Beleza Americana

15 clássicos dos anos 90 para rever no streaming

De Hong Kong ao sertão nordestino, passando por uma prisão no Maine e um repórter preso no mesmo dia: um roteiro do melhor da década e onde encontrar cada um.

Em março de 1990, o governo Collor extinguiu a Embrafilme, e o cinema brasileiro começou a década praticamente sem financiamento. Oito anos depois, Central do Brasil levava o Urso de Ouro em Berlim, e Fernanda Montenegro se tornaria a primeira latino-americana indicada ao Oscar de Melhor Atriz. A década que começou com o cinema nacional desmontado terminou com ele de volta aos grandes festivais.

Fora do Brasil, os anos 90 também foram generosos, e de um jeito curioso. Parte dos filmes que hoje chamamos de clássicos saiu dos cinemas como fracasso e só encontrou público depois, na locadora ou na TV a cabo. Um Sonho de Liberdade arrecadou menos do que custou e virou o título mais alugado em VHS nos Estados Unidos em 1995. Outros chegaram consagrados, como O Silêncio dos Inocentes, que levou os cinco principais Oscars.

A lista abaixo segue a ordem cronológica e reúne quinze desses filmes, de oito países. Todos disponíveis por assinatura no Brasil hoje, mas os catálogos mudam, então vale conferir antes que sumam.

1.

Os Bons Companheiros (1990)


Os Bons Companheiros (1990)

O drama policial que Martin Scorsese adaptou do livro-reportagem de Nicholas Pileggi sobre Henry Hill, acompanha um garoto do Brooklyn que cresce dentro da máfia. Ray Liotta vive Henry, protegido de Jimmy Conway (Robert De Niro) e parceiro do imprevisível Tommy DeVito (Joe Pesci).

A cena mais lembrada acontece na boate Copacabana. Henry leva a namorada, Karen (Lorraine Bracco), pela porta dos fundos, atravessa a cozinha distribuindo gorjetas e ganha uma mesa montada na hora, bem na frente do palco. A câmera acompanha o casal num único plano-sequência, e o deslumbramento de Karen passa a ser também o de quem assiste.

Scorsese filma a ascensão de Henry com a energia do próprio personagem, em narração acelerada, música pop e cortes rápidos. Por isso a queda pesa tanto quando chega. Joe Pesci ganhou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante como Tommy, um homem capaz de transformar uma piada de bar em ameaça em poucos segundos.

Rever o filme hoje é perceber como ele seduz primeiro e cobra a conta depois (algo que, convenhamos, a máfia também sabia fazer). Está disponível na HBO Max.

2.

O Silêncio dos Inocentes (1992)


O Silêncio dos Inocentes (1991)

O suspense clássico de Jonathan Demme acompanha Clarice Starling (Jodie Foster), aluna da academia do FBI enviada para entrevistar o psiquiatra Hannibal Lecter (Anthony Hopkins), preso por canibalismo. O FBI quer a ajuda dele para capturar um assassino em série que continua agindo.

Demme filma as conversas entre os dois em primeiros planos frontais, com os atores olhando quase direto para a lente. Assim, o espectador ocupa o lugar de Clarice diante do vidro, e cada pergunta de Lecter parece dirigida a ele. No primeiro encontro, Lecter repara no sotaque interiorano que a novata tenta disfarçar e usa o detalhe para desmontar a pose dela. Clarice sai da sala abalada, mas volta. A força do filme está nessa troca: ela oferece lembranças da própria infância em troca de pistas, e cada sessão custa um pouco mais.

O reconhecimento veio na medida. O filme ganhou os cinco principais Oscars (Filme, Direção, Ator, Atriz e Roteiro Adaptado), feito alcançado antes apenas por Aconteceu Naquela Noite (1934) e Um Estranho no Ninho (1975). Está disponível no Prime Video e na MUBI.

3.

