Neste artigo eu explico como m. night shyamalan usou uma técnica muito conhecida para enganar as plateias do mundo todo.
Você, com certeza, já assistiu a um filme com uma tremenda reviravolta que te pegou totalmente de surpresa e quis depois assistir ao filme de novo para reparar se haviam pistas que levavam até aquele desfecho. Bom, e você descobriu que haviam, e não eram poucas. E eu não estou falando apenas de O Sexto Sentido.
Quando vemos um filme pela primeira vez, é normal que você não perceba todos os detalhes. Mas, ao assistir pela segunda vez, você começa a reparar em pormenores que não tinha notado antes, sinais que foram colocados ali com um propósito, como se o diretor ou a diretora do filme, estivessem “preparando o terreno” para o que está para acontecer. E sim, bons cineastas fazem isso o tempo todo, eles entregam muitas pistas sem você perceber.
a arte de plantar pistas
Essa arte de plantar indícios sobre o futuro da história é conhecida como Foreshadowing, ou prenúncio narrativo, uma técnica muito usada na construção de histórias para sugerir ou antecipar eventos futuros. Essas “pistas” deixadas pelos bons cineastas podem aparecer de forma sutil, por meio de diálogos, símbolos, cores, objetos ou até na trilha sonora, preparando o espectador para algo impactante que está por vir.
Um exemplo clássico de Foreshadowing é como M. Night Shyamalan usou a cor vermelha em O Sexto Sentido (1999) para marcar os momentos em que o sobrenatural vai se manifestar. Repare.
Outro exemplo clássico é em O Poderoso Chefão (1972), onde a presença de laranjas indica a iminência de uma tragédia.

Já tinha reparado nisso?
Isso é genial porque cria uma conexão subconsciente com o espectador, preparando-o emocionalmente para o que está prestes a acontecer, sem entregar tudo de uma vez. Essa técnica torna a narrativa mais envolvente, adicionando camadas de significado e recompensando espectadores mais atentos.
Um prenúncio narrativo pode ser incrivelmente eficaz para cativar uma audiência se feito na medida certa. Agora, quando deixado muito na cara, a audiência pode rapidamente ficar desinteressada; já se for sutil demais, ele pode passar totalmente despercebido.
O Poderoso Chefão e O Sexto Sentido são dois ótimos exemplos, mas existem muito outros. Ou vai me dizer que você nunca reparou nos enormes “X” plantados em Os Infiltrados (2006) toda vez que alguém vai morrer?
Na próxima vez que assistir a um filme, pergunte-se: tem algo aqui que pode estar me dizendo mais do que aparenta? A resposta pode transformar totalmente a sua experiência.
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Formado em Cinema pela FAAP, Herbert Bianchi é um fervoroso defensor de filmes lentos. Sua experiência morando em Budapeste — perto do cinema de Béla Tarr e das paisagens de Tarkovsky — o levou a fundar o Cinema Guiado em 2023, plataforma onde exerce a nobre função de tradutor do que os filmes comunicam sem dizer.
