De ‘Mônica e o Desejo’ (1953) a ‘Fanny e Alexander’ (1982), um roteiro por três décadas de cinema sueco, disponível na MUBI, na Filmicca e na plataforma do Belas Artes À La Carte.
O cineasta sueco Ingmar Bergman nasceu em 14 de julho de 1918 e completariam 108 anos em 14 de julho de 2026 se estivesse vivo. O famoso diretor fez mais de 60 filmes ao longo de seis décadas, sempre voltando à pergunta: o que resta quando a fé some e as pessoas mais próximas continuam sem conseguir se entender.
Para marcar a data, a MUBI incluiu três filmes de Bergman numa coleção lançada em julho, dedicada só a ele. Os outros dois títulos desta lista vêm de plataformas menores e especializadas em cinema de arte.
A seleção cobre da estreia que projetou o diretor fora da Suécia até o filme que ele decidiu, na época, ser sua despedida das telonas. Um convite para mergulhar no cinema sueco.
5.
Persona: Quando Duas Mulheres Pecam (1966)

Persona (1966), drama sueco que reúne 91% de aprovação no Rotten Tomatoes, acompanha a enfermeira Alma (Bibi Andersson), encarregada de cuidar da atriz Elisabet Vogler (Liv Ullmann), que parou de falar no meio de uma apresentação de teatro. As duas se isolam numa casa de praia, e o convívio vai misturando onde termina uma mulher e começa a outra.
O filme chegou ao Brasil com o título Quando Duas Mulheres Pecam, escolha de distribuição que pouco tem a ver com a trama, mas que ainda aparece nos catálogos ao lado do nome original.
Está na MUBI, dentro da coleção dedicada a Bergman.
4.
Gritos e Sussurros (1972)

Gritos e Sussurros (1972), drama sueco rodado quase inteiro em tons de vermelho, rendeu a Bergman sua única indicação ao Oscar de Melhor Filme, entre cinco indicações ao todo; o diretor de fotografia Sven Nykvist venceu a categoria de Fotografia. A história acompanha as irmãs Karin (Ingrid Thulin) e Maria (Liv Ullmann), reunidas na casa de infância para cuidar de Agnes (Harriet Andersson), que morre de câncer, com a governanta Anna (Kari Sylwan) fazendo companhia. É um retrato do que as três mulheres não conseguem dizer umas às outras.
Também está na MUBI, na mesma coleção dedicada ao diretor.
3.
O Sétimo Selo (1957)

O Sétimo Selo (1957), drama sueco ambientado na Idade Média, fixou a imagem mais repetida de Bergman em livros e listas de cinema: um cavaleiro jogando xadrez com a Morte. Antonius Block (Max von Sydow) volta das Cruzadas para uma Suécia assolada pela peste e negocia, lance a lance, mais um pouco de tempo.
O roteiro nasceu de uma peça que o próprio Bergman tinha escrito alguns anos antes, e a pergunta que sustenta o filme, sobre o que fazer quando a fé não responde, atravessa boa parte da obra seguinte do diretor.
Chegou à MUBI também, completando o trio da coleção de aniversário.
2.
Mônica e o Desejo (1953)

Mônica e o Desejo (1953), drama sueco que apresentou Harriet Andersson ao público fora da Suécia, deu a Bergman seu primeiro sucesso internacional. Harry (Lars Ekborg) e Monika (Harriet Andersson), dois jovens de família operária, fogem de barco para passar o verão isolados numa ilha do arquipélago de Estocolmo, longe dos pais e do emprego.
Jean-Luc Godard chamou o filme, na época do lançamento, de o evento cinematográfico do ano, e a cena final, com Monika olhando direto para a câmera, é citada até hoje como uma das primeiras quebras conscientes da quarta parede no cinema europeu.
Está disponível no Belas Artes À La Carte.
1.
Fanny e Alexander (1982)

Fanny e Alexander (1982), drama sueco que fecha esta lista porque também fechou, na época, a carreira de Bergman nos cinemas, venceu quatro Oscars, incluindo Melhor Filme Estrangeiro, embora o diretor tenha seguido trabalhando para a televisão depois.
A história acompanha os irmãos Fanny e Alexander Ekdahl numa Suécia do início do século XX, entre o Natal farto da casa da avó e a rigidez do bispo com quem a mãe deles se casa depois da morte do pai. É o filme mais autobiográfico de Bergman e também o mais generoso com a infância.
Está na Filmicca.
Colocar os cinco lado a lado mostra trinta anos em que Bergman não se repetiu: começou filmando corpos jovens ao sol e terminou filmando um bispo sombrio dentro de uma casa fechada. O que não muda é a curiosidade genuína pelo que as pessoas escondem umas das outras.
Assistir aos cinco na mesma semana em que Bergman completou 108 anos é uma forma de medir quanto essa curiosidade ainda rende.
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Formada em Sociologia, Maisa Gebara exerce a função de redatora no site do Cinema Guiado desde 2025.
