Em Sobrevivência, um candidato a prefeito precisa pagar o resgate do filho com um dinheiro que já gastou na campanha. Veja se vale a sessão e o que esperar.
Sobrevivência (2026) entrou no catálogo da Netflix nesta sexta-feira, 9 de outubro, e marca a volta de Ben Affleck à direção depois de três anos. Desde Air: A História Por Trás do Logo (2023) ele vinha trabalhando como ator e produtor, e agora acumula as funções de diretor, roteirista e protagonista.
O suspense norte-americano chega cercado de expectativa e de más notícias. As críticas saíram na véspera da estreia e deixaram o filme abaixo dos 40% de aprovação no Rotten Tomatoes, uma faixa em que, entre os longas dirigidos por Affleck, só estava A Lei da Noite (2016).
Um resgate de 7 milhões e uma casa hipotecada
Mark Kimball (Affleck) é candidato à prefeitura de Los Angeles e está quatro pontos atrás do atual prefeito. Para bancar os anúncios da campanha, ele hipotecou a própria casa. Se perder a eleição, perde o imóvel e, pelas contas dele, o casamento logo em seguida.
Na noite de Halloween, o telefone toca. Denny, o filho de Mark e Abigail (Kerry Washington), foi sequestrado, e os criminosos pedem 7 milhões de dólares.
Para uma família rica, seria um valor possível de levantar. Mas tudo o que os Kimball têm já está empenhado na campanha, e o prazo é de poucas horas.
Sam (Steven Yeun), o coordenador da campanha, sugere chamar Dayle Burton (Gillian Anderson), uma especialista em resolver crises de gente poderosa. A ajuda dela tem um custo político, porque ameaça justamente a promessa de transparência com que Mark se apresenta ao eleitor.
A crise alcança também quem trabalha na casa. A governanta Cecilia (Adriana Paz) e o marido dela, Ramon (Luis Gerardo Méndez), imigrante sem documentos, são arrastados para o sequestro a contragosto.
O sexto filme de Affleck como diretor
Affleck estreou na direção com Medo da Verdade (2007) e chegou ao Oscar de melhor filme com Argo (2012). Sobrevivência o leva de volta ao suspense criminal, e com parte da mesma equipe. A produção é da Artists Equity, a empresa de Affleck e Matt Damon, que em janeiro colocou Dinheiro Suspeito (2026) na Netflix (com Steven Yeun também no elenco). O plano declarado dos dois é fazer suspenses adultos de orçamento médio, um tipo de filme que Hollywood produzia bastante até os anos 2000.
O que a crítica está dizendo
No Metacritic, o filme abriu com nota 33. Jake Coyle, da Associated Press, reconhece em Affleck um cineasta esperto e cuidadoso, mas considera Sobrevivência fraco e forçado no melodrama. A comparação mais repetida nas resenhas é com Céu e Inferno (1963), de Akira Kurosawa, cuja premissa o roteiro retoma. Para a maioria dos críticos, a comparação pesa contra o filme novo.
Há quem defenda. Danny Leigh, do Financial Times, elogia o elenco de apoio e a trama cheia de segredos. Terry Staunton, da Radio Times, admite que o terço final fica frenético demais, mas vê ali um suspense que prende e recompensa.
Outro assunto ronda a estreia. Affleck contou, num evento da Bloomberg, que usou inteligência artificial em “muitas coisas” do filme, e preferiu guardar para si em quais. Parte das resenhas cita o tema ao reclamar do visual. A expectativa justa, portanto, é a de um suspense de sexta à noite com elenco forte e roteiro irregular. Quem for esperando outro Argo tende a se frustrar, e quem gosta de ver Affleck no terreno do crime e da política encontra 106 minutos nesse registro.
O que observar
O filme parte de uma peça de propaganda eleitoral, lustrosa, em que Mark promete transparência. Terminados os créditos, ele atravessa o comitê sorrindo para a equipe e, de porta fechada, ouve de Sam que o dinheiro gasto em anúncios foi insuficiente.
Essa passagem do palanque para os bastidores organiza o resto. Repare em quantas vezes, com o filho em perigo, alguém pede a Mark que pense em como a situação vai parecer para o eleitor (o mesmo eleitor a quem ele prometeu transparência no primeiro minuto).
A fachada vale para a vida pública e para o casamento. “Quem somos quando as máscaras caem?”, pergunta Affleck ao apresentar o filme, e é nas cenas entre Mark e Abigail que essa pergunta fica mais exposta.O segundo ponto é Gillian Anderson, o raro consenso entre quem gostou e quem rejeitou. Ela aparece pouco, de terninho branco e com uma calma que intimida. Coyle, que desaprovou o filme, escreve que ela o eleva enquanto está em cena, e Leigh a descreve como esplendidamente glacial.
Vale a sessão?
Vale para quem acompanha a carreira de Affleck como diretor e quer tirar a própria conclusão sobre o primeiro tropeço crítico dele em dez anos. Vale também pelo elenco, com atenção especial a Anderson, Adriana Paz e Luis Gerardo Méndez.
Sobrevivência está disponível na Netflix desde 9 de outubro de 2026, incluído na assinatura, inclusive no plano com anúncios.
Confira o trailer oficial do filme:
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