A Liberdade é Azul


A Liberdade é Azul (1993)

O drama franco-polonês de Krzysztof Kieślowski que abre a trilogia das cores acompanha Julie (Juliette Binoche), uma jovem mulher que perde o marido, um compositor famoso, e a filha pequena em um acidente de carro. Depois do enterro, ela tenta cortar todos os laços: vende a casa, se desfaz dos objetos da família e se muda para um pequeno apartamento em Paris.

Kieślowski filma o luto em detalhes significantes. Num dos planos mais lembrados, Julie encosta um cubo de açúcar na xícara de café e observa o líquido subir até o cubo se desfazer. A cor azul aparece nos lugares em que a memória insiste em voltar, e a música inacabada do marido invade a trilha quando ela menos espera.

Binoche sustenta o filme com uma atuação contida, feita de olhares fugidios e uma postura fechada. Ainda assim, a vizinhança parisiense vai furando o isolamento dela, e o filme acompanha esse movimento com delicadeza.

A Liberdade é Azul venceu o Leão de Ouro no Festival de Veneza de 1993 e está disponível na MUBI e Telecine.

4.

Feitiço do Tempo


Feitiço do Tempo (1993)

A comédia romântica dirigida por Harold Ramis, tem Phil Connors (Bill Murray), meteorologista arrogante de uma TV de Pittsburgh, viajando contrariado a uma pequena cidade para cobrir o Dia da Marmota, em 2 de fevereiro. Na manhã seguinte, o rádio-relógio toca a mesma música, os mesmos vizinhos dizem as mesmas frases, e Phil descobre que está preso no mesmo dia.

O roteiro de Danny Rubin e Ramis explora a premissa em fases bem definidas. Phil primeiro se aproveita da repetição, decorando cada detalhe da vida de Rita (Andie MacDowell), a produtora, para tentar conquistá-la. Mais tarde, cansado de repetir o mesmo dia, começa a usar o tempo de outra forma, e passa a ter aulas de piano e de escultura no gelo.

Murray segura as duas pontas, o cinismo do começo e a mudança lenta que vem depois, e faz a passagem de um registro ao outro com delicadeza. O título original virou expressão em inglês para qualquer situação que se repete, o que dá uma medida de como o filme se espalhou. Disponível apenas para aluguel no Brasil.

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5.

Amores Expressos (1994)


Amores Expressos (1994)

O drama romântico de Hong Kong que Wong Kar-wai rodou em poucas semanas, durante uma pausa na produção de outro filme seu, Cinzas do Passado, acompanha duas histórias de policiais recém-abandonados pelas namoradas, contadas uma depois da outra.

Na primeira, o policial 223 (Takeshi Kaneshiro) compra todos os dias uma lata de abacaxi com validade para 1º de maio, data que ele mesmo marcou como prazo para a ex voltar. Na segunda, o policial 663 (Tony Leung) conversa com a mobília do apartamento, até que Faye (Faye Wong), atendente de uma lanchonete, começa a entrar escondida na casa dele e a rearrumar tudo enquanto ele está fora.

A câmera na mão e as luzes de néon dão à cidade uma pressa constante, e a canção California Dreamin’ volta tantas vezes que acaba parecendo pensamento da personagem. O apartamento do policial 663 era, na vida real, do diretor de fotografia Christopher Doyle.

Quentin Tarantino se empenhou pessoalmente para que o filme chegasse ao público dos Estados Unidos, e é fácil entender o entusiasmo. O filme está disponível na MUBI.

6.

Pulp Fiction- Tempo de Violência (1994)


Pulp Fiction: Tempo de Violência (1994)

A obra-prima de Quentin Tarantino que entrelaça três histórias em Los Angeles acompanha Vincent Vega (John Travolta) e Jules Winnfield (Samuel L. Jackson), matadores a serviço do gângster Marsellus Wallace (Ving Rhames). Butch Coolidge (Bruce Willis) é um boxeador que vence a luta que deveria perder.

O fio mais delicado é a noite em que Vincent recebe a tarefa de levar Mia (Uma Thurman), mulher do chefe, para jantar. Ele passa o encontro dividido entre o charme dela e o medo de ultrapassar algum limite, e a dança num restaurante temático dos anos 50 condensa essa tensão num concurso de twist.

