Filmes de Perseguição Mad Max

Os 10 Melhores Filmes de Perseguição de Todos os Tempos

De Hitchcock a George Miller, a perseguição como linguagem: dez filmes em que fugir é o motor central da trama.

A perseguição existe no cinema desde que o cinema existe. Os irmãos Lumière mal tinham projetado suas primeiras imagens e já havia alguém correndo atrás de alguém num rolo de filme. A razão é simples: o cinema é movimento, e a perseguição é a forma mais pura de movimento com consequência. Alguém foge, alguém caça, e nesse intervalo de velocidade e distância se decide uma vida, uma identidade, um país. Filmes de perseguição, porém, fazem mais do que acelerar. Os melhores transformam a corrida em linguagem. A velocidade vira estilo. O veículo vira personagem. A estrada vira palco e cada curva exige uma decisão que não admite arrependimento.

Quando William Friedkin filmou um carro perseguindo um trem elevado pelo Brooklyn em 1971, criou um vocabulário visual que o cinema de ação inteiro absorveu nas décadas seguintes. Quando George Miller encheu o deserto da Namíbia com 150 veículos em chamas quatro décadas depois, provou que esse vocabulário continua vivo, e cada vez mais radical.

Esta lista reúne dez filmes em que a perseguição define a experiência. Alguns são perseguições físicas em que pneu e asfalto resolvem a questão. Outros são caçadas de inteligência, onde o fugitivo sobrevive porque pensa mais rápido do que quem o persegue. Todos compartilham a urgência como força motriz e a câmera se move porque precisa se mover.

10.


Prenda-me Se For Capaz (2002)

Steven Spielberg pegou a história real de Frank Abagnale Jr., um garoto que antes dos 19 anos se passou por piloto de avião, médico e advogado, e fez dela uma comédia dramática sobre a solidão. Leonardo DiCaprio interpreta Frank com uma alegria que engana o espectador tanto quanto engana os bancos. Do outro lado, Tom Hanks vive o agente do FBI Carl Hanratty, um homem metódico e solitário cuja obsessão pelo caso vai se transformando, aos poucos, em algo parecido com afeto.

A perseguição aqui é esticada por anos e continentes. Spielberg filma os golpes com a leveza de um musical (a sequência de abertura, animada ao estilo dos créditos de Saul Bass, já entrega o tom), mas planta em cada farsa a tristeza de um garoto que só quer que o pai tenha orgulho dele. Christopher Walken, como o pai de Frank, ganhou o Bafta de melhor ator coadjuvante pelo papel. O filme tem 96% de aprovação no Rotten Tomatoes, e a razão é simples: a caçada diverte, mas o que fica é a fragilidade por trás do disfarce.

O filme está disponível na Paramount Plus.

9.


Encurralado (1971)

Um vendedor dirige por uma estrada vazia na Califórnia. Atrás dele, um caminhão-tanque enferrujado começa a pressioná-lo. Primeiro parece rixa de trânsito. Depois vira hostilidade. E então, tentativa de assassinato. O motorista do caminhão nunca mostra o rosto.

Steven Spielberg tinha 24 anos e um orçamento de 450 mil dólares quando filmou Encurralado em 13 dias para a televisão. O resultado é um exercício de suspense tão bom que a Universal decidiu lançá-lo nos cinemas. O ator Dennis Weaver leva o filme sozinho (sozinho mesmo: quase não outros personagens), e a câmera transformou um caminhão no vilão mais ameaçador de 1971.

A sacada é a simplicidade. Nenhuma explicação, nenhum motivo, nenhuma catarse. Só velocidade, sol e medo. Spielberg aprendeu aqui o que aplicaria décadas depois em Tubarão: o que não se vê pode assustar mais do que o que se vê. O filme está disponível para aluguel.

8.


Ronin (1998)

John Frankenheimer fez carreira filmando máquinas em alta velocidade (Grand Prix, de 1966, continua sendo um dos filmes de corrida mais bonitos já feitos), e em Ronin ele aplicou essa obsessão ao thriller de espionagem. Um grupo de ex-agentes de inteligência, todos desempregados depois do fim da Guerra Fria, é contratado para roubar uma maleta misteriosa na França. Ninguém sabe o que tem dentro e ninguém confia em ninguém.

Robert De Niro lidera o elenco como Sam, um ex-agente da CIA que fala pouco e observa tudo. Jean Reno é Vincent, seu equivalente francês. O roteiro de David Mamet funciona como um mecanismo de relojoaria paranoico: cada cena de conversa prepara uma traição, e cada traição prepara uma perseguição.

E as perseguições são o motivo pelo qual o filme está nesta lista. Frankenheimer filmou as sequências em Nice e Paris com pilotos profissionais a mais de 160 km/h, sem efeitos digitais, com os atores dentro dos carros. A perseguição em contramão por um túnel parisiense dura quase cinco minutos e continua sendo citada por cineastas como referência de como filmar velocidade com clareza espacial. O filme está disponível na MGM+.

