Clark Serie Netflix Sindrome Estocolmo

Minissérie sueca conta história real do bandido que inspirou a ‘Síndrome de Estocolmo’

História real de um assaltante de primeira viagem surpreende por ter se tornado uma lenda ao cunhar o famoso termo ‘Síndrome de Estocolmo’.

Em 23 de agosto de 1973, Jan-Erik Olsson entra armado numa agência de um Banco, na praça Norrmalmstorg, centro de Estocolmo. Uma história real. Ele faz quatro reféns (três mulheres e um homem) e apresenta à polícia uma exigência que muda o rumo do caso: quer que tirem da prisão e tragam até ali um amigo, Clark Olofsson. Seis dias depois, quando a polícia finalmente invade o banco pelo teto, os reféns saem de lá defendendo os dois sequestradores. O episódio fica mundialmente conhecido por batizar um termo que a psicologia repete até hoje sem lembrar a origem: Síndrome de Estocolmo.

Essa é a história real que a minissérie Clark reconstrói, e a Netflix mantém escondida em seu vasto catálogo, sem empurrar para os destaques da tela inicial. Mas a série é ótima, mesmo que pouca gente tenha ouvido falar dela. Tem seis episódios, apenas uma temporada, e está disponível na plataforma desde 2022. Bill Skarsgård assume o papel título (o mesmo ator do Pennywise no terror It: A coisa (2017), aqui sem maquiagem de terror alguma, mas muito carisma, construindo um protagonista que soa, simultaneamente, repulsivo e magnético.

O acerto do roteiro está na escolha do narrador: o próprio Clark vai narrando o evento em detalhes. Isso significa que cada exagero, cada mentira, cada reinvenção de si mesmo chega à tela sob o viés de quem a viveu. Se isso é 100% confiável, não sabemos. A série não corrige o personagem nem avisa quando ele está mentindo.

Olofsson era um assaltante a banco conhecido. Começou pequeno (furtos, brigas com a lei) nos anos 1960 e só ganhou status de celebridade criminal depois de uma sequência de fugas de prisão e condenações, entre elas oito anos por tentativa de homicídio em 1966. Foi na cadeia que conheceu Olsson, o homem que dois anos antes do assalto de Norrmalmstorg já era seu companheiro de cela. Quando a polícia cedeu e levou Olofsson ao banco, ele assumiu em questão de horas a liderança da negociação, mesmo tecnicamente sendo apenas um convidado da crise.

Um detalhe: décadas depois do assalto, a refém Kristin Enmark manteve relação de amizade com Olofsson. Em segunda instância, ele foi absolvido pelo crime do banco, embora tenha somado outras condenações ao longo da vida, na Suécia e fora dela.

A direção da série é de Jonas Åkerlund, ela tem 85% de aprovação no Rotten Tomatoes, e nota 7.3 no IMDb, atribuída pelos próprios usuários. Curiosamente nenhum desses números empurrou o título para o topo das recomendações da Netflix no Brasil, o que transforma Clark no tipo de série que só chega a quem acompanha o Cinema Guiado.

Ao final, fica a pergunta que qualquer boa minissérie de true crime deveria deixar: quanto da história que acabamos de ver é verdade, e quanto é apenas Clark Olofsson alimentando a própria lenda.

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Confira o trailer da minissérie Clark:


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