Fjord, Drama romeno-norueguês com Sebastian Stan e Renate Reinsve vence a Palma de Ouro; The Black Ball e Minotaur dividem os prêmios mais disputados da noite.
A Palma de Ouro de Cannes 2026 foi para Fjord, do diretor romeno Cristian Mungiu — seu segundo prêmio máximo no festival, 19 anos depois de 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias vencer em 2007.
O filme acompanha a família Gheorghiu, evangélicos romenos fervorosos que se mudam para uma pequena cidade norueguesa às margens de um fiorde (grande entrada de mar entre montanhas altas). Mihai, vivido por Sebastian Stan, é engenheiro aeronáutico romeno casado com uma norueguesa interpretada por Renate Reinsve. O que começa como recomeço se transforma em confronto: entre fé e secularismo, entre o que se chama de valores e o que se pratica quando os valores entram em atrito.
O filme se apresenta como um estudo da fratura entre valores progressistas e tradicionais, inspirado em eventos reais recentes. Mungiu escolhe o fiorde como cenário não por acidente geográfico, mas como imagem: uma reentrância isolada, de bordas abruptas, onde a beleza da paisagem amplifica a aspereza das relações humanas.
O júri, presidido pelo cineasta sul-coreano Park Chan-wook e integrado por Demi Moore, Stellan Skarsgård, Ruth Negga e Chloé Zhao, premiou com a Palma um filme que incomoda com calma — marca registrada do diretor.
O Grand Prix foi para Minotaur, do russo Andrey Zvyagintsev, enquanto o Prêmio do Júri ficou com The Dreamed Adventure, da diretora alemã Valeska Grisebach. O Prêmio de Melhor Direção foi dividido entre dois filmes: The Black Ball, dos espanhóis Javier Calvo e Javier Ambrossi, e Fatherland, do polonês Pawel Pawlikowski.
O melodrama queer espanhol foi uma das maiores surpresas do festival: estreou dois dias antes da cerimônia, arrancou 16 minutos de ovação do público e entrou numa disputa de aquisição que a Netflix está vencendo.

O Prêmio de Melhor Atriz foi compartilhado entre a francesa Virginie Efira e a japonesa Tao Okamoto, ambas por All of a Sudden, do japonês Ryusuke Hamaguchi. Já o Prêmio de Melhor Ator foi dividido entre Valentin Campagne e Emmanuel Macchia por Coward, do belga Lukas Dhont — drama de amor queer ambientado nas trincheiras da Primeira guerra Mundial. O Prêmio de Melhor roteiro foi para Emmanuel Marre por A Man of His Time.
A Câmera de Ouro, para o melhor primeiro longa-metragem do festival, foi para Ben’Imana, da cineasta ruandesa Marie Clémentine Dusabejambo — num ano em que 29 estreias disputavam o prêmio. A Palma de Ouro de Curta-Metragem foi para For the Opponents, de Federico Luis.
Fjord é o primeiro filme de Mungiu rodado majoritariamente em inglês, e reconecta Sebastian Stan ao romeno — sua língua de infância, abandonada aos oito anos quando emigrou para os Estados Unidos.
O filme foi produzido por uma coprodução envolvendo Romênia, Noruega, Dinamarca, Finlândia, França e Suécia, com direitos de distribuição adquiridos pela Neon para os Estados Unidos e partes da Europa — tornando-a a sétima Palma de Ouro consecutiva da distribuidora norte-americana em Cannes.
Com informações da Variety.
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Formado em Cinema pela FAAP, Herbert Bianchi é um fervoroso defensor de filmes lentos. Sua experiência morando em Budapeste — perto do cinema de Béla Tarr e das paisagens de Tarkovsky — o levou a fundar o Cinema Guiado em 2023, plataforma onde exerce a nobre função de tradutor do que os filmes comunicam sem dizer.
