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Filme sobre Carolina Maria de Jesus vence importante prêmio no Goes to Cannes 2026

filme de Jeferson De, ainda em pós-produção, recebeu o A.H. Media Production Award de 10 mil euros; júri destacou atuação de Maria Gal e protagonismo feminino e negro.

Em 18 de maio de 2026, o longa Carolina Maria de Jesus foi anunciado como vencedor do Goes to Cannes, vitrine do Marché du Film dedicada a projetos em finalização. O prêmio — 10 mil euros concedidos pela A.H. Media Production — chegou antes mesmo do filme estar pronto. Esse é o tipo de reconhecimento que precede estreias e abre portas: distribuidores internacionais, agentes de venda e programadores de festivais já sabem o nome.

A produção é dirigida por Jeferson De, com roteiro de Maíra Oliveira e protagonizada e coproduzida por Maria Gal. O elenco inclui ainda Raphael Logam, Clayton Nascimento, Liza Del Dala, Fábio Assunção e Thawan Lucas, entre outros. A produção é uma adaptação de Quarto de Despejo, o diário de Carolina Maria de Jesus publicado em 1960, que narrou a vida na Favela do Canindé, em São Paulo, e se tornou um dos livros brasileiros mais traduzidos no mundo.

O júri destacou o protagonismo feminino e negro do projeto, além da atuação de Maria Gal, que interpreta a personagem-título e também assina a produção. A dupla função — atriz e produtora — não é acidente de agenda. É a aposta política que sustenta o filme: para trazer Carolina Maria de Jesus à tela, foi preciso que uma mulher negra ocupasse os dois lados da câmera ao mesmo tempo.

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Em entrevista à Variety após a premiação, Jeferson De afirmou:

Carolina Maria de Jesus é uma figura fundamental na nossa história e na literatura brasileira, e contar sua trajetória pelo cinema carrega enorme significado artístico, político e histórico.”

Durante o discurso de premiação, Maria Gal evocou um episódio da história brasileira: quando o Brasil ganhou a Palma de Ouro em Cannes em 1962 com O Pagador de Promessas, Carolina Maria de Jesus foi convidada para a comemoração, mas foi impedida de entrar em um restaurante em São Paulo por ser uma mulher negra. Sessenta e quatro anos depois, um filme sobre sua vida está no mesmo festival — e desta vez venceu.

Maria Gal também refletiu sobre o tempo que levou para a história de Carolina chegar ao cinema: “A indústria audiovisual brasileira, apesar de o Brasil ser um país onde mais de 56% da população se identifica como negra ou parda, ainda reflete desigualdades estruturais profundas. E isso é especialmente paradoxal quando falamos de Carolina Maria de Jesus — uma das primeiras escritoras negras da América Latina a se tornar um bestseller internacional.”

O projeto foi apresentado ao mercado internacional pelo Festival do Rio no dia 15 de maio, dentro de uma seleção de cinco produções brasileiras levadas ao Palais des Festivals para produtores, distribuidores e programadores de festivais. Os outros títulos brasileiros da seleção foram Beyond the Edge (Jo Serfaty), Days of Fire (Maju de Paiva e Bernardo Florim), Talented (Thais Fujinaga) e The Character (Fábio Mendonça).

A produção é da Move Maria, Raccord Produções e Buda Filmes, com coprodução da Globo Filmes e distribuição no Brasil pela Elo Studios. A coprodução internacional conta com a francesa Mact, além de Rosane Svartman (RSMTS) e Sara Silveira (Dezenove Som e Imagens).

O Goes to Cannes funciona como um passaporte precoce: filmes ainda inacabados ganham visibilidade no maior mercado cinematográfico do mundo, antes de qualquer estreia. Para Carolina Maria de Jesus, o prêmio transforma o projeto em evento — antes de qualquer cinema ou plataforma confirmar uma data.

O filme ainda está em pós-produção e não tem data de estreia confirmada no Brasil.


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