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7.


O Fugitivo (1993)

Um cirurgião é condenado injustamente pelo assassinato da esposa. Durante o transporte para a prisão, o ônibus capota e ele escapa. A partir dali, o filme é uma máquina de engrenagens girando em direções opostas: Harrison Ford corre para encontrar o verdadeiro assassino, e Tommy Lee Jones corre para encontrar Harrison Ford. Quando as duas engrenagens se cruzam, o filme produz cenas que qualquer pessoa com mais de 40 lembra de cor, entre elas o salto de uma barragem que custou um milhão de dólares e dez semanas de planejamento.

Ford faz um protagonista que quase não fala (o médico calado e determinado virou uma de suas melhores composições), e Tommy Lee Jones ganhou o Oscar de melhor ator coadjuvante pelo delegado federal Sam Gerard, uma figura tão carismática que gerou uma sequência inteira (Os Federais, de 1998) só para ele.

O filme ficou seis semanas em primeiro lugar nas bilheterias norte-americanas e recebeu sete indicações ao Oscar, incluindo melhor filme. No Rotten Tomatoes, mantém 96% de aprovação. A perseguição dura o filme inteiro, e o que a sustenta é que as duas partes estão certas. O filme está disponível na HBO Max.

6.


Em Ritmo de Fuga (2017)

Ansel Elgort interpreta Baby, um motorista de fuga com zumbido crônico no ouvido que usa música para abafar o ruído. O elenco em torno de Elgort funciona como uma banda: Kevin Spacey é o maestro; Jamie Foxx, o instrumento desafinado que ameaça explodir o conjunto; Jon Hamm e Eiza González, a seção rítmica que começa bem e termina em pânico. A abertura, uma perseguição pela cidade de Atlanta ao som de “Bellbottoms” do Jon Spencer Blues Explosion, é uma das sequências de ação mais inventivas do cinema recente.

Três indicações ao Oscar (edição de som, mixagem de som e montagem), uma vitória no Bafta por edição e 92% no Rotten Tomatoes com 86 de média no Metacritic. O filme é, de fato, uma celebração rara de como dirigir um carro e dirigir um filme podem ser o mesmo gesto. O filme está disponível na HBO Max.

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5.


Bullitt (1968)

Antes de Bullitt, perseguições de carro no cinema eram filmadas em estúdio, com projeção traseira e atores sacudindo o volante diante de uma tela. Peter Yates mudou isso. Ele colocou Steve McQueen num Ford Mustang GT 390 verde e um Dodge Charger 440 preto, os soltou nas ladeiras de San Francisco e filmou o resultado a mais de 160 km/h durante três semanas.

O resultado são dez minutos que dividiram a história do cinema de ação em antes e depois. Os carros sobem e descem as colinas, os pneus derrapam no asfalto, e o som dos motores domina a trilha. Yates filmou com câmeras montadas nos para-choques e no painel, uma técnica que dava ao espectador a sensação de estar dentro do carro. McQueen fez parte das cenas de direção pessoalmente, e seu rosto impassível diante do perigo construiu um exemplo que o cinema de ação imitou por décadas. O filme está disponível na HBO Max.

4.


Corrida contra o Destino (1971)

Um ex-policial e ex-piloto de corrida chamado Kowalski aceita uma aposta: entregar um Dodge Challenger branco de Denver a São Francisco antes de segunda-feira. Sem razão clara para a pressa, ele pisa no acelerador e atrai a atenção de todas as viaturas do caminho. Um DJ cego chamado Super Soul (Cleavon Little) acompanha a fuga pelo rádio e transforma Kowalski em herói popular.

Richard C. Sarafian filmou Corrida contra o Destino com um orçamento de 1,5 milhão de dólares, câmeras Arriflex leves (o diretor de fotografia John A. Alonzo as montava em posições improvisadas dentro e fora dos cinco Challengers que a Chrysler forneceu) e 38 dias de filmagem por estradas reais no Colorado, Utah, Nevada e Califórnia. O resultado é um filme que virou objeto de culto e influenciou diretamente Steven Spielberg (que fez Encurralado no mesmo ano, com o mesmo coordenador de cenas de ação, Carey Loftin) e Edgar Wright (que citou Corrida contra o Destino como inspiração para Em Ritmo de Fuga).

O filme está disponível para aluguel.

3.


Operação França (1971)

O detetive Jimmy “Popeye” Doyle (Gene Hackman) e seu parceiro Buddy Russo (Roy Scheider) investigam uma rede de tráfico de heroína que importa droga da França para Nova York escondida dentro de um Lincoln Continental. O caso é real. O filme é baseado no livro-reportagem de Robin Moore sobre a maior apreensão de heroína já feita na cidade até então. William Friedkin filmou tudo como se fosse documentário: câmera na mão, luz natural, atores misturados a pedestres reais nas ruas do Brooklyn.

