Em ‘Os Invasores’, Nicole Kidman e Daniel Craig enfrentam uma epidemia alienígena que ataca quem dorme, mas, apensar de boa premissa, o filme não foi bem recebido.
O suspense de ficção científica ‘Invasores’ que chegou na Netflix carrega uma curiosidade que poucas pessoas no Brasil associam a ele. Quando as câmeras rodaram em Baltimore, em 2005, Daniel Craig ainda não sabia que seria o próximo James Bond. A ligação chegou num dia de folga da filmagem, e menos de um mês depois ele foi apresentado ao mundo como 007, num evento no rio Tâmisa, em Londres. Craig voltou direto para o set, terminou o filme e só então virou o agente mais famoso do cinema.
A história é a quarta adaptação do romance The Body Snatchers, de Jack Finney, o mesmo material que já tinha virado clássico em 1956 e em 1978. Aqui, Carol Bennell (Nicole Kidman) é uma psiquiatra de Washington que começa a notar mudanças estranhas nas pessoas ao redor. Frias, sem emoção, como se tivessem perdido alguma coisa de essencial. A pista vem de um pedaço de nave espacial que caiu na cidade, carregando um organismo que age enquanto a vítima dorme. Ben Driscoll (Daniel Craig), colega e parceiro de Carol, entra na investigação ao lado dela, e começa um mistério médico que logo vira uma corrida contra o sono, com o filho pequeno de Carol no meio da ameaça.
Essa mesma premissa, que começa em Vampiros de Almas (1956), foi citada pelo diretor Vince Gilligan como uma das inspirações diretas de Pluribus, a série mais assistida da história da Apple TV, que estreou em novembro de 2025. Gilligan inverteu o medo: em vez de gente fria e sem emoção, o vírus alienígena da série deixa todo mundo feliz demais e conectado numa mesma mente coletiva.
Vale ser direto sobre uma coisa: Invasores foi detonado pela crítica, tendo recebido assustadores 80% de desaprovação da crítica no site Rotten Tomatoes. Ele saiu dos cinemas com recepção ruim, e essa reprovação segue firme até hoje. Mas ela não conta a história toda. Mesmo entre as críticas mais duras, um ponto se repete: Nicole Kidman entrega uma atuação convincente com um material que não ajuda muito, e Daniel Craig, ainda a um passo de se tornar 007, aparece melhor do que o filme em volta dele merece.
Por trás das câmeras, a produção teve uma história mais dramática que a trama. O diretor é Oliver Hirschbiegel, o mesmo do ótimo A Queda! As Últimas Horas de Hitler (2004), um nome respeitado que veio de um trabalho sério sobre os últimos dias do nazismo. A Warner Bros. não gostou do corte dele e chamou as irmãs Wachowski para reescrever partes do roteiro e James McTeigue, diretor de V de Vingança, para refilmar cenas de ação e um final alternativo. Durante essas refilmagens, Kidman se machucou num acidente de carro no set e quebrou algumas costelas, mas voltou ao trabalho pouco depois. O resultado dessa reconstrução em cima da hora é visível na tela: o filme muda de ritmo na metade e, claro, a crítica notou e não gostou.
Confira o trailer oficial:
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