Curadoria: Elegemos as 10 melhores cenas do cinema em 2025

Curadoria: Elegemos as 10 melhores cenas do cinema em 2025

Um ano que provou que grandes filmes ainda são feitos de momentos únicos e irrecuperáveis

Filmes inteiros podem ser esquecidos. Cenas, não. Elas grudam. Voltam de madrugada. Ficam com você.

A diferença entre um bom filme e um filme que importa costuma morar em três minutos que condensam tudo o que o diretor ou diretora queriam dizer, e tudo o que você, como espectador, nem sabia que precisava ouvir.

Esta lista não é um ranking. É mais um inventário. São dez cenas que, isoladas, poderiam convencer qualquer cético de que a sétima arte ainda têm muito a mostrar.

Lembrando que a partir daqui haverá spoilers.

Vamos à lista?

10.

O tributo em ‘Jay Kelly’


Noah Baumbach guardou um segredo de George Clooney: a cena final do tributo usaria clipes reais da carreira do próprio ator. Quando as imagens começaram a passar na tela durante a filmagem, Clooney não sabia o que estava vendo.

O que a câmera captura é devastador: um homem assistindo à própria vida em montagem. O jovem de Plantão Médico. O galã. O diretor. Os cortes de cabelo. As rugas que aparecem. O tempo que passou. Adam Sandler, ao lado, segura a mão do amigo. Ambos disseram depois que choraram de verdade.

Jay Kelly é um ator que nunca soube quem era fora dos personagens. Ao ver suas faces anteriores, finalmente enfrenta a pergunta: qual delas era de fato ele?

9.

O penhasco em ‘Sirât


Oliver Laxe filmou nas colinas do Marrocos com equipe mínima, em Super 16mm. A cena do penhasco acontece quando menos esperamos: Luis, o pai em busca da filha desaparecida, para a van para ajudar outro veículo. Enquanto empurra, seu próprio carro — com o filho Esteban dentro — desliza para trás e despenca do precipício.

Não há preparação. Não há música crescendo. A van simplesmente cai. Luis corre até a borda. A câmera fica com ele por tempo insuportável.

O filme ganhou o Prêmio do Júri em Cannes. Mas é este momento — a brutalidade arbitrária do acidente — que o define. Luis foi ao deserto salvar uma filha. Perdeu o outro filho. A ironia não é dramática; é existencial.

8.

A piscina em ‘Faça Ela Voltar


Os irmãos Philippou, depois de Fale Comigo, provaram que sabem construir terror sem sustos fáceis. Em Faça Ela Voltar, a cena da piscina é o clímax de uma hora e meia de tensão acumulada.

Laura (Sally Hawkins) arrasta o corpo de sua filha morta até a água. A câmera sobe. Vemos o abraço, a dor, e nos compadecemos, divididos entre compaixão e horror.

7.

As crianças correndo em ‘A Hora do Mal’


Zach Cregger admitiu que a inspiração veio da fotografia “Garota Napalm” de Nick Ut — a imagem de 1972 que mostrava crianças vietnamitas correndo de um ataque aéreo.

Em A Hora do Mal, 17 crianças saem de suas casas às 2h17 da madrugada e desaparecem na escuridão.

A cena é filmada em plano sequência. As crianças correm em silêncio. Não há gritos, não há música. Apenas passos descalços no asfalto. A câmera as segue de longe, depois de perto, depois as perde nas sombras.

O terror aqui não vem do susto, mas do desamparo.

6.

O abraço em ‘Valor Sentimental’


Joachim Trier constrói Valor Sentimental inteiro em torno de gestos não-dados, afetos represados. Gustav Borg (Stellan Skarsgård) é um cineasta que nunca soube demonstrar amor às filhas.

O abraço acontece no meio do filme. Nora (Renate Reinsve), a filha que se recusou a participar do projeto autobiográfico do pai, acolhe a irmã. Não há diálogo. Elas simplesmente se abraçam. A câmera próxima capta o momento com intimidade.

5.

A perseguição em ‘Uma Batalha Após a Outra’


Paul Thomas Anderson encontrou uma estrada onde as colinas ondulam de forma que impossibilita ver o que vem à frente ou o que ficou para trás. Perfeito para uma perseguição onde ninguém sabe quem está caçando quem.

