5 filmes sobre o vício em apostas e suas terríveis consequências

De um professor que ensina Dostoievski de dia e aposta tudo à noite à história real de um gerente de banco que desviou US$ 10 milhões: cinco filmes em que as apostas cobram um preço alto.

Os apostadores compulsivos no cinema raramente têm o vício em apostas como único problema, as apostas são apenas o sintoma de algo mais fundo: o desejo de arriscar, de provar algo, de estar na frente dos outros. Em tempos de bets dominando as janelas de publicidade na TV, isso é mais relevante do que nunca.

Os cinco filmes desta lista mostram homens que constroem dívidas, destroem relações e tomam decisões cada vez mais indefensáveis, não por falta de inteligência, mas por descontrole emocional dentro de uma lógica que só faz sentido para eles. As histórias desta lista cobrem cinco décadas, de 1974 a 2019, e passam por Nova York, Toronto e Londres.

Um dos filmes é baseado num caso real. Outro deu ao seu ator um personagem que ninguém esperava que ele soubesse fazer.

5.

O Apostador (2014)

O Apostador


Rupert Wyatt, o diretor de Planeta dos Macacos: A Origem (2011), fez um remake de O Jogador (1974) com Mark Wahlberg no papel de Jim Bennett, professor de literatura de Los Angeles com uma dívida de mais de US$ 260 mil junto a uma rede clandestina de jogos de azar. O roteiro é de William Monahan, que escreveu Os Infiltrados, a partir do texto original de James Toback.

Jim usa a própria vida como garantia junto ao credor, Neville Baraka (Michael Kenneth Williams). Em paralelo, desenvolve uma relação com uma aluna, Amy (Brie Larson), e enfrenta a mãe, Roberta (Jessica Lange), que sabe o suficiente para estar preocupada e prefere fingir que não. John Goodman aparece como um agiota com paciência de pai.

O filme divide a crítica (60% no Rotten Tomatoes), mas Wahlberg perdeu mais de 27 quilos para o papel e entrega um desempenho físico e emocionalmente convincente.

Disponível para aluguel.

4.

Crupiê: A Vida em Jogo (1998)

Crupiê - A Vida em Jogo


Mike Hodges, diretor do clássico policial britânico Perseguido pelo Destino (1971), colocou Clive Owen do outro lado da mesa. Jack Manfred (Owen) é um escritor em bloqueio criativo que aceita um emprego como crupiê num cassino de Londres, arranjado pelo pai. O roteiro é de Paul Meyersberg.

A posição de Jack é diferente dos outros quatro personagens desta lista: ele observa os apostadores perderem, vê de perto a mecânica da ruína alheia e, de croupier treinado para não demonstrar emoção, vai sendo gradualmente absorvido pelo ambiente. A atração de uma cliente, Jani (Alex Kingston), o coloca diante de uma proposta de assalto ao próprio cassino.

O filme transformou a carreira de Owen e chegou aos cinemas norte-americanos três anos depois do lançamento britânico, quando uma distribuidora pequena o relançou e o público descobriu. O próprio lançamento tardio virou um caso de marketing estudado em publicações de cinema.

Disponível na Oldflix.

Pare de perder 90% do que os filmes estão comunicando! Assista à primeira aula do curso Uma Luz no Fim do Filme e aprenda a enxergar as pistas e intenções por trás das cenas.

3.

A Queda de um Jogador (2003)

O Jogador


O filme do diretor canadense Richard Kwietniowski é o único da lista baseado numa história real. Dan Mahowny (Philip Seymour Hoffman) era gerente adjunto do Canadian Imperial Bank of Commerce em Toronto quando desviou mais de US$ 10 milhões em 18 meses para financiar o seu vício. O roteiro de Maurice Chauvet parte do livro de Gary Stephen Ross sobre o caso real.

Mahowny viciou-se em apostas aos 12 anos. Nos cassinos de Atlantic City, não jogava para ganhar, mas pela excitação de arriscar. John Hurt interpreta o gerente do cassino que percebe que o cliente é patológico e continua servindo-o assim mesmo. Minnie Driver é a namorada que descobre aos poucos o que está acontecendo.

Hoffman carrega o filme inteiro com uma composição de contenção total: óculos de armação pesada, postura curvada, voz monótona. É um desempenho de ator que escolheu não sublinhar nada.

O crítico Roger Ebert nomeou o filme entre os dez melhores de 2003.

Disponível para aluguel.

2.

O Jogador (1974)

O Jogador


Karel Reisz, cineasta tcheco-britânico que havia dirigido Um Grito de Liberdade (1960), fez com O Jogador o seu primeiro filme nos Estados Unidos. Axel Freed (James Caan) é professor de literatura em Nova York, especialista em Dostoievski, e acumula dívidas de apostas com a máfia local. O roteiro é de James Toback, adaptação livre do romance O Jogador (1866) do próprio Dostoievski.

Axel pressiona a mãe, o avô e quem mais estiver por perto para cobrir as dívidas, enquanto aposta quantias cada vez maiores. A ironia do personagem está na clareza: Axel conhece Dostoievski, conhece a literatura do desespero, e ainda assim não encontra saída. Paul Sorvino e Lauren Hutton integram o elenco de apoio.

Caan recebeu uma indicação ao Globo de Ouro pelo papel. Roger Ebert deu ao filme a pontuação máxima de quatro estrelas. O filme serviu de base para o remake O Apostador (2014).

Disponível na Filmicca.

1.

Joias Brutas (2019)

Joias Brutas


Josh Safdie e Benny Safdie fizeram Joias Brutas com produção da A24 e produção executiva de Martin Scorsese. Howard Ratner (Adam Sandler) é dono de uma joalheria no Distrito dos Diamantes de Manhattan, em 2012, e aposta em tudo ao mesmo tempo: em jogos, em uma pedra preciosa vinda da Etiópia, em negociações com o astro da NBA Kevin Garnett (que aparece como ele mesmo) e em cada novo prazo que consegue junto a cobradores cada vez mais impacientes.

A fotografia é de Darius Khondji e a trilha é de Daniel Lopatin. Os Safdie usam sobreposição de vozes, cortes rápidos e câmera próxima para construir uma textura de pressão constante que nunca cede. Howard mente, manipula e toma decisões terríveis com o mesmo sorriso de vendedor experiente, e Sandler dá ao personagem um carisma que torna cada nova catástrofe fascinante de assistir. O papel foi considerado por muitos críticos a melhor atuação da carreira do ator.

Disponível na Netflix.

A lista cobre cinco décadas de cinema sobre o mesmo vício e chegou a cinco conclusões parecidas: a aposta compulsiva (sobretudo em tempos de bets anunciando sem nenhum limite) é uma forma de autoconhecimento destrutivo.

O que cada apostador busca na mesa não é só dinheiro, é a sensação de estar na frente, no controle. Algo ilusório e que cobra um preço alto.

Quer ir mais fundo? O Cinema Guiado publica artigos sobre cinema todos os dias, com o olhar de quem enxerga além da história. Assine a newsletter e receba conteúdos como este no seu e-mail.

Que tal ver o próximo filme com som de verdade? Se quiser dar um upgrade na sua experiência, a Soundbar JBL Cinema SB180, é a melhor opção com o menor preço no mercado. Compre com desconto clicando aqui.

Quando você compra usando nossos links, você apoia o Cinema Guiado e isso não afeta a nossa independência editorial.

Rolar para cima