Oscar Bait

5 filmes ‘Caça-Oscar’ que não conseguiram estatueta nenhuma

Embora alguns filmes feitos para ganhar o Oscar tenham se saído bem no palco da maior premiação do cinema, outros foram desmascarados sem piedade e fracassaram de forma retumbante.

O “Caça-Oscar (conhecido em Hollywood como Oscar Bait) é praticamente um subgênero cinematográfico por si só. É aquele filme que segue uma receita tão engessada e previsível que você quase consegue ver o diretor e os produtores ticando os itens em uma prancheta durante as filmagens.

Para um filme ser considerado um verdadeiro “Caça-Oscar”, ele costuma gabaritar a seguinte lista:

  • Cinebiografia Relevante;
  • Transformação Física Impressionante;
  • Monólogo Catártico;
  • Sutileza de uma Bigorna;
  • Trailer Melancólico.

E, claro, o filme precisa estrear estrategicamente na última semana de novembro ou em dezembro. Lançar no começo do ano? Jamais. A Academia tem a memória de curto prazo de um peixinho dourado.

Quando a Conta Chega (e o Oscar não)

O truque às vezes funciona e o elenco vai para casa precisando de um carrinho de mão para carregar as estatuetas. Mas, quando o feitiço vira contra o feiticeiro, testemunhamos uma das coisas mais tragicômicas do entretenimento.

Um estúdio gasta 100 milhões de dólares em figurinos de época. O protagonista passou oito meses sem sair do personagem para interpretar um sapateiro do século XIX. A trilha sonora conta com violinos tão depressivos que fariam uma pedra chorar. O ego de todo mundo está inflado ao máximo.

Aí chega o dia do anúncio das indicações… e zero Oscar. O baque é ensurdecedor.

O filme não apenas sai de mãos vazias, como a crítica desmascara a “falsidade transparente” em poucas horas de exibição. O público revira os olhos. E o pior: aquele ator que sacrificou a própria saúde pela arte tem que dar entrevistas com um sorriso amarelo.

No fim das contas, o filme “Caça ao Oscar que dá errado é como aquele colega de trabalho que ri alto e forçado demais das piadas sem graça do chefe: o desespero por aprovação é óbvio, ninguém compra a sinceridade, e o constrangimento coletivo é visível.

1.

Maestro (2023)

Dir. Bradley Cooper

Bradley Cooper em ‘Maestro’ (2023)

‘Maestro’ (2023) é o exemplo definitivo do que Hollywood chama de “Caça ao Oscar”. Assumindo as rédeas da direção, roteiro, produção e papel principal, Bradley Cooper transformou o longa em uma verdadeira carta de desespero por aprovação. A vontade de levar a estatueta dourada para casa era tão palpável que a história de Leonard Bernstein acabou ficando em segundo plano, ofuscada pela necessidade constante de o filme provar a sua própria grandiosidade a cada cena.

Para garantir sua vaga nas premiações, a obra apelou para absolutamente todos os clichês do subgênero. Cooper adotou uma controversa prótese nasal, filmou partes do longa em um melancólico preto e branco e garantiu que toda a imprensa soubesse do seu “esforço hercúleo”, como os seis anos que passou aprendendo a reger uma orquestra apenas para gravar uma única cena.

A ironia dessa odisseia egóica veio na noite do Oscar, quando o filme, mesmo com sete fortes indicações, voltou para casa de mãos vazias. Todo o sacrifício e a maquiagem pesada foram derrotados pela atuação sutil e contida de Cillian Murphy em ‘Oppenheimer’.

2.

Casa Gucci (2021)

Dir. Ridley Scott

Lady Gaga e Adam Driver em ‘Casa Gucci’ (2021)

‘Casa Gucci’ (2021) é outro exemplo, um filme que desfila de forma extravagante diversos sotaques italianos questionáveis. Dirigido pelo lendário Ridley Scott, o longa prometia ser um épico criminal de traição, luxo e assassinato, mas a sensação para quem assistia era a de que a coesão do roteiro importava menos que criar clipes dramáticos isolados, feitos sob medida para serem exibidos nos telões das cerimônias de gala.

A campanha promocional do longa foi um espetáculo de “atuação de método” tão bizarro que merecia um documentário próprio. De um lado, Lady Gaga garantiu à imprensa com a maior seriedade do mundo que viveu com o sotaque de Patrizia Reggiani por nove meses ininterruptos, contratou uma enfermeira psiquiátrica de plantão e estudou o comportamento de panteras selvagens para compor a personagem. Do outro, Jared Leto usou tantos quilos de próteses faciais que ficou irreconhecível como Paolo Gucci, entregando uma performance caricata que parecia uma imitação de vilão do Super Mario. Foi o ápice do Oscar Bait: a crença absoluta de que maquiagem pesada, sofrimento autoinfligido e declarações excêntricas em talk shows garantiam o bilhete premiado para a glória.