A cena envolve três carros: Willa (Chase Infiniti) fugindo, Tim (John Hoogenakker) caçando, e Bob (Leonardo DiCaprio) tentando encontrar a filha. Anderson filmou com lentes zoom. A câmera foi propositalmente retirada do tripé para criar trepidação.

O golpe de gênio: Willa usa a topografia contra o perseguidor. Para no topo de uma colina, sai do carro, espera. Tim não consegue ver a armadilha até ser tarde demais.

A inteligência de uma adolescente que aprendeu, com o pai revolucionário, que sobrevivência é improviso.

4.

os passos em ‘E Foi Apenas um Acidente


Jafar Panahi filmou em Teerã sem permissão oficial, com atores não-profissionais. O único ator profissional, Ebrahim Azizi, no papel do suposto torturador nem precisa ser mostrado para deixar o espectador arrepiado na cena final.

O protagonista está em sua casa, retomando a sua rotina, quando escuta os passos do homem que acabou com sua vida vindo em sua direção. Ele não se vira, fica congelado, até que o homem se afasta e vai embora.

O som foi comparado aos melhores filmes de terror. Não há música. Apenas o som dos passos. O filme ganhou a Palma de Ouro em Cannes. Panahi, que passou décadas proibido de viajar, recebeu o prêmio pessoalmente.

3.

O blues em ‘Pecadores


Ryan Coogler preparou a cena do juke joint por meses. Ludwig Göransson compôs a música “I Lied to You” usando uma guitarra Dobro de 1932 — a mesma que o personagem Sammie carrega no filme. Todas as performances foram gravadas ao vivo no set.

E então algo mágico acontece. Sammie (Miles Caton, premiado como melhor ator revelação no Critics Choice Award 2026) toca a canção e a câmera atravessa a pista de dança para encontrar figuras que não pertencem àquele tempo: um homem vestido como Parliament/Funkadelic, um DJ de hip-hop, um break dancer.

O blues do Delta se conecta a tudo que viria depois — música que ainda não existe, mas que já está ali, como uma semente.

Coogler disse que a cena estava no roteiro desde o início, em itálico, porque ele sabia que seria difícil de explicar. De fato, é mais fácil senti-la.

2.

O incêndio em ‘Sonhos de Trem’


Clint Bentley filmou Sonhos de Trem em locações reais. Na cena do incência, vemos uma floresta ser consumida por fogo. Joel Edgerton, em uma atuação contida, mas extremamente forte, corre em direção a algo que já não existe.

Robert Grainier, seu personagem, atravessa as colinas em chamas tentando chegar à esposa e à filha. A fotografia de Adolpho Veloso abandona qualquer pretensão de beleza para capturar a desorientação total de um homem perdendo tudo.

E então: silêncio. Robert chega. Encontra só cinzas. A câmera mostra seu rosto. Não há como conter a dor.

1.

A banheira em ‘Sorry, Baby’


Eva Victor escreveu, dirigiu e protagonizou Sorry, Baby em 24 dias de filmagem. A cena da banheira acontece cedo: Agnes, após ter sido submetida a um abuso, que o filme se recusa a mostrar, encontra refúgio na água, e na amiga.

Não vemos seu rosto em close até este momento. A câmera a acompanha de costas, respeitando uma distância necessária. Quando finalmente a vemos de perto — molhada, exausta — ela tenta descrever o que aconteceu e entendemos que o filme não será sobre o evento em si, mas sobre o trauma.

O que essas cenas têm em comum?

Nenhuma depende de efeitos especiais. Todas confiam no humano, no tempo que a câmera dedica a um momento, na recusa em explicar demais.

2025 provou que o cinema de autor não morreu.

As melhores cenas do ano não tentaram reinventar a linguagem do cinema. Apenas a usaram com coragem. E nos lembraram por que ainda vale a pena comprar um ingresso e entrar na sala escura.

Qual dessas é a sua favorita. Qual delas ficou com você?


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4 comentários em “Curadoria: Elegemos as 10 melhores cenas do cinema em 2025”

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