Filme baseado em abuso sofrido por diretora chega aos cinemas

Em sua estreia, Eva Victor, que também atuou e escreveu o filme, retrata tema difícil de forma original

Indicada ao Globo de Ouro por sua atuação em Sorry, Baby, Eva Victor vem sendo tratada como um dos nomes com maior potencial do cinema independente americano. E não é para menos, afinal, a abordagem ousada que ela dá a um tema tão delicado vem chamando muita atenção.

Durante o isolamento da pandemia, a atriz americana Eva Victor — na época parte do elenco da aclamada série Billions — assistiu a muitos filmes como forma de se sentir menos sozinha. Dessa experiência nasceu um roteiro sobre uma mulher tentando superar um trauma. A escrita era também uma maneira de Eva processar sua própria ferida: um abuso sexual sofrido no passado, sobre o qual ela nunca havia falado. O raciocínio era simples e generoso: se o roteiro virasse filme, talvez outras mulheres que passaram por algo parecido também se sentissem menos sós.

Ela enviou o texto para a produtora de Barry Jenkins, o diretor de Moonlight. Jenkins não só tirou o projeto do papel como incentivou Eva a torná-lo ainda mais pessoal. Resultado: aos 31 anos, ela assina como diretora, roteirista e protagonista de “Sorry, Baby”, que estreia nos cinemas nesta quinta-feira, dia 11.

Produzido pela A24 e distribuído no Brasil pela Mares Filmes, o drama foi premiado em Sundance e aplaudido em Cannes, ao oferecer um olhar sensível sobre o peso da consciência do trauma, aquele turbilhão que mistura culpa, dor e raiva com lampejos de ironia e uma inadequada compaixão pelo agressor.

Premiado em Sundance e aplaudido em Cannes, o filme oferece um olhar sensível sobre o peso da consciência do trauma


Na trama, Agnes (Eva Victor) recebe a visita da amiga Lydie (Naomi Ackie) num inverno gélido nos arredores de Boston. Lydie terminou a faculdade ali, mudou-se para Nova York, casou, está trabalhando, planejando família. Agnes, não. Arrumou um emprego na mesma faculdade de Letras onde se formou e continua morando na casa que antes dividia com a amiga. Algo de ruim aconteceu com ela, mas as duas não falam abertamente a respeito.

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Em vez de buscar justiça ou vingança, o filme foca no efeito que o crime produz no comportamento de Agnes, uma promissora aluna do departamento de Língua Inglesa. O abusador é justamente o professor e orientador em quem ela confiava, mas ele sai de cena logo após o episódio.

É uma escolha inteligente: ao afastá-lo da narrativa, Eva nos convida a ter empatia por Agnes olhando exclusivamente para ela, acompanhando de perto a complexidade de lidar com os sentimentos contraditórios que brotam do trauma.

A sensação de isolamento, o humor autodepreciativo e o fastio característicos da Geração Z rendem ótimos momentos no filme.

E aí, vai ver ou já viu o filme? Comenta aqui embaixo.

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