Bugonia

5 ótimos filmes de ficção científica que estão no streaming

De Pandora a Marte, do loop de batalha ao sequestro conspiracionista: 5 ficções científicas de estilos diferentes para você ver no streaming.

Cinco filmes, cinco distopias muito diferentes. Bugonia é uma comédia de conspiração alienígena. Avatar: Fogo e Cinzas é um épico de mais de US$ 1 bilhão em bilheteria. Perdido em Marte é um filme de sobrevivência com humor. Resistência se passa em 2070, numa guerra entre humanos e inteligência artificial. No Limite do Amanhã faz um soldado reviver o mesmo dia de batalha, repetidamente, até acertar. O que os une não é um tema: é a qualidade de cada um deles ter boas razões para existir além dos efeitos visuais. Todos estão disponíveis agora no streaming.

A lista vai do quinto ao primeiro, em ordem crescente de recomendação.

5.

Bugonia (2025)

Bugonia


Yorgos Lanthimos adapta o cult sul-coreano Salvem o Planeta Verde! (2003, de Jang Joon-hwan) e o transforma em algo diferente, mas com o mesmo espírito torto e fascinante do original.

Teddy Gatz (Jesse Plemons), apicultor obcecado por teorias da conspiração, convence o primo Don (Aidan Delbis) a sequestrar Michelle Fuller (Emma Stone), CEO do conglomerado farmacêutico Auxolith. Para Teddy, ela é uma alienígena disfarçada prestes a destruir a Terra. Os dois trancam Michelle no porão e o que segue é uma batalha psicológica que vai ficando cada vez mais estranha.

O roteiro é de Will Tracy, e a parceria de Stone com Lanthimos, já na quarta colaboração depois de A Favorita (2018), Pobres Criaturas (2023) e Tipos de Gentileza (2024), produz mais uma composição física e arriscada. A CEO de cabeça raspada interrogada num porão é uma das imagens mais inesperadas do cinema de 2025.

O filme estreou na competição principal do Festival de Veneza de 2025 e recebeu 4 indicações ao Oscar na 98ª edição (2026): Melhor Filme, Melhor Atriz, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Trilha Sonora.

Disponível no Prime Video.

4.

Avatar: Fogo e Cinzas (2025)

Avatar Fogo e Cinzas


James Cameron entrega o terceiro capítulo da saga de Pandora. Depois da guerra contra a RDA e da morte do filho mais velho, Jake Sully (Sam Worthington) e Neytiri (Zoe Saldaña) enfrentam uma ameaça inédita: o Povo das Cinzas, tribo Na’vi que habita a região vulcânica de Pandora, liderada pela implacável Varang (Oona Chaplin). Cameron declarou publicamente que queria explorar personagens menos idealizados neste capítulo, e o Povo das Cinzas carrega essa intenção.

A crítica ficou dividida (66% de aprovação no Rotten Tomatoes), mas o público não: mais de US$ 1,4 bilhão em bilheteria, terceira maior arrecadação de 2025. O filme venceu o Oscar de Melhores Efeitos Visuais na 98ª edição (2026) e recebeu duas indicações ao Globo de Ouro de 2026, incluindo Conquista Cinematográfica e de Bilheteria.

O elenco ainda traz Sigourney Weaver no papel de Kiri, a filha adotiva do casal.

O filme está disponíve no Disney+.

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3.

Perdido em Marte (2015)

Perdido em Marte


Ridley Scott e Matt Damon chegaram a um sci-fi de sobrevivência com algo raro para o gênero: o humor nasce do personagem, não de situações construídas para aliviar a tensão. Mark Watney (Damon) é um botânico da NASA deixado para morto em Marte após uma tempestade. Ele sobrevive, mas sozinho, com suprimentos limitados, a milhões de quilômetros de casa. A partir daí, Scott e o roteirista Drew Goddard, a partir do romance de Andy Weir, fazem do improviso científico o motor da narrativa.

O humor de Watney, que chama a si mesmo de “o maior botânico de Marte”, percorre o filme do início ao fim. O elenco de suporte, com Jessica Chastain como comandante da missão, Chiwetel Ejiofor e Jeff Daniels em Houston, ancora a história no que acontece do outro lado. O filme recebeu 7 indicações ao Oscar na 88ª edição (2016), incluindo Melhor Filme e Melhor Ator para Damon, e venceu o Globo de Ouro de Melhor Filme Cômico ou musical.

Disponível no Disney+.

2.

Resistência (2023)

Resistência


Gareth Edwards (Rogue One: Uma História Star Wars) filmou em 8 países e mais de 80 locações, usando paisagens reais como pano de fundo para um futuro construído digitalmente com orçamento de US$ 80 milhões, valor que para o gênero é excepcionalmente enxuto. Em 2070, Joshua (John David Washington) é um ex-agente das forças especiais contratado para eliminar o arquiteto de uma IA avançada que criou uma arma com poder de encerrar a guerra entre humanos e robôs. Quando ele encontra a arma, ela tem o rosto de uma criança.

A criança, Alfie (Madeleine Yuna Voyles, em sua estreia profissional), muda o eixo moral do filme. O roteiro de Edwards com Chris Weitz força Joshua a uma decisão que o filme nunca resolve com facilidade. A fotografia é de Greig Fraser, vencedor do Oscar por Duna, e a trilha é de Hans Zimmer.

Edwards filma arroz, templos e asfalto asiático ao lado de drones militares e robôs humanoides, e o contraste funciona. O filme recebeu indicação ao Oscar de Melhores Efeitos Visuais na 96ª edição (2024).

Disponível na Netflix.

1.

No Limite do Amanhã (2014)

No Limite do Amanhã


Doug Liman pegou um conceito que vem direto da lógica de videogame, o soldado que revive o mesmo nível toda vez que morre, acumulando habilidade a cada tentativa, e construiu com ele um thriller de ação rigoroso e sem gordura. O Major Bill Cage (Tom Cruise) nunca esteve em combate quando é rebaixado e jogado na linha de frente contra os Miméticos, alienígenas que invadiram a Europa. Ele morre. E então começa tudo de novo.

O roteiro de Christopher McQuarrie, Jez Butterworth e John-Henry Butterworth, baseado no romance japonês All You Need Is Kill de Hiroshi Sakurazaka, constrói com cuidado cada implicação do loop temporal: o que Cage aprende, como ele usa o tempo, onde a repetição começa a pesar de verdade. Emily Blunt como a soldada Rita Vrataski é o contrapeso, mais experiente e menos sentimental que Cage, e a dinâmica entre os dois carrega o filme inteiro.

Com 90% no Rotten Tomatoes, permanece tão eficiente na quarta revisão quanto na primeira.

Disponível na HBO Max.

Cinco filmes, cinco abordagens bem distintas para o mesmo gênero.

Lanthimos usa a ficção científica como moldura para uma sátira filosófica. Cameron empurra os limites técnicos até onde a tecnologia atual alcança. Scott encontra no humor uma chave para a sobrevivência de um astronauta sozinho num planeta hostil. Edwards demonstra o que é possível fazer com imaginação e orçamento controlado. Liman constrói uma máquina narrativa que funciona com consistência do começo ao fim.

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