Segundo a Warner, a Paramount falhou em oferecer garantias de financiamento adequadas
O conselho de administração da Warner Bros Discovery (WBD) rejeitou por unanimidade a oferta hostil da Paramount Skydance, reiterando, assim, a recomendação de apoio à fusão com a Netflix.
“Após uma avaliação cuidadosa da oferta pública de aquisição lançada recentemente pela Paramount, o Conselho concluiu que o valor da oferta é inadequado, com riscos e custos significativos impostos aos nossos acionistas”, disse Samuel A. Di Piazza Jr., presidente do conselho de administração da Warner Bros. Discovery.
“Esta oferta, mais uma vez, deixa de abordar as principais preocupações que temos comunicado consistentemente à Paramount ao longo de nosso extenso diálogo e análise de suas seis propostas anteriores. Estamos confiantes de que nossa fusão com a Netflix representa um valor superior e mais seguro para nossos acionistas e estamos ansiosos para concretizar os benefícios convincentes dessa combinação.”

Esta declaração de rejeição surge após a notícia de que a Affinity Partners, liderada por Jared Kushner, genro de Donald Trump, desistiu de apoiar a proposta da Paramount. A empresa de private equity era uma das várias entidades que se comprometeram a apoiar a proposta da família do CEO da Paramount, David Ellison, cujo pai é o fundador da Oracle e bilionário Larry Ellison, juntamente com um compromisso agregado de US$ 24 bilhões de três fundos soberanos do Golfo, US$ 1 bilhão da Tencent da China e um compromisso da RedBird Capital Partners.
Uma carta do conselho da WBD afirma que a Paramount Skydance “tem enganado sistematicamente os acionistas da WBD ao afirmar que sua transação proposta possui ‘garantia total’ da família Ellison. Não possui, e nunca possuiu”.
Em 5 de dezembro, a Netflix confirmou a aquisição da Warner Bros. por US$ 82,7 bilhões. A transação, que envolveu dinheiro e ações, foi avaliada em US$ 27,75 por ação da Warner Bros., totalizando um valor de mercado de aproximadamente US$ 82,7 bilhões (valor patrimonial de US$ 72 bilhões).
Em 8 de dezembro, a Paramount dirigiu-se diretamente aos acionistas da WBD com uma oferta hostil em dinheiro para adquirir a totalidade da empresa por US$ 30 por ação, o que conferiu à empresa-alvo um valor de mercado de US$ 108 bilhões.
O que falta para o negócio se concretizar?
Apesar do barulho, o caminho para a conclusão do negócio ainda é longo.
O próximo marco é a votação dos acionistas da Warner, que deve ocorrer entre maio e julho de 2026.
Além disso, a fusão ainda vai enfrentar também um rigoroso escrutínio de órgãos antitruste nos Estados Unidos e na Europa. O Departamento de Justiça dos EUA devem analisar se a união de dois gigantes do setor pode ou não prejudicar a concorrência e a diversidade de conteúdo para os consumidores.
Entenda porque essa fusão pode ser PERIGOSA
Com a aquisição, muita gente comemorou. Só que há um risco aí que pouca gente está vendo: quando duas gigantes como a Warner e a Netflix se fundem, a primeira coisa que diminui não é o preço, é a diversidade.
Quando uma empresa domina o jogo, ela não precisa arriscar. A história prova isso: a Disney comprou a Fox e enterrou mais de 250 projetos autorais em desenvolvimento. A própria Warner quando comprou a HBO, ela deletou séries inteiras da noite para o dia para abater impostos.
Não foi incompetência, foi cálculo frio. E essas séries foram canceladas não porque eram ruins, mas porque não se encaixavam na "estratégia da empresa".
A questão é que, quando você não precisa competir, você não precisa impressionar. O foco passa a ser única e exclusivamente: não perder dinheiro.
Por isso, é bom prestarmos atenção: a diversidade não acaba de imediato, com o anúncio da compra. Ela vai definhando aos poucos, em salas de reunião, quando alguém aponta uma planilha e diz: "Isso aqui não faz mais sentido produzir."
E o mais assustador: você não vai perceber isso acontecendo. Porque ninguém sente falta do filme que nunca foi feito. O público cativo não exige risco, ele exige distração.
Ninguém vai protestar por uma série que foi cancelada antes da entrega do roteiro.
Então, para resumir, o perigo real é esse: a Netflix gradativamente ir esvaziando o repertório de bons conteúdos da Warner até que um dia vamos olhar para trás e perceber: faz tempo que ninguém faz um Fargo, um Coringa, um Parasita. Mas aí, talvez, já será tarde demais.
E você, o que achou do negócio? Comenta aí embaixo.
Herbert Bianchi é diretor e roteirista formado em Cinema pela FAAP. Foi indicado ao Prêmio Shell em 2017 e conta com mais de 15 anos atuando em cinema e teatro. Em 2023, criou o Cinema Guiado, um projeto dedicado à curadoria de bons filmes e à compreensão da linguagem cinematográfica.

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