Tarantino embaralha a ordem dos acontecimentos, e personagens que saem de cena num capítulo reaparecem em outro, antes ou depois do que o espectador imaginava. Os diálogos longos sobre hambúrgueres e massagens nos pés, que parecem desvio, acabam construindo quem aquelas pessoas são.

O filme venceu a Palma de Ouro em Cannes e o Oscar de Roteiro Original, dividido entre Tarantino e Roger Avary. Está disponível na Paramount+.

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7.

Um Sonho de Liberdade (1994)


Um Sonho de Liberdade (1994)

O inesquecível drama prisional de Frank Darabont, adapta uma novela de Stephen King, que conta a história de Andy Dufresne (Tim Robbins), banqueiro condenado pelo assassinato da esposa, chega à penitenciária de Shawshank, no Maine, e aos poucos faz amizade com Red (Morgan Freeman), o preso que consegue arranjar qualquer objeto lá dentro.

Andy é reservado, quase opaco, e o filme se apoia na narração de Red para acompanhar como aquele homem calado conquista espaço. Numa das cenas mais conhecidas, ele se tranca numa sala e põe uma ópera para tocar nos alto-falantes da prisão. Os presos param no pátio, sem entender direito o que estão ouvindo, e ficam escutando.

Nos cinemas, o filme arrecadou cerca de US$ 16 milhões nos Estados Unidos, para um orçamento de US$ 25 milhões. Recebeu sete indicações ao Oscar e saiu da cerimônia de mãos vazias. A virada veio depois: foi o título mais alugado em VHS em 1995, ganhou reprises frequentes na TV a cabo e hoje ocupa o primeiro lugar do ranking de filmes mais bem avaliados do IMDb. Está disponível na HBO Max.

8.

Fargo: Uma Comédia de Erros (1996)


Fargo: Uma Comédia de Erros (1996)

O policial estadunidense, com coprodução britânica e humor sombrio, de Joel e Ethan Coen conta a história de Jerry Lundegaard (William H. Macy), vendedor de carros endividado, que contrata dois criminosos (Steve Buscemi e Peter Stormare) para sequestrar a própria esposa e cobrar o resgate do sogro rico. Mas o plano, claro, sai do controle já nos primeiros minutos.

Quem investiga o caso é Marge Gunderson (Frances McDormand), chefe de polícia de uma cidade pequena de Minnesota, grávida de sete meses. Ela examina a cena de um crime com calma, interrompe o raciocínio por causa do enjoo, e retoma exatamente de onde parou. Em casa, divide a cama e as refeições com o marido, Norm, num casamento tranquilo que contrasta com a pressa de todos os homens em volta.

McDormand ganhou o Oscar de Melhor Atriz, e os Coen levaram o de Roteiro Original. O filme está disponível no Prime Video.

9.

A Princesa Mononoke (1997)


A Princesa Mononoke (1997)

A animação japonesa de fantasia de Hayao Miyazaki, produzida pelo Studio Ghibli, segue Ashitaka, jovem príncipe do povo Emishi, que mata um deus-javali enlouquecido para proteger sua aldeia e sai do combate com o braço direito amaldiçoado. Ela descobre depois que o animal foi corrompido por uma bala de ferro e viaja para o oeste em busca de uma cura.

No caminho, ele cai no meio de uma guerra entre a Cidade do Ferro, comandada por Lady Eboshi, e os deuses da floresta, que contam com San, a jovem criada por lobos que dá nome ao filme. Miyazaki se recusa a escolher um vilão fácil. Eboshi derruba a floresta para alimentar os fornos, mas dá trabalho e abrigo a pessoas que ninguém mais aceitaria. Ashitaka passa o filme tentando entender os dois lados, e apanha dos dois por isso.

A animação à mão dá peso físico a cada criatura, dos javalis gigantes aos pequenos espíritos da floresta que balançam a cabeça sobre as árvores. No lançamento, A Princesa Mononoke se tornou a maior bilheteria da história do Japão, recorde que durou poucos meses, até a chegada de Titanic. Está disponível na Netflix.

10.

