Estes seis filmes intensos abordam personagens descobrindo espaços estranhos que parecem ter vida própria.
A mitologia por trás do novo filme da A24, “Backrooms: Um Não-Lugar“, é profunda. Escrito por Will Soodik e dirigido por Kane Parsons, ou melhor, Parsons, como os fãs desse fenômeno da internet o conhecem. Ele criou tudo em 2022 ao postar um vídeo chamado “The Backrooms (Found Footage)” em sua conta do YouTube que acabou se tornando uma sensação —, o filme “Backrooms” pode muito bem ser um dos maiores projetos da temporada de verão. Mas do que se trata, afinal?
Isso na verdade não é tão simples de explicar, mas vamos lá. A ideia dos “Backrooms” (quartos do fundo) como um espaço é, por si só, bastante assustadora; é essencialmente um espaço que existe como um lugar “entre” planos de existência, e começou como uma lenda urbana da Internet, antes de Parsons fazer sua série no YouTube.
Na adaptação cinematográfica da A24, o indicado ao Oscar e astro de “12 Anos de Escravidão“, Chiwetel Ejiofor, interpreta Clark, um dono de loja de móveis que explora uma estranha série de espaços atrás de sua loja. Não quero dar spoilers aqui, então isso é tudo da trama que vou cobrir, mas este filme tem um elenco respeitado.
Os indicados ao Oscar, Ejiofor e Renate Reinsve (de “A Pior Pessoa do Mundo” e “Valor Sentimental“) lideram o grupo.
Se você gostou de “Backrooms: Um Não-Lugar“, eu tenho algumas ideias do que você poderia assistir depois e separei aqui cinco filmes que brincam com o conceito de espaço, tempo e existência.
1.
Skinamarink: Canção de Ninar (2022)
Dir. Kyle Edward Ball

O filme de terror caseiro de 2022 de Kyle Edward Ball, definitivamente parece um match perfeito com “Backrooms“, mas há algo ainda mais assustador sobre “Skinamarink“: ele se concentra em duas crianças pequenas e apavoradas.
Com apenas quatro atores no filme — Lucas Paul e Dali Rose Tetreault como os irmãos Kevin e Kaylee, e Ross Paul e Jaime Hill como sua mãe e seu pai —, “Skinamarink” faz um uso requintado de seu orçamento minúsculo e produz sequências de terror assustadoras ao nos colocar nos passos confusos de Kevin. Enquanto Kevin e Kaylee assistem a desenhos animados em sua casa escura, portas começam a desaparecer e reaparecer no teto, e algo ainda pior acontece com a mãe e o pai de Kevin e Kaylee lá em cima em seu quarto.
Disponível na MUBI.
2.
Viveiro (2019)
Dir. Lorcan Finnegan

Primeiro, preciso esclarecer uma coisa. De acordo com o dicionário, a palavra “vivarium” (viveiro) refere-se a um terrário tipicamente usado para abrigar pequenos animais, então isso já te dá alguma indicação sobre o que se trata o filme lançado em 2019 e dirigido por Lorcan Finnegan.
Também conhecido por seu trabalho em “Black Mirror“, o diretor escala Jesse Eisenberg e Imogen Poots e faz um thriller de ficção científica perturbador sobre um casal que se encontra em um arranjo de moradia muito estranho.
Em “Viveiro“, Gemma e Tom, procuram uma nova casa para morarem juntos e visitam um complexo de casas chamado Yonder. Após lidarem com um bizarro corretor de imóveis, eles descobrem que simplesmente não conseguem sair da casa que visitaram.
Disponível no Prime Video sem custo adicional.
3.
A Estrada Perdida (1997)
Dir. David Lynch

