O filme de ação e fantasia dirigido por Aitore Zholdaskali custou menos de US$ 500 mil e foi feito em 14 dias usando inteligência artificial.
A plataforma de inteligência artificial especializada em vídeo Higgsfield, sediada em San Francisco, revelou o trailer de Hell Grind durante um evento da indústria em Cannes.
O trailer já está disponível no YouTube, e o filme terá sua estreia completa no Cinema Olympia de Cannes no dia 21 de maio. A pergunta não é se a IA chegou ao cinema. Ela já chegou. A pergunta é como lidar com isso.
Hell Grind foi dirigido por Aitore Zholdaskali e coescrito com Adilkhan Yerzhanov, cineasta com duas presenças na Programação Oficial de Cannes. A premissa mistura assalto, mitologia e fantasia: quatro ladrões de rua inseparáveis veem seu plano criminoso dar errado quando um deles acidentalmente ativa um artefato antigo que abre um portal para o submundo.
A jornada leva os personagens para um templo tibetano e para o Japão feudal. O trailer mostra uma escala visual que nenhum filme independente sustentaria.
O dado que vai circular por semanas: o primeiro segmento de 25 minutos exigiu 16.181 gerações de vídeo para produzir 253 planos finais, uma taxa de curadoria de 64 para 1. Isso significa que, para cada plano que chegou ao corte, 63 foram descartados. A fase de execução levou cerca de duas semanas, embora a ideia e o roteiro tenham sido desenvolvidos pelos realizadores ao longo de vários anos.
O projeto todo custou menos de US$ 500 mil — e a Higgsfield afirma que um longa-metragem de ação e fantasia comparável custaria cerca de US$ 50 milhões em produção tradicional.

O filme foi produzido por uma equipe de 15 diretores, fotógrafos e editores, a maioria trabalhando presencialmente em Almaty, no Cazaquistão, com alguns colaboradores remotos.
Não é, portanto, o trabalho de um algoritmo solitário numa sala escura. É o resultado do esforço coletivo de profissionais com formação técnica real operando uma ferramenta nova com a mesma lógica que qualquer montador usa ao escolher entre takes num set.
A diferença está apenas na origem do material.
Para Zholdaskali, o significado do projeto é imenso. O diretor comparou o momento ao que o laptop fez pela música: “Fazer um filme hoje é como gravar um álbum há vinte anos — você precisa de investidores e grandes estúdios. Mas o laptop mudou a música para sempre e nos deu Billie Eilish. É isso que a Higgsfield está fazendo para cineastas. A próxima geração não vai precisar esperar dez anos.”
O próprio Zholdaskali levou uma década para conseguir realizar seu primeiro longa-metragem tradicional. Com a IA, ele fez isso em poucas semanas.
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Hell Grind não está só no Mercado de Cannes deste ano. Outros projetos também estão presentes no Marché du Film, e o festival concentra discussões intensas sobre IA com nomes como Darren Aronofsky. O diretor de O Máscara, Chuck Russell, assistiu a trechos de Hell Grind e comparou o momento atual aos primeiros dias do CGI, quando a tecnologia ainda era vista com desconfiança
Confira o trailer:
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