A Laika Studios revela o primeiro trailer completo de Wildwood, fantasia dirigida por Travis Knight que adapta o livro de Colin Meloy com estreia confirmada para 2025.
O hiato de lançamentos da Laika Studios terminou com a divulgação do trailer oficial de Wildwood, no Brasil conhecido como O Bosque Selvagem. Ambientado em uma versão mística de Portland, o longa narra a jornada de Prue McKeel para resgatar seu irmão caçula das garras de um exército de corvos. O vídeo apresenta as Terras Impassíveis, uma zona de exclusão onde a natureza e a magia colidem de forma pouco convencional. A produção evita a doçura excessiva das animações digitais contemporâneas, optando por uma estética que preserva o peso e a textura inerentes ao trabalho manual.
O elenco de vozes reforça a intenção de entregar uma narrativa com camadas de maturidade. Peyton Elizabeth Lee interpreta a protagonista, cercada por figuras como Carey Mulligan, Mahershala Ali, Angela Bassett e Bryan Cranston. A escolha desses intérpretes sugere um foco em interpretações contidas, fugindo do histrionismo comum ao gênero. O trailer indica que os diálogos e o silêncio terão o mesmo peso na construção da atmosfera de tensão que permeia a floresta de Forest Park.

Fundada em 2005, a Laika tornou-se a guardiã do stop-motion de grande escala. Sob o comando de Travis Knight, o estúdio refinou a tecnologia de impressão 3D para criar milhares de expressões faciais intercambiáveis, unindo o artesanal ao digital. Filmes como Coraline e o Mundo Secreto (2009) e Kubo e as Cordas Mágicas (2016) estabeleceram uma assinatura visual reconhecível pelo rigor técnico e pela temática frequentemente sombria. Wildwood surge como o ápice dessa evolução, sendo a produção mais ambiciosa da casa até hoje.
A decupagem visual revelada no trailer utiliza uma profundidade de campo reduzida, valorizando a escala das miniaturas em relação ao ambiente. O uso de lentes que capturam a porosidade das superfícies — como a casca das árvores e o feltro dos figurinos — acentua a sensação de realidade tátil. A luz é utilizada de forma dramática, com contrastes que lembram a pintura clássica, distanciando a obra do brilho chapado das produções em CGI. A montagem sugere que o tempo da cena respeita a física dos objetos, garantindo uma fluidez orgânica aos movimentos.
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No roteiro assinado por Chris Butler, a adaptação da obra de Colin Meloy mantém o tom de folclore moderno. A narrativa não se esquiva de temas como a perda da inocência e a complexidade política de um mundo escondido. Diferente de outras fábulas, aqui os perigos são concretos e as alianças são frágeis. A jornada de Prue é técnica e emocional, exigindo que ela compreenda as regras de um ecossistema que não foi projetado para a presença humana, onde a diplomacia é tão vital quanto a coragem.
Após o lançamento de Link Perdido (2019), o mercado aguardava o próximo passo do estúdio. Wildwood chega para ocupar o espaço do cinema de animação que desafia a percepção do espectador sobre o que é real e o que é construído. Com lançamento previsto para 2025, o filme se posiciona como um competidor natural nas categorias técnicas das premiações internacionais. O público brasileiro poderá conferir o resultado dessa paciência artesanal diretamente nas telas grandes, onde cada detalhe da animação quadro a quadro ganha a devida escala.
Wildwood, no Brasil conhecido como O Bosque Selvagem, chega aos cinemas do mundo em 23 de outubro, mas não possui data oficial de estreia no Brasil.
Confira o trailer oficial:
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Herbert Bianchi é diretor e roteirista formado em Cinema pela FAAP, mas foi morando na Hungria — perto do cinema de Béla Tarr e das paisagens de Tarkovsky — que aprendeu a ler o que os filmes comunicam sem dizer. Em 2023, criou o Cinema Guiado, plataforma editorial independente dedicada à análise, curadoria e reflexão sobre cinema.