Não é segredo que os filmes surreais e bizarros do já saudoso David Lynch costumam ser muito assustadores. Um de seus filmes mais subestimados, no entanto, é definitivamente “A Estrada Perdida” (“Lost Highway“) — e é fácil presumir que Kane Parsons possa ter tirado alguma inspiração do trabalho de Lynch neste filme de 1997 para conceber o seu “Backrooms”.
No filme, Bill Pullman é Fred Madison, um saxofonista que vive nas Hollywood com sua esposa Renee (Patricia Arquette). Quando Fred e Renee começam a receber mensagens estranhas e fitas VHS, seu relacionamento começa a se deteriorar, e as coisas só pioram (e ficam muito mais assustadoras) quando ele conhece uma figura conhecida apenas como o Homem Misterioso. À medida que o Homem Misterioso começa a atormentar Fred, o público também perde a noção do que é real e do que não é.
4.
Assim na Terra Como no Inferno (2014)
Dir. John Erick

Ambientado e filmado nas famosas catacumbas de Paris e dirigido por John Erick Dowdle — que coescreveu o roteiro com seu irmão Drew Dowdle —, o filme de 2014 também conta a história de pessoas perdidas e até presas em um espaço em constante mudança.
Quando conhecemos a protagonista Scarlett Marlowe (Perdita Weeks), ela está desesperada para encontrar a famosa “pedra filosofal” — sim, aquela de Harry Potter — e segue para Paris após obter uma chave misteriosa em uma caverna no Irã. Acompanhada pelo documentarista Benji (Edwin Hodge) e por seu ex-namorado e tradutor George (Ben Feldman), Scarlett acaba entrando nas catacumbas através de uma entrada proibida graças ao explorador Papillon (François Civil).
Mas quando um túnel desmorona, eles percebem que estão por conta própria… e as catacumbas começam a mudar, como se fossem sencientes. A partir daí, o trio precisa descobrir como sobreviver.
Disponível apenas para aluguel no Prime Video e Apple TV.
5.
Estou Pensando em Acabar com Tudo (2020)
Dir. Charlie Kaufman

O drama Psicológico de 2020 dirigido e escrito por Charlie Kaufman para a Netflix é um colapso estrutural. A jovem interpretada por Jessie Buckley viaja com o namorado Jake (Jesse Plemons) para a casa de campo da família dele. A premissa básica mascara um labirinto.
A visão de direção de Kaufman destrói a continuidade espacial e temporal. O enquadramento fechado na proporção de tela 4:3 aprisiona os personagens. A montagem opera sob uma lógica de sonho lúcido. Na verdade, um pesadelo. Na casa de campo, os pais de Jake — vividos por Toni Collette e David Thewlis — rejuvenescem e envelhecem entre cortes. A arquitetura do local é impossível. O espaço se altera de acordo com a psique fragmentada dos personagens em cena.
O ambiente escolar no ato final espelha a desorientação de “Backrooms“. Corredores escuros se multiplicam indefinidamente. O cenário ignora as leis da física e da razão. A realidade cede lugar ao delírio. A ausência de um mapa espacial torna a experiência sufocante.
Disponível na Netflix.
6.
A Saída 8 (2025)
Dir. Genki Kawamura

Um homem preso em um corredor de metrô interminável parte em busca da Saída 8. As regras de sua missão são simples: não ignorar nada fora do comum. Se descobrir uma anomalia, ele precisa voltar imediatamente. Caso contrário, pode continuar. Até encontrar a Saída 8. O menor descuido o fará retornar ao início. Será que ele conseguirá alcançar seu objetivo e escapar deste loop infinito?
Por sua própria natureza, “A Saída 8” é lento e repetitivo. Mas é estranhamente hipnotizante. Uma das fusões mais convincentes e inteligentes entre cinema e videogame já feitas.
Com 93% de aprovação no Rotten Tomatoes, o consenso da crítica é que o filme é um labirinto inquietante, percorrido com maestria pelo diretor Genki Kawamura, em uma adaptação de videogame que transmite uma sensação de angústia existencial e sofisticação estilística.
Indisponível para streaming no momento.
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Formado em Jornalismo, Bruno Bianchi é um apaixonado por filmes de baixo orçamento e bandas de rock recém formadas. Seu gosto artístico peculiar o levou a ser convidado para integrar o time de colaboradores do Cinema Guiado, função que exerce desde maio de 2026.