A Vida é Bela (1997)


A Vida é Bela (1997)

A comédia dramática italiana dirigida e estrelada por Roberto Benigni mostra, na primeira metade, Guido, garçom judeu atrapalhado e cheio de lábia, conquistando Dora (Nicoletta Braschi) com uma sequência de coincidências armadas por ele. Na segunda, durante a Segunda Guerra, ele e o filho pequeno, Giosuè, são levados para um campo de concentração nazista.

Lá, Guido inventa um jogo para proteger o menino: tudo aquilo seria uma competição, e quem acumular pontos ganha um tanque de guerra de verdade. O pai traduz as ordens dos guardas trocando as palavras, esconde o filho, corre de um lado para o outro para manter a ficção de pé.

O filme dividiu opiniões justamente por usar comédia num cenário como esse, e o debate continua legítimo. O que Benigni faz bem é manter o mesmo personagem nas duas metades: o homem que armava encontros para impressionar Dora é o mesmo que agora arma o jogo para salvar o filho. Mesmo controverso, A Vida é Bela ganhou três Oscars: Filme Estrangeiro, Ator e Trilha Sonora, e está disponível na Netflix.

11.

Central do Brasil (1998)


Central do Brasil (1998)

O drama brasileiro de Walter Salles conta a história de Dora (Fernanda Montenegro), ex-professora amargurada, que ganha a vida escrevendo cartas para pessoas analfabetas na estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Recebe pelo selo, mas guarda boa parte das cartas numa gaveta em casa.

Uma de suas clientes morre atropelada na frente da estação, e o filho dela, Josué (Vinícius de Oliveira), fica sozinho. Dora acolhe o menino a contragosto e, depois de uma decisão da qual se arrepende, parte com ele para o interior do Nordeste em busca do pai que Josué nunca conheceu. A relação entre os dois cresce aos trancos. Josué desconfia dela com razão, Dora perde a paciência com frequência, e a viagem de ônibus e caminhão vai quebrando essa casca aos poucos.

O filme venceu o Urso de Ouro em Berlim, onde Fernanda também levou o Urso de Prata de Melhor Atriz. No Oscar, concorreu a Filme Estrangeiro e a Melhor Atriz, o que fez dela a primeira latino-americana indicada na categoria. Está disponível na Netflix e no Globoplay.

12.

Tudo Sobre Minha Mãe (1999)


Tudo Sobre Minha Mãe (1999)

O melodrama espanhol de Pedro Almodóvar acompanha Manuela (Cecilia Roth), enfermeira em Madri, que cria o filho, Esteban, como mãe solo. No aniversário de 17 anos do rapaz, os dois vão ao teatro, e Esteban morre atropelado ao correr atrás de um autógrafo da atriz Huma Rojo (Marisa Paredes).

Manuela viaja a Barcelona para procurar o pai do filho, que Esteban nunca conheceu. Na cidade, reencontra Agrado (Antonia San Juan), uma velha amiga trans que trabalha como prostituta, e se aproxima de Huma e da irmã Rosa (Penélope Cruz), uma freira jovem que se mete em apuros.

Almodóvar cerca a dor de Manuela de mulheres que cuidam umas das outras. Numa noite em que o espetáculo é cancelado, Agrado sobe ao palco e improvisa um monólogo em que lista, com humor e franqueza, o preço de cada procedimento estético que fez no próprio corpo. O teatro ri, e ela sai de cena aplaudida.

O título homenageia A Malvada (1950), de Joseph L. Mankiewicz. O filme deu a Almodóvar o prêmio de Melhor Direção em Cannes e recebeu ainda o Oscar de Filme Estrangeiro. Está disponível no Prime Video e no Globoplay.

13.

Matrix (1999)


Matrix (1999)

A ficção científica dirigida por Lana e Lilly Wachowski, apresentou ao mundo Neo (Keanu Reeves), programador de dia e hacker à noite, que descobre que o mundo em que vive é uma simulação criada por máquinas. Morpheus (Laurence Fishburne) oferece a ele a escolha entre uma pílula vermelha e uma azul, e Trinity (Carrie-Anne Moss) o acompanha na travessia.

