Na minissérie DTF St. Louis, dois amigos suburbanos entediados com o casamento encontram um app de traição e começam um triângulo amoroso que termina em tragédia.
Clark Forrest apresenta a previsão do tempo numa TV local de St. Louis. Floyd Smernitch traduz a previsão para linguagem de sinais, ao lado dele, ao vivo. São amigos, vizinhos, pais de família. Os dois estão em casamentos parados, sem sexo, sem conversa de verdade. Um dia, Clark mostra ao amigo um aplicativo de encontros extraconjugais que leva o nome da cidade. Floyd hesita, mas entra. A partir daí, cada decisão errada puxa a seguinte, até que o triângulo amoroso entre os dois amigos e a mulher de um deles termina em morte.
DTF St. Louis (2026) é a minissérie norte-americana em sete episódios que acumulou sete Emmys em 2026: seis no Creative Arts Emmy (incluindo roteiro, direção e as duas atuações coadjuvantes) e o prêmio principal de melhor minissérie, entregue na cerimônia de 14 de setembro.
O cenário é o subúrbio dos Estados Unidos em estado puro: churrascos no quintal, jogos, ruas em que todo mundo se conhece. Clark (Jason Bateman) e Floyd (David Harbour) se conhecem e logo viram melhores amigos. Quando Clark começa a usar o app, Floyd resiste. Mas o tédio conjugal e a pressão do amigo vencem. O problema é que Clark se envolve com Carol (Linda Cardellini), mulher de Floyd. E Floyd aparece morto em circunstâncias que dois detetives, Homer (Richard Jenkins) e Plumb (Joy Sunday), precisam desvendar.
A série alterna entre dois tempos. O passado reconstrói a amizade, o surgimento do app, a aproximação entre Clark e Carol. O presente acompanha a investigação.
A cada episódio, detalhes novos mudam a leitura dos personagens. Clark, que parecia o amigo leal e proativo, vai revelando camadas de dissimulação. Floyd, que parecia o marido passivo, mostra uma fragilidade que o torna o personagem mais humano da série: num dos momentos centrais, descreve sua própria ansiedade como um “coração de pássaro”, algo pequeno e acelerado demais para o corpo que carrega.
Carol, presa entre os dois, toma decisões que a série se recusa a julgar. E a dupla de detetives conduz o caso com um ritmo tão desajeitado e digressivo que a investigação parece perdida.
O tom de DTF St. Louis é de desconforto controlado. O criador Steven Conrad (roteirista de À Procura da Felicidade, 2006, A Vida Secreta de Walter Mitty, 2013, e Extraordinário, 2017) constrói humor a partir do constrangimento. O app se chama DTF e é focado em traições, mas os personagens conversam sobre ele com a mesma naturalidade com que discutem o tempo.
Um dos detetives navega por sites pornográficos durante o interrogatório e comenta o assunto com a colega sem cerimônia. A série foi descrita como uma comédia sombria, mas o riso nunca é leve, sempre vem carregado com algum dissabor.
A fotografia (premiada no Emmy) é limpa e sem dramatização, o que amplia o contraste com a feiura moral do que acontece dentro das casas. A montagem (também premiada) alterna entre os tempos com cortes secos que obrigam o espectador a reconstruir a sequência dos fatos por conta própria.
Conrad desenvolveu DTF St. Louis ao longo de quatro anos com David Harbour. Na televisão, Conrad criou Patriot (2015–2018), série da Amazon sobre um agente da CIA disfarçado de funcionário de uma empresa de tubulações em Milwaukee. Patriot foi cancelada depois de duas temporadas, mas conquistou um público devoto e o Los Angeles Times a chamou de “a melhor série que você ainda desconhece.”
Com DTF St. Louis, Conrad parece ter encontrado o ponto de equilíbrio entre sua sensibilidade idiossincrática e um formato que o público reconhece: o mistério de quem matou quem. E o formato funciona. A HBO apostou em sete episódios de cerca de 50 minutos cada, sem barriga e sem extensão de temporada.
David Harbour, que interpreta Jim Hopper em Stranger Things (2016–2026) desde a primeira temporada e recebeu duas indicações ao Emmy pelo papel, conquistou seu primeiro Emmy por Floyd. Nos bastidores da cerimônia, descreveu a série como “bonita, vulnerável e estranha.”
Linda Cardellini, conhecida por Dead to Me (2019–2022) e Mad Men (2007–2015), também ganhou seu primeiro Emmy. Jason Bateman, que o público conhece de Arrested Development (2003–2019) e Ozark (2017–2022), é protagonista e produtor executivo.
O elenco de apoio inclui ainda Peter Sarsgaard e Chris Perfetti. No Rotten Tomatoes, a série alcançou 88% de aprovação da crítica com 41 avaliações e 77% do público. O consenso do site reconhece em Conrad a capacidade de encontrar loucura no cotidiano suburbano, sustentada pelas atuações de Harbour e Bateman.
No Emmy, além dos prêmios de atuação, a série levou roteiro, direção, fotografia e montagem, e fechou a noite de 14 de setembro com o prêmio de melhor minissérie, totalizando sete estatuetas em treze indicações.
O coração de DTF St. Louis é a erosão: de amizades, de casamentos, de noções mínimas de consequência. O triângulo amoroso é o motor da trama, mas o tema da série é como o tédio pode virar rotina e produzir perigosos desejos de mudança. Sete episódios, uma temporada. Nada mais.
A série está disponível na HBO Max.
Confira o trailer:

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