“O Morro dos Ventos Uivantes” chega ao streaming com polêmica garantida

Problemática Adaptação da diretora Emerald Fennell com Margot Robbie e Jacob Elordi chega à HBO Max dividindo opiniões

O Morro dos Ventos Uivantes” chega na HBO Max pouco menos de três meses depois de ocupar as salas de cinema com uma proposta que, dependendo de quem você perguntar, é ou um dos gestos mais ousados do cinema de estúdio recente, ou uma traição confessa ao livro de Emily Brontë. Provavelmente, as duas coisas ao mesmo tempo — e isso já diz muito sobre o tipo de filme que Emerald Fennell fez.

A diretora deixou o aviso desde o título.

O nome do filme aparece entre aspas — uma escolha para sinalizar que não se trata de uma transposição literal, mas de uma leitura própria, subjetiva, declaradamente parcial.

Para quem foi ao cinema esperando fidelidade ao romance de 1847, teve uma ingrata surpresa. Para quem entrou no jogo, o filme oferece outra coisa: uma reimaginação que troca a melancolia contida do original por desejo explícito e muita ambiguidade moral.

A trama se passa nos pântanos de Yorkshire e acompanha o relacionamento intenso e destrutivo entre Heathcliff e Catherine Earnshaw.

Margot Robbie interpreta Catherine e Jacob Elordi, Heathcliff — os amantes condenados no centro da história de Brontë. A paixão entre os dois nasce na infância, sobrevive separações, casamentos e rancores acumulados, e nunca se resolve de forma limpa.

Brontë escreveu uma das histórias de amor mais célebres da literatura inglesa justamente porque ela não tem nada de confortável: o amor aqui destrói quem o sente.


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Fennell amplifica a tensão erótica e psicológica do romance, que ficou em grande parte subentendida nas adaptações anteriores, transformando os pântanos de Yorkshire em um espaço operístico de desejo, poder e vingança.

O elenco de apoio inclui Shazad Latif como Edgar Linton, Martin Clunes como o Sr. Earnshaw, Hong Chau como a governanta Nelly, e Alison Oliver como Isabella Linton.

Fennell já havia demonstrado que não tem interesse em histórias comportadas. Ela chegou a O Morro dos Ventos Uivantes vinda de Saltburn, uma provocação que dividiu plateias de forma parecida.

Antes disso, Bela Vingança (2020) lhe rendeu o Oscar de Melhor Roteiro Original — e estabeleceu uma assinatura reconhecível: personagens com desejos que o mundo preferiria que eles não tivessem, encenados com frieza e beleza visual acima da média.

O Morro dos Ventos Uivantes é o terceiro longa como diretora e mantém a coerência da filmografia: é um filme sobre o que queremos com uma intensidade que não tem saída civilizada.

Entre as referências que Fennell citou publicamente como influências para o filme estão A Matança de Bram Stoker (1992), A Criada (2016) e Donkey Skin (1970) — uma lista que deixa claro que ela não estava pensando em um romance convencional.



A trilha sonora incorpora faixas criadas pela cantora Charli XCX especialmente para o filme, criando um contraste deliberado entre o universo do século XIX e a sonoridade pop contemporânea.

É uma escolha que, sozinha, já divide opiniões — e que Fennell defende como parte da intenção de capturar o que é sentir esse livro pela primeira vez na adolescência, não de reconstituí-lo com precisão histórica.

O filme estreou mundialmente em fevereiro de 2026 e acumulou US$ 241,7 milhões em bilheteria global, tornando-se o quinto maior sucesso de bilheteria do ano até agora.

A recepção da crítica foi mista.

No Rotten Tomatoes, apenas 58% dos críticos avaliaram o filme positivamente, num total de 337 avaliações.

O público também ficou dividido. Há quem considere o filme superficial, um espetáculo visual que confunde erotismo com ousadia. Há quem defenda que essa tensão é justamente o ponto.

O IMDb registra nota 6.1 entre os usuários, o que situa O Morro dos Ventos Uivantes em território neutro — o mesmo, a propósito, que Saltburn.

O Morro dos Ventos Uivantes está disponível exclusivamente na HBO Max.

A questão não é se Fennell foi fiel a Brontë. Claramente não foi — e ela avisou.

A questão é o que resta quando uma diretora com esse histórico pega um dos romances mais densos da literatura inglesa e decide fazer a sua versão. Às vezes sobra pouco. Às vezes sobra algo que o original nunca seria capaz de oferecer. O veredito é seu.

Confira o trailer do filme:

Ficha técnica

Direção: Emerald Fennell | Com Margot Robbie, Jacob Elordi, Hong Chau, Shazad Latif, Alison Oliver, Martin Clunes | Reino Unido/EUA, 2026 | 2h 16min | Disponível na HBO Max

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