O momento em que Neo acorda de verdade é desconfortável de propósito: ele desperta nu, dentro de uma cápsula cheia de líquido, preso a cabos, e vê ao redor milhares de cápsulas iguais. A partir daí, cada volta à simulação ganha outro peso, porque o espectador sabe o que existe do lado de fora.

As Wachowski misturam filosofia, artes marciais de Hong Kong e estética de quadrinhos, e popularizaram o bullet time, efeito em que a câmera parece girar ao redor de uma ação congelada no ar. A cena de Neo desviando das balas foi copiada e parodiada à exaustão nos anos seguintes.

Matrix ganhou quatro Oscars técnicos, entre eles Efeitos Visuais e Montagem e está disponível na HBO Max.

14.

Clube da Luta (1999)


Clube da Luta (1999)

O suspense de David Fincher, adaptado do romance de Chuck Palahniuk, segue um narrador (Edward Norton) que sofre de insônia e passa a frequentar grupos de apoio para doenças que ele não tem, só para conseguir chorar e, enfim, dormir. Lá ele cruza com Marla Singer (Helena Bonham Carter), outra impostora, e a presença dela estraga o único remédio que funcionava.

Num voo de trabalho, ele conhece Tyler Durden (Brad Pitt), vendedor de sabonetes com ideias radicais sobre consumo e masculinidade. Os dois fundam um clube clandestino de lutas, que cresce muito além do que o narrador imaginava.

Fincher filma o apartamento do narrador como página de catálogo, com os preços dos móveis aparecendo na tela, e deixa claro desde cedo de onde vem o vazio do personagem. O humor ácido convive com uma violência filmada de forma crua, o que torna o filme mais incômodo a cada revisão.

Com orçamento de US$ 63 milhões, o filme decepcionou nas bilheterias e encontrou seu público depois, no mercado de vídeo doméstico. O filme está disponível na Netflix, no Prime Video, na Paramount+ e no Globoplay.

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15.

Beleza Americana (1999)


Beleza Americana (1999)

O drama de estreia de Sam Mendes no cinema acompanha Lester Burnham (Kevin Spacey), publicitário de meia-idade que se sente invisível na própria casa. A mulher, Carolyn (Annette Bening), vive para a carreira, e a filha adolescente, Jane (Thora Birch), mal olha para ele.

Lester decide mudar de vida de uma vez: pede demissão, volta a malhar, compra o carro que sempre quis e passa a enfrentar a família à mesa do jantar. Ao mesmo tempo, desenvolve uma fixação por Angela (Mena Suvari), colega de escola da filha, que o filme trata como sintoma do colapso dele. Na casa ao lado, o vizinho Ricky Fitts (Wes Bentley) filma tudo o que vê, e é ele quem mostra a Jane um vídeo de um saco plástico dançando ao vento, a cena mais citada do filme.

Mendes, vindo do teatro, compõe os quadros com simetria de palco, e a fotografia de Conrad Hall faz o subúrbio parecer impecável por fora.

O filme ganhou cinco Oscars, entre eles Filme, Direção, Ator e Roteiro Original e está disponível na Paramount+.

Um VHS de cada vez

Vistos em sequência, estes quinze filmes contam também uma história de circulação. Um Sonho de Liberdade foi salvo pela locadora, Clube da Luta pelo vídeo doméstico, e Central do Brasil nasceu de um país que precisou reconstruir o próprio cinema do zero. Muitos deles chegaram ao público brasileiro em fitas alugadas no fim de semana, com legenda amarela e chiado no começo.

Hoje, o streaming substituiu as prateleiras das locadoras, com a vantagem de estar a um clique e a desvantagem de mudar de catálogo sem aviso. Por isso a hora de rever é agora, enquanto estão online.

E rever, no caso destes filmes, compensa. O plano-sequência do Copacabana, o cubo de açúcar de Julie, a lata de abacaxi do policial 223 e o monólogo de Agrado continuam no mesmo lugar, esperando um olhar mais atento e saudoso do que o da primeira vez.

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