A tríade sagrada do Oscar permanece inalcançada desde 1991. Vamos entender o que significa vencer O “BIG FIVE”.
Existe um clube exclusivo em Hollywood. Para entrar, seu filme precisa vencer Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator, Melhor Atriz e Melhor Roteiro numa mesma noite. Em 97 cerimônias do Oscar, apenas três produções conseguiram. Desde 1991, ninguém sequer chegou perto.
Os chamados “Big Five” — ou “Cinco Grandes” — representam as categorias que a Academia considera fundamentais: as premiações que reconhecem a visão do diretor, a força das performances principais, a qualidade da escrita e a excelência do conjunto.
São os prêmios “above the line”, o jargão hollywoodiano para os talentos criativos principais de uma produção. Ganhar todos eles é estatisticamente improvável e artisticamente raro. Dos 44 filmes que conseguiram indicações nas cinco categorias ao longo da história, 41 falharam em completar a varredura.
Os três imortais

Aconteceu Naquela Noite (1934) foi o primeiro. A comédia romântica de Frank Capra, produzida pela Columbia Pictures com um orçamento modesto de 250 mil dólares durante a Grande Depressão, conta a história de uma herdeira mimada que foge de casa e encontra um repórter cínico num ônibus rumo a Nova York. Clark Gable e Claudette Colbert protagonizam.
Nenhum dos dois queria o papel — Gable estava sendo punido pela MGM, que o emprestou à Columbia como castigo, e Colbert aceitou apenas por dinheiro rápido. O filme arrecadou 2,5 milhões de dólares, virou fenômeno cultural e inaugurou o gênero que seria conhecido como “screwball comedy”.
Na cerimônia de 1935, Capra subiu ao palco para receber o prêmio de Melhor Diretor. Gable levou Melhor Ator. Colbert — que nem planejava comparecer e foi arrancada de um trem para Los Angeles minutos antes da premiação — ganhou Melhor Atriz. Robert Riskin venceu por Melhor Roteiro Adaptado.
E o filme conquistou a estatueta principal. Era a primeira vez que isso acontecia. Ninguém imaginava que levaria 41 anos para se repetir.

Um Estranho no Ninho (1975) quebrou o jejum. O drama de Miloš Forman sobre um criminoso que finge insanidade para escapar da prisão e acaba internado num hospital psiquiátrico tinha tudo para fracassar.
Ken Kesey, autor do romance original, odiou a adaptação e nunca assistiu ao filme. O projeto passou mais de uma década em desenvolvimento. Kirk Douglas tentou produzi-lo nos anos 1960, desistiu e passou os direitos para o filho, Michael Douglas, que ainda não era uma estrela.
Na noite do Oscar, Forman derrotou Robert Altman (Nashville), Stanley Kubrick (Barry Lyndon), Sidney Lumet (Um Dia de Cão) e Steven Spielberg (Tubarão).
Jack Nicholson venceu seu primeiro Oscar como o rebelde McMurphy. Louise Fletcher, numa performance que renderia uma das vilãs mais memoráveis do cinema, levou Melhor Atriz como a enfermeira Ratched. Bo Goldman e Lawrence Hauben dividiram o prêmio de Roteiro Adaptado.
E o filme foi consagrado. Hoje está preservado no National Film Registry da Biblioteca do Congresso americano e ocupa a 33ª posição na lista dos 100 melhores filmes do American Film Institute.

O Silêncio dos Inocentes (1991) completou a trinca — e provou que a Academia podia abraçar o terror. O thriller de Jonathan Demme sobre uma agente do FBI que consulta um psiquiatra canibal para caçar um serial killer estreou em fevereiro de 1991, mais de um ano antes da cerimônia do Oscar.
Filmes de terror raramente são levados a sério pela Academia. Filmes lançados no início do ano quase nunca sobrevivem à maratona de campanhas do fim do calendário. O Silêncio dos Inocentes simplesmente ignorou ambas as convenções.
Anthony Hopkins aparece em tela por apenas 16 minutos. Foi suficiente para criar Hannibal Lecter, um dos vilões mais icônicos da história do cinema, e render o Oscar de Melhor Ator — a segunda menor presença em tela a vencer a categoria.
Jodie Foster, que já havia vencido por Os Acusados em 1989, levou seu segundo prêmio, como Clarice Starling. Ted Tally venceu por Roteiro Adaptado. Demme foi consagrado diretor. E o filme arrematou a noite com Melhor Filme, tornando-se apenas o terceiro terror a sequer ser indicado na categoria e o único a vencer.
Desde então, ninguém repetiu o feito. São 34 cerimônias consecutivas sem um novo membro do clube.
Por que é tão difícil?
A matemática conspira contra. Para vencer os Big Five, um filme precisa ter um casal protagonista — ou pelo menos papéis masculinos e femininos fortes o suficiente para competir nas categorias de atuação. Isso já elimina a maioria das produções. Dramas de guerra costumam ser centrados em homens. Romances frequentemente privilegiam uma perspectiva. Thrillers raramente equilibram os gêneros.
Além disso, os votantes da Academia tendem a dispersar seus votos. Quando um filme domina as indicações, há uma reação natural de premiar a diversidade. A tendência é distribuir estatuetas entre várias produções, garantindo que diferentes visões artísticas sejam reconhecidas. Varrer uma categoria após outra exige não apenas excelência absoluta, mas ausência de competição forte — uma combinação raríssima.
Há também a questão do timing. O Silêncio dos Inocentes foi lançado em fevereiro e manteve sua presença cultural por mais de um ano. Hoje, com ciclos de atenção cada vez mais curtos e campanhas de premiação cada vez mais intensas, é quase impossível que um filme de início de ano chegue ao Oscar com o mesmo ímpeto.
Os que chegaram perto
Vários filmes conquistaram quatro dos cinco prêmios. E O Vento Levou… (1939) venceu Filme, Diretor (Victor Fleming), Atriz (Vivien Leigh) e Roteiro, mas perdeu Ator para Robert Donat em Adeus, Mr. Chips. Rede de Intrigas (1976) levou Ator (Peter Finch), Atriz (Faye Dunaway), Atriz Coadjuvante (Beatrice Straight) e Roteiro Original — mas perdeu Filme e Diretor para Rocky – Um Lutador.
Em 2025, Anora chegou com seis indicações e saiu com cinco prêmios, incluindo Filme, Diretor (Sean Baker), Atriz (Mikey Madison), Roteiro Original e Montagem. Não venceu os Big Five porque não tinha indicação em Melhor Ator — Yura Borisov concorreu apenas como Coadjuvante.
Mas Sean Baker fez história de outra forma: tornou-se a primeira pessoa a ganhar quatro Oscars numa mesma noite pelo mesmo filme (Filme, Diretor, Roteiro e Montagem), igualando um recorde que pertencia a Walt Disney desde 1954 — embora Disney tenha vencido por projetos diferentes.

