogo, essa diferença some. O filme nigeriano premiado e o thriller mexicano de grande público ocupam a mesma altura na tela, com o mesmo tamanho de cartaz, separados por um clique. A escolha deixou de depender do que está em cartaz no shopping mais perto.

Escolha pelo que quer sentir na próxima noite: tensão comprimida em 91 minutos, um casal cantando Neil Diamond em salões do Meio-Oeste, Branagh roubando cena como ex-KGB, uma jangada cercada de água escura ou dois meninos atravessando Lagos ao lado do pai.

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