E então vem a perseguição. Doyle, a pé, vê um atirador contratado (Marcel Bozzuffi) fugir para uma estação de metrô elevado. Ele rouba um carro (um Pontiac LeMans 1971) e persegue o trem por baixo dos trilhos, cruzando sinais vermelhos, batendo em carros estacionados, quase atropelando pedestres. Friedkin filmou parte da sequência sem autorização, com o coordenador Bill Hickman ao volante, a câmera ligeiramente acelerada (18 quadros por segundo em vez de 24, o que torna tudo mais rápido e instável na tela) e colisões que incluíram um acidente real com um carro civil que entrou no set sem saber que havia filmagem.

O resultado são quatro minutos de puro caos. Operação França ganhou cinco dos oito Oscars a que foi indicado: melhor filme, direção, ator (Hackman), roteiro adaptado e montagem. No Rotten Tomatoes, tem 97% de aprovação e 94 de média no Metacritic. A perseguição virou a régua pela qual toda perseguição urbana posterior se mede. O filme está disponível no Disney Plus.

2.


Intriga Internacional (1959)

Alfred Hitchcock inventou um gênero: o homem comum confundido com outra pessoa, perseguido por forças que ele mal compreende, obrigado a correr para sobreviver enquanto descobre a verdade. Intriga Internacional é a versão mais pura e mais divertida desse gênero. Cary Grant interpreta Roger Thornhill, um publicitário de Nova York sequestrado por espiões que o confundem com um agente do governo que, descobre-se, sequer existe.

A partir daí, Thornhill foge da ONU para uma fazenda em Indiana, de Indiana para o Monte Rushmore, passando por um leilão de arte e um trem de luxo. Cada cenário é mais absurdo que o anterior, e Hitchcock filma cada um com a mesma elegância seca. A sequência do avião (um fumegador agrícola que tenta matar Thornhill em um campo vazio, a céu aberto, sem lugar para se esconder) é uma das cenas mais famosas da história do cinema.

Eva Marie Saint interpreta uma mulher cuja lealdade muda de direção a cada cena, e James Mason faz um vilão cuja polidez é mais ameaçadora do que sua arma. O roteiro de Ernest Lehman foi indicado ao Oscar, e o filme tem 97% no Rotten Tomatoes com uma média de 9,5 sobre 10 entre os críticos (e 98 no Metacritic, uma das notas mais altas da história da plataforma). Hitchcock provou que uma perseguição continental, filmada com humor e estilo, podia ser ao mesmo tempo entretenimento popular e obra-prima de linguagem.

O filme está disponível no Prime Video, sem custo adicional.

1.


Mad Max: Estrada da Fúria (2015)

Trinta anos depois do último Mad Max, George Miller voltou com um filme que é, do primeiro ao último minuto, uma perseguição. Max (Tom Hardy) encontra Furiosa (Charlize Theron), que fugiu da Cidadela de Immortan Joe com suas cinco esposas. A fuga logo vira caçada e a caçada vira uma guerra sobre rodas.

Miller gastou 154 milhões de dólares, 150 veículos construídos do zero (dos quais apenas 88 sobreviveram às filmagens), mais de 150 dublês (incluindo acrobatas do Cirque du Soleil amarrados a varas de metal balançando sobre os carros) e o deserto da Namíbia como palco. O resultado é um filme em que 90% dos efeitos são práticos: o que está na tela estava diante da câmera.

O diretor de fotografia John Seale, que saiu da aposentadoria para o projeto, filmou tudo em digital pela primeira vez na carreira, e a montadora Margaret Sixel (que nunca tinha editado um filme de ação) transformou 480 horas de material em duas horas de narrativa visual que quase dispensam diálogo.

Estrada da Fúria ganhou seis dos dez Oscars a que foi indicado (montagem, design de produção, figurino, maquiagem, edição de som e mixagem de som), foi indicado a melhor filme e melhor direção, e mantém 97% de aprovação no Rotten Tomatoes com 90 no Metacritic. O filme provou que a perseguição pode ser a estrutura narrativa completa: começo, meio e fim em cima de um caminhão cruzando o deserto.

O filme está disponível na HBO Max.

Dez filmes, seis décadas de cinema. Quando McQueen acelera pelas ladeiras de São Francisco ou quando Furiosa vira o caminhão de volta para a Cidadela, a velocidade mostra ter tudo o que interessa: motivação, medo, desejo, caráter. A perseguição não permite mentira. A 160 km/h, sob fogo ou sob pressão, só resta o essencial.

Quem assiste a esses filmes entende por que o cinema continua fascinado por carros, estradas e fugas. A perseguição foi o primeiro instinto narrativo da câmera, e continua sendo o mais honesto.

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