O novo recorde: TUDO EM TODO LUGAR AO MESMO TEMPO
Se os Big Five medem a excelência tradicional, a cerimônia de 2023 provou que existem outras formas de dominância. Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo, o delírio audiovisual dos Daniels sobre uma imigrante chinesa dona de lavanderia, conquistou sete Oscars — incluindo seis nas categorias “above the line”: Filme, Diretor, Atriz (Michelle Yeoh), Ator Coadjuvante (Ke Huy Quan), Atriz Coadjuvante (Jamie Lee Curtis) e Roteiro Original.
Nenhum filme na história havia vencido seis prêmios “above the line”. O recorde anterior era justamente cinco — dos três membros do clube dos Big Five. Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo expandiu a definição ao incluir as categorias de coadjuvantes, criando uma nova marca que pode ser ainda mais difícil de superar.
O filme também estabeleceu outros recordes: primeiro a vencer três prêmios de atuação mais Filme e Diretor; primeiro vencedor de Melhor Filme a ganhar mais de um Oscar de atuação desde Menina de Ouro em 2004; maior vencedor na era da cédula preferencial (desde 2009).
Michelle Yeoh tornou-se a primeira mulher asiática a vencer Melhor Atriz. Ke Huy Quan, o garoto de Os Caçadores da Arca Perdida e Os Goonies, completou um dos retornos mais triunfais da história de Hollywood após décadas longe das telas.
O que os Big Five revelam sobre o Oscar
A existência dos Big Five como conceito diz algo sobre como a indústria hierarquiza o cinema. As categorias técnicas — fotografia, som, edição, figurino — são tratadas como importantes, mas secundárias. Os prêmios de atuação coadjuvante ficam num limbo intermediário. Mas Filme, Diretor, Ator, Atriz e Roteiro são vistos como a essência do que faz um filme funcionar: a história, quem a conta e quem a interpreta.
É uma visão discutível. Muitos argumentam que fotografia e montagem são tão fundamentais quanto direção. Que trilha sonora pode transformar uma cena medíocre em inesquecível. Que figurino e design de produção constroem mundos inteiros. Mas a Academia, consciente ou não, estabeleceu uma hierarquia — e os Big Five são seu ápice.
Dos 44 filmes indicados nas cinco categorias desde 1934, oito não venceram nenhum dos prêmios principais apesar das indicações. A lista inclui produções como Quem Tem Medo de Virginia Woolf? (1966), que tinha 13 indicações e saiu com cinco Oscars — mas nenhum dos Big Five. Ou Bonnie e Clyde (1967), derrotado em todas as categorias principais apesar de revolucionar a linguagem do cinema.
Será que veremos um quarto membro?
A estrutura do cinema contemporâneo dificulta. Dramas de prestígio frequentemente são liderados por um único protagonista, eliminando a possibilidade de competir em Ator e Atriz simultaneamente. As plataformas de streaming fragmentaram a audiência, tornando mais difícil o tipo de consenso cultural que impulsionou os três vencedores históricos.
Além disso, a Academia expandiu a categoria de Melhor Filme para até dez indicados, diluindo os votos e tornando varreduras menos prováveis. A última vez que um filme venceu mais de seis Oscars foi Quem Quer Ser um Milionário em 2009, com oito — mas nenhum de atuação principal.
Ainda assim, as condições para um novo membro do clube existem. Basta um filme com dois protagonistas igualmente fortes, um diretor visionário, um roteiro impecável e a sorte de não enfrentar competição feroz nas categorias de atuação.
Aconteceu Naquela Noite, Um Estranho no Ninho e O Silêncio dos Inocentes não tinham nada em comum além da excelência — uma comédia romântica, um drama institucional e um thriller de terror. O próximo pode vir de qualquer gênero.
Ou talvez nunca venha. Talvez três seja o número mágico, e o clube permaneça fechado para sempre.
O que você acha? Comenta aí embaixo.
Herbert Bianchi é diretor e roteirista formado em Cinema pela FAAP. Foi indicado ao Prêmio Shell em 2017 e conta com mais de 15 anos atuando em cinema e teatro. Em 2023, criou o Cinema Guiado, um projeto dedicado à curadoria de bons filmes e à compreensão da linguagem cinematográfica.

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