Estomago

5 Filmes sobre o lado caótico da gastronomia

Da obsessão à panela de pressão: quando a alta culinária se transforma em um thriller psicológico de egos, suor e esgotamento.

A gastronomia não é apenas feita de pratos bem elaborados e sorrisos de satisfação, e essas sensibilidades são refletidas na amplitude de suas representações no cinema. Desde que o conceito de alta gastronomia se consolidou no imaginário popular, o cinema seguiu o exemplo, mostrando que por trás de cada menu degustação existe uma panela de pressão prestes a explodir.

Quando ficou cada vez mais claro que a obsessão culinária esconde dinâmicas tóxicas, os filmes começaram a mergulhar em seu legado, tanto por meio de dramas intensos quanto de thrillers psicológicos que destacavam seu ethos. À sua maneira, cada um desses filmes explora e celebra o espírito das cozinhas profissionais, atraindo culturas e gerações.

Separamos aqui alguns filmes que se destacam por girar em torno da culinária sob a ótica de tensão, poder e obsessão. Isso abrange uma ampla gama, desde sátiras sociais ácidas e dramas realistas até comédias dramáticas sobre o esgotamento profissional.

5.

Sem Reservas (2007)

Sem reservas


Uma chef de cozinha viciada em trabalho precisa lidar com um novo cozinheiro que não respeita as regras do restaurante. Catherine Zeta-Jones interpreta Kate Armstrong, uma chef de prestígio em Manhattan cuja vida é regida pela precisão milimétrica e pelo controle absoluto de seu ambiente de trabalho. Sua rotina vira de cabeça para baixo com a chegada de Nick (Aaron Eckhart), um subchef extrovertido e fã de ópera que traz uma energia imprevisível para o local.

Embora envelopado no formato de uma comédia romântica de Hollywood, “Sem Reservas” funciona muito bem ao ilustrar a rigidez psicológica e o isolamento emocional que frequentemente acometem profissionais no topo da carreira gastronômica. O filme oferece uma atuação marcante de Zeta-Jones, capturando a ansiedade latente de uma mulher que usa a culinária como escudo contra o mundo exterior.

Disponível na Netflix.

4.

A Cozinha (2024)

A cozinha


Um chef que é imigrante ilegal nos EUA vive dividido entre o stress do trabalho e o romance com uma garçonete. Situado nos bastidores de um restaurante lotado na Times Square, o filme acompanha a rotina sufocante de Pedro (Raúl Briones), um cozinheiro talentoso e intempestivo, e Julia (Rooney Mara), uma garçonete americana com quem ele mantém um relacionamento complexo. A pressão atinge níveis insustentáveis quando o dinheiro do caixa some e Pedro passa a ser o principal suspeito.

A Cozinha” se destaca pelo realismo cru com que aborda a indústria gastronômica: a mão de obra imigrante e invisibilizada. O diretor extrai uma atmosfera quase documental do vaivém frenético dos pratos, transformando o balcão de entregas em um verdadeiro campo de batalha social e econômico. Qualquer pessoa que já trabalhou no setor de serviços vai se identificar com o esgotamento retratado na tela.

Disponível na HBO Max.

3.

Estômago (2007)

Estomago


Raimundo Nonato chega à cidade grande sem nada, mas com talento de sobra pra mudar de vida. Contratado inicialmente como lavador de pratos em um boteco, Nonato (João Miguel) logo revela uma habilidade nata para fritar pastéis e coxinhas, chamando a atenção de um dono de restaurante italiano. À medida que avança na escala social culinária, ele aprende as regras do poder, do sexo e da sobrevivência, lições que mais tarde aplicará na prisão, onde conquista os detentos pelo estômago.

O protagonista de “Estômago”, Raimundo Nonato, é um personagem com muito mais nuances do que os anti-heróis típicos do cinema nacional, o que ajuda a elevar o filme. A obra equilibra perfeitamente a comédia de humor negro com uma crônica social amarga, usando a comida como metáfora para as relações de dominação na sociedade brasileira. É um retrato visceral de como a gastronomia pode ser uma ferramenta de ascensão e, ao mesmo tempo, de corrupção moral.

Disponível na Netflix.

2.

O Chef (2021)

O chef


O chef de um restaurante popular tenta organizar o caos de uma cozinha fora de controle. Filmado inteiramente em um impressionante plano-sequência sem cortes, o longa acompanha Andy Jones (Stephen Graham), o carismático e problemático chef de um dos restaurantes mais badalados de Londres. Na noite mais movimentada do ano, a sexta-feira antes do Natal, Andy precisa lidar com inspetores de saúde, clientes implacáveis, rivalidades na equipe e seus próprios vícios pessoais.

A interação entre a equipe, o ritmo das comandas e a ampla variedade de conflitos simultâneos tornam o filme um clássico instantâneo do subgênero. Documentando a pressão desumana por trás do selo de alta gastronomia, “O Chef” captura lindamente o absurdo e a toxicidade do estilo de vida na linha de frente dos restaurantes modernos, deixando o espectador tão sem fôlego quanto os personagens.

Disponível para aluguel no Prime Video.

1.

O Menu (2022)

O menu


Um jovem casal em busca de uma experiência gastronômica inesquecível visita um estranho restaurante. Anya Taylor-Joy e Nicholas Hoult interpretam Margot e Tyler, que viajam de barco para uma ilha remota para jantar no Hawthorne, um estabelecimento ultraexclusivo comandado pelo celebrado e recluso Chef Julian Slowik (Ralph Fiennes). No entanto, o menu degustação daquela noite reserva surpresas chocantes, onde cada prato servido vem acompanhado de revelações perturbadoras e violentas sobre os seletos clientes.

O Menu” é uma sátira social impecável e ácida sobre o elitismo da cultura foodie contemporânea e o vazio do consumismo de luxo. A direção constrói o suspense, transformando o salão do restaurante em um teatro de horror psicológico. O amor e o ódio pela arte da cozinha se misturam perfeitamente para criar a derradeira história sobre o esgotamento criativo e a vingança de quem serve contra quem consome.

Disponível no Prime Video.

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