Kate Winslet estreia na direção com produção de Natal na Netflix

Kate Winslet estreia na direção com produção de Natal na Netflix

A estrela de ‘Titanic’ estreia na direção com drama natalino escrito por seu filho mais velho.

Em 2017, Sally Bridges-Winslet morreu de câncer. Ela tinha 71 anos. Teria sido ainda pior, diz Kate Winslet, se a família não tivesse se unido.

O filho mais velho de Winslet, Joe, tinha 13 anos. “Para ele, como criança, ver todo aquele amor presente naquele momento foi algo importante. E depois ele descobriu, através de conversas com amigos, que isso é muito raro.”

Seis anos depois, em 2023, Joe decidiu transformar a experiência em um roteiro. Após alguns tratamentos, o filme está pronto e é estrelado por Helen Mirren como a matriarca June, Timothy Spall como seu marido despreocupado, além de Toni Collette (uma hippie excêntrica), Andrea Riseborough (uma radical de direita) e Johnny Flynn (um homem hipersensível) como três de seus filhos.

Winslet interpreta a quarta (uma executiva estressada); o filme também marca sua estreia na direção.

“Por mais que eu tentasse separar minha experiência pessoal da experiência que estávamos vivenciando como essa família fictícia”, diz Winslet, “era quase impossível. Às vezes, eu sentia como se estivesse revivendo momentos da minha mãe, momentos que eu jamais teria presenciado. Então, dirigir os atores de uma forma delicada, sem desabar num canto, foi definitivamente parte do desafio.”

A BUSCA Por autenticidade

O desafio foi agravado por outro que se impôs: tornar o filme o mais autêntico possível. Como diretora, Winslet estipulou algumas regras: microfones suspensos foram proibidos e a equipe dispensada assim que as câmeras começavam a gravar, para que os atores tivessem mais privacidade para viver as situações. “Isso certamente fez tudo voltar. A dor parecia muito presente. Até o quarto do hospital; os ruídos – meu Deus, aquele bip. Quando você passa por isso, acaba te afetando. Aquela sensação de monotonia. Os corredores. Tudo.”

Mas o cinema tem o dever de ser realista em relação à morte? “Para mim, isso importa”, diz ela. “Esta não é, de forma alguma, a versão cinematográfica de alguém que está definhando por causa do câncer. E isso foi difícil para Helen Mirren – não por vaidade, mas porque é emocionalmente difícil estar tão fragilizada e vulnerável.”

Kate Winslet faz sua estreia na direção com “Adeus, June”, drama que chegou na Netflix

A HISTÓRIA de June

Após se sentir mal, uma senhora de 71 anos é levada às pressas para o hospital na noite de Natal e descobre que seu câncer, infelizmente, retornou. Sua família, então, se reúne ao lado dela, deixando as desavenças de lado para se despedir.

June é uma mulher que encara a morte com uma coragem notável, mas sem qualquer hipocrisia. Ela tenta a todo custo deixar sua família em uma situação confortável, embora preferisse não deixá-la. Seu marido, Bernie (Timothy Spall), faz o possível para evitar o assunto, enquanto seu filho, Connor (Johnny Flynn), já está tão fragilizado emocionalmente que é como uma ferida aberta.

Mas são suas filhas que mais preocupam: Julia (Winslet), com o peso do mundo sobre os ombros; a obsessiva e orgânica Molly (Andrea Riseborough), que quase vibra de agitação em todas as cenas; e a excêntrica Helen (Toni Collette), sempre um pouco desorientada.

Some-se a isso os diversos cônjuges e netos, e o resultado é uma agenda de visitas lotada, mas também uma mistura febril de emoções intensas.

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Não há mais diretoras porque estamos ocupadas criando filhos.

DOR e Arte em família

O filho de Winslet, Joe Anders, escreveu o roteiro explorando a estranha mistura de tristeza, humor e, às vezes, fúria que a morte pode provocar. Algumas cenas até podem soar um pouco forçadas mas, se há pontos baixos na história, a força do elenco mais do que os compensa.

Adeus, June não é exatamente um filme de natal, mas há muito humor nas tentativas, às vezes desastradas, da família de se ajudar mutuamente, mas também muita comoção. A determinação de June em aliviar a situação para todos é retratada com sensibilidade, enquanto a mistura de aceitação e luto parece real e genuína.

Esta não é uma história de Natal em que devemos ir esperando por milagres de última hora, mas uma em que a esperança de uma boa morte é o melhor que qualquer membro da família — ou qualquer um de nós — pode esperar.

E, mesmo assim, quando ela chegar, a verdade é que ainda não estaremos preparados.

A TRILHA SONORA

Para aqueles que, assim como eu, gostam de fazer o filme continuar depois que ele acaba, escutando sua trilha sonora, a Netflix lançou também a trilha sonora original do filme em diversas plataformas. O álbum apresenta 20 canções originais composta por Ben Harlan, mais conhecido por seu trabalho como clarinetista.

Incluindo a canção original ‘Good Goodbye‘, escrita e interpretada por Gregory Porter. A trilha sonora já está disponível para streaming e download no Spotify, Deezer, Amazon Music e em outras plataformas digitais de música.

O filme será lançado na Netflix na véspera de Natal, em 24 de dezembro.


Quer uma luz no fim do filme?


Assista ao trailer oficial liberado pela Netflix:

Muito além da história

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