Mas, assim como na mais fina e dramática tragédia italiana, a monumental “Caça ao Oscar” terminou em um retumbante choque de realidade. Quando a manhã das indicações chegou, a Academia simplesmente ignorou o filme nas categorias principais, deixando Lady Gaga de fora da corrida de Melhor Atriz. Casa Gucci conseguiu apenas uma solitária indicação de consolação em Maquiagem e Penteado, e obviamente voltou para casa de mãos abanando.

3.

Cats (2019)

Dir. Ridley Scott

Taylor Swift em ‘Cats’ (2019)

‘Cats‘ (2019) é um dos casos mais fascinantes de “Caça-Oscar” porque ele não apenas falhou na sua missão, como colapsou em um buraco negro de constrangimento cinematográfico. O estúdio tinha certeza de que estava segurando a estatueta de Melhor Filme. Afinal, a direção era de Tom Hooper (o então queridinho da Academia por O Discurso do Rei), a base era um dos musicais mais icônicos da Broadway, o lançamento foi programada estrategicamente para a reta final do ano e o elenco contava com lendas como Judi Dench e Ian McKellen.

Para tentar garantir o selo de prestígio, o longa decidiu ignorar os figurinos clássicos do teatro e apostar na infame “tecnologia de pelagem digital”. O resultado foi um desfile de felinos bizarros. Mesmo no meio desse pesadelo visual, a cartilha do Oscar Bait foi seguida à risca: Jennifer Hudson foi escalada para entregar o momento catártico, em uma tentativa desesperada de replicar a vitória de Anne Hathaway no musical anterior do diretor. Tudo isso enquanto atores shakespearianos engatinhavam pelo chão e esfregavam os rostos uns nos outros com uma seriedade constrangedora.

Quando a temporada de premiações começou, o inevitável aconteceu. A Academia olhou para aquele espetáculo de horror e virou às costas. Ao invés da glória, Cats fez a limpa no Framboesa de Ouro (o prêmio dos piores do ano).

4.

J. Edgar (2011)

Dir. Clint Eastwood

Leonardo DiCaprio em ‘J. Edgar’ (2011)

Com o ícone de Hollywood Clint Eastwood dirigindo Leonardo DiCaprio em uma cinebiografia dramática sobre J. Edgar Hoover, J. Edgar foi concebido e comercializado como um natual candidato ao Oscar. Embora DiCaprio tenha se saído bem, grande parte do restante do filme se mostrou pouquíssimo inspirada.

Com uma narrativa confusa e momentos dramáticos fracos demais, o filme não explorou as profundezas sombrias de Hoover e como ele abusou do poder. O resultado? J. Edgar foi um fracasso de bilheteria, não recebeu nenhuma indicação ao Oscar e passou a ser visto como um dos poucos tropeços da ilustre carreira do velho Clint.

5.

Alexandre (2004)

Dir. Oliver Stone

Angelina Jolie e Colin Farren em ‘Alexandre’ (2004)

Dos adorados clássicos das décadas de 50 ao reaquecimento do gênero nos anos 90, os filmes de espada e sandálias raramente encontram dificuldades para conquistar uma estatueta. Com isso em mente, parecia certo que Alexandre faria sucesso na cerimônia de 2005. Mas não foi o que aconteceu.

Com um elenco estelar, que inclui Angelina Jolie e Anthony Hopkins, e sob a direção do aclamado Oliver Stone, o drama biográfico retratou as poderosas conquistas do famoso líder militar Alexandre, o Grande (vivido por Colin Farrell).

O filme, no entanto, não recebeu sequer uma indicação ao Oscar e foi amplamente criticado por uma narrativa que se arrastava ao longo de longuíssimos 175 minutos de duração.


Em última análise, a grande lição que a “Caça ao Oscar nos ensina é que o desespero por aprovação tem um cheiro peculiar, e tanto o público quanto a Academia conseguem senti-lo a quilômetros de distância. Seja através de uma prótese nasal exaustivamente divulgada, sotaques italianos que beiram a caricatura ou pelos digitais saídos de um pesadelo febril, Hollywood continua tentando engarrafar a fórmula do prestígio em planilhas de estúdio.

No entanto, quando a obsessão pela estatueta dourada engole a sinceridade da narrativa, o filme deixa de ser arte para se tornar apenas um outdoor bonito, mas vazio. Essas produções provam, ano após ano, que originalidade não pode ser fabricada, e que um choro ensaiado na chuva, por mais suor e látex que envolva, nunca será capaz de comprar o coração da audiência.

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