Suzume anime

Nesta fantasia japonesa, uma estudante precisa descobrir como salvar seu país de uma série de terremotos

Em Suzume, uma garota de 17 anos atravessa o Japão atrás de um gato mágico, com um jovem transformado em cadeira, para conter o desastre que ela liberou sem querer.

Suzume (2022) é uma animação de fantasia que começa com uma curiosidade de estudante. A caminho da escola, Suzume Iwato cruza com um rapaz que pergunta se existem ruínas por perto, porque está procurando uma porta. Ela indica uma estância termal abandonada nas montanhas e, pouco depois, resolve ir até lá também. No meio dos escombros, encontra uma porta de pé, sozinha, sem parede em volta. Quando a abre, vê do outro lado um campo estrelado que parece ao alcance da mão, mas que devolve Suzume às ruínas toda vez que ela tenta atravessar.

A animação japonesa é de Makoto Shinkai, o diretor de Your Name (2016). Suzume mora com a tia, Tamaki, numa cidadezinha tranquila de Kyushu, no sul do Japão, desde que perdeu a mãe, ainda pequena. Nas ruínas, ela tropeça numa estatueta de pedra, que vira um gatinho de verdade e foge. Na hora do almoço, da janela da sala de aula, Suzume vê uma coluna de fumaça subindo das montanhas, que só ela enxerga. Volta correndo e encontra o rapaz tentando fechar, sozinho, a porta por onde a fumaça escapa.

Ele se chama Souta Munakata e vem de uma família que, há gerações, tranca portas esquecidas em lugares abandonados do Japão. Atrás delas vive uma criatura gigantesca, parecida com um verme, que provoca terremotos quando despenca sobre a terra. A estatueta que Suzume tirou do lugar era uma das pedras que mantinham a criatura presa.

O gato reaparece no quarto de Suzume, agora falando, e transforma Souta na cadeirinha infantil de três pernas em que ele estava sentado, um móvel que a garota guarda desde criança. Começa então uma perseguição pelo país. O gato embarca numa balsa, e Suzume vai atrás, com a cadeira debaixo do braço. Pelo caminho, o bichano vira celebridade na internet com o apelido de Daijin, e as fotos que desconhecidos postam dele passam a servir de pista para a próxima porta aberta.

A viagem também é feita de encontros. Em Ehime, Suzume ajuda uma garota da idade dela, Chika, a recolher laranjas que rolam ladeira abaixo, e acaba dormindo na pousada da família dela. Em Kobe, pega carona com Rumi, dona de um bar, e passa a noite ajudando no atendimento. Conforme a lista de portas cresce, a amizade entre a estudante e a cadeira ganha contornos de romance.

O humor nasce do móvel. Souta corre meio de lado, compensa a perna que falta e salta sobre a roda-gigante de um parque de diversões abandonado. Ao mesmo tempo, o filme abre com Suzume criança, caminhando sozinha à noite por uma cidade em ruínas, à procura da mãe, e volta a esse luto nos intervalos da aventura. Shinkai explicou que, para uma criança, a cadeira é o primeiro lugar que pertence só a ela, uma espécie de castelinho particular, e o apego de Suzume àquela peça de madeira nasce daí.

Com Suzume, Shinkai encerra o que ficou conhecido como sua trilogia dos desastres, iniciada com Your Name. e seguida por O Tempo com Você (2019). Nos dois anteriores, a catástrofe chegava em forma de cometa e de chuva sem fim. Desta vez, o diretor disse que quis retratar diretamente o impacto do terremoto e do tsunami de 2011 no nordeste do Japão, em vez de seguir tratando o tema como metáfora, e que se preocupava com os adolescentes que cresceram sem memória da tragédia. No lançamento japonês, os produtores chegaram a avisar o público de que o filme reproduz alarmes de terremoto realistas.

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O reconhecimento veio também de fora do circuito do anime. Em 2023, Suzume disputou o Urso de Ouro no Festival de Berlim, a primeira animação japonesa na competição principal desde A Viagem de Chihiro (2001), que venceu o prêmio. No ano seguinte, recebeu indicação ao Globo de Ouro de melhor animação.

No Rotten Tomatoes, o filme tem nada menos que 96% de aprovação da crítica, e no IMDb a nota é 7,6. Matt Schley, do The Japan Times, chamou o longa de o trabalho mais satisfatório do diretor até então, embora tenha achado parte dos diálogos clichê. A trilha, mais uma vez, é da banda RADWIMPS, agora em parceria com o compositor Kazuma Jinnouchi.

No centro de tudo está uma garota que passa o filme trancando portas pelo Japão com a cadeira da infância debaixo do braço. Para Shinkai, o gesto de fechar a porta ao sair de casa de manhã resume a rotina, e Suzume trata essa rotina como algo que se reconquista, aos poucos, depois de uma perda.

Suzume está disponível na Netflix e no Disney+.

Confira